Rostos desconhecidos

Estou longe de ser famoso. Entretanto, meu trabalho é público. Por isso mesmo, muita gente me conhece. Embora esteja longe das câmeras de TV, os anos de dedicação ao rádio, o tempo na faculdade, as ações públicas ligadas à instituição religiosa que pertenço me fizeram relativamente conhecido.

Ser conhecido não me deixa constrangido. Embora seja um “caipira” na relação com o público, não me incomodo por ter um trabalho e desenvolver atividades que me expõem. Nem estaria aqui – com blog, twitter, facebook etc – se me preocupasse com isso.

Mas algo me incomoda.

Tenho uma natureza tímida e sou bastante reservado, mas procuro ser agradável, gentil. Educado, talvez seja a palavra que melhor defina minha motivação no trato com as pessoas.

Acontece que muita gente que me conhece é completamente desconhecida para mim. Às vezes, até já vi, cumprimentei, ou convivi durante algum tempo. Contudo, pela quantidade de relações que estabeleço diariamente, o tempo torna alguns rostos completamente desconhecidos para mim.

Esta semana dei de cara com uma mulher. Quando me viu, abriu um sorriso. Ela estava na recepção da CBN. Eu retribuí o sorriso, cumprimentei-a e troquei algumas palavras. Cá com meus botões, consultava todo meu arquivo de imagens e nomes, mas simplesmente não sabia com quem estava falando. Somente quando vi o marido dela, soube de quem se tratava.

Na semana passada, andava pelo centro de Maringá com minha esposa. Como conversávamos, um rapaz ouviu minha voz, ficou um tempo próximo e, quando paramos no semáforo, ele veio me cumprimentar. De cara perguntou: “não lembra de mim?”. Felizmente, nem esperou a resposta. Já foi dizendo quem era. Facilitou minha vida.

Situações como essa fazem parte da minha rotina. E, de verdade, me incomodo. Não por ser reconhecido. Mas porque muita gente me conhece, sente-se próximo – quase um amigo -, mas eu não sei quem é a pessoa.

Recordo agora que semanas atrás eu saia da academia, um cara estava estacionando o carro para entrar numa empresa, acenou, sorriu pra mim e me cumprimentou: “e daí Ronaldo, tudo bem?”.

Respondi, mas sigo sem saber quem era o sujeito.

Nessas horas penso nas tantas pessoas com as quais devo esbarrar por aí. Gente que já entrevistei, conversei, fui apresentado… Ouvintes, pessoas que faziam parte do público de eventos que já apresentei, de cerimoniais (até casamentos) que já fiz… Rostos e nomes que não lembro. Mas que me conhecem, sabem quem sou e até se sentem íntimos.

Claro, é impossível reconhecer todo mundo. Mas, humano que sou, também me preocupo com a minha imagem. Não queria ser visto como um chato, arrogante, prepotente ou sei lá mais o quê. Tudo bem que não dá para pedir que as pessoas gostem da gente. Porém, nos rejeitarem quando não temos culpa não é algo desejável.

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