Quem gerencia a sua vida?

Vi um comentário do Ulisses Efatá, falando do texto que postei sobre o uso das redes sociais, e fiquei pensando: conseguimos gerenciar alguma coisa nos dias de hoje?

Ele falava que a única forma de não se perder em meio às redes, a quantidade de conteúdo, de serviços etc etc é escolher usar apenas umas três delas e ainda administrar o tempo on e off.

Concordo com o Ulisses. Mas o termo que ele usou, gerenciar, ficou me martelando.

Tenho acompanhado o drama de um amigo apaixonado. Bom, apaixonado é modo de dizer. Ele está amando. E muito. Mas a relação é bastante difícil. Pelas circunstâncias, tem sido difícil viver esse sentimento. Mais que isso. Por vezes, tem dúvidas se é plenamente correspondido, e principalmente se vale a pena todo o investimento que tem feito nessa história de amor.

Olho pro meu amigo e sempre chego a mesma conclusão: ele não tem controle da sua vida. Tem um termo do inglês que gosto para caracterizar o estado de vida dele: stand-by. É isso. Meu amigo está em stand-by. Todos os projetos, sonhos, planos… Tudo. Enquanto a outra pessoa não embarcar de vez no relacionamento, ele segue investindo seu tempo, seu amor. Ela é sua prioridade. As demais coisas estão em estado de espera.

Ele gerencia a vida dele? Não.

Mas será que apenas nesses casos a pessoa perde o controle de sua vida? A resposta é a mesma: não.

Primeiro, porque todas as vezes que estamos num relacionamento, não somos senhores de nós mesmos. Dividimos a nossa vida com outra pessoa. Logo, nossas decisões não são apenas nossas.

No entanto, ninguém é plenamente gerente de si. Ou, dono de si.

Por exemplo, quando trabalhamos, muitas vezes o patrão é muito mais dono de nossa agenda que nós mesmos.

Temos uma festa à noite. O chefe nos convoca para uma reunião de última hora. Perdemos a festa, mas não colocamos o emprego em risco.

Sempre digo que não somos plenamente livres. Nossas escolhas quase sempre são mediadas. Há interferências. Das mais diversas. Talvez até gerenciamos nossa vida. Afinal, o gerente não decide sozinho. Apenas tenta administrar da melhor forma possível dentro de um contexto apresentado. Mas estamos longe de sermos senhores de nossa vida.

Anúncios

Na segunda, uma música

A música de hoje é de uma das bandas de maior sucesso nos anos 1970 e 1980. Não diria que a música escolhida é a principal do grupo. Mas tem sim algo de especial e, por isso, optei por compartilhá-la. Estou falando de ‘Crazy Little Thing Called Love‘. Sucesso do Queen, banda que tornou Freddie Mercury uma espécie de mito do rock. Mas seu sucesso não foi por acaso. De fato, o vocalista pode ser considerado um dos maiores cantores de todos os tempos. Portanto, fica o convite: vamos à música?