A Pippa usou o mesmo vestido. E daí?

O título da matéria é este:

Pippa Middleton usa o mesmo vestido por dois dias seguidos

No primeiro, saiu para fazer compras. No segundo, foi a um jogo de tênis. Vestido vermelho, básico, bonito. Não entendo tanto assim de moda, mas me parecia bem vestida.

Agora, diga-me, qual o problema em repetir o vestido? Tudo bem, há quem diga que deve-se evitar, principalmente por tê-lo usado em dias seguidos. Até nós, que não somos celebridades midiáticas, procuramos não sair de casa dois dias seguidos com as mesmas roupas. Mas, se o fizermos, deixamos de ter bom gosto? Ou somos relaxados? Cometemos um “crime”?

Já que ontem e hoje questionei a mídia, vou fazer outra perguntinha básica:

– Por que o fato (a Pippa usar o mesmo vestido) é notícia?

Alguém pode me responder?

Ah… e por que a cunhada do príncipe é notícia mesmo?

Vamos deixar de bobagem. Temos mais o que fazer, né?

A “morte” de Amin Khader: qual a responsabilidade da imprensa?

Uma das discussões que faço com meus alunos na disciplina de Leitura Crítica da Mídia é sobre o comportamento da imprensa em relação aos seus próprios erros. Um autor que uso como referência para tratar do assunto, Patrick Charaudeau, diz que a mídia não é autocrítica. Ela transfere os erros para os outros, para as circunstâncias; nunca se auto-avalia, nem tenta analisar qual sua responsabilidade no processo.

Estava pensando nisso ao ver na manhã desta quarta-feira o desdobramento envolvendo a falsa notícia de que o promoter Amin Khader teria morrido. O foco está em quem inventou a história. Nenhum veículo de comunicação assumiu ou vai assumir que esqueceu de algo básico: ligar para o telefone do “morto”, para algum empregado ou para alguém que morasse com Amin. E mais: se ele estava morto, o corpo deveria estar em algum lugar. Então por que não checar esse detalhe tão básico a fim de confirmar a morte?

Ninguém fez isso. O fato de um amigo(?) ter noticiado a morte foi suficiente para compartilhar com o público. Era preciso ser rápido. O mais rápido possível devido a relevância(?) e urgência(?) do assunto.

Se foi o David Brazil ou o próprio Amin que inventou a história, pouco importa. Quer dizer, importa. A gente pode discutir o caráter das pessoas, a necessidade de aparecer, a falta de bom senso… coisas do tipo. Mas importa ainda mais refletir sobre o jeito de se produzir e dar notícias.

Não tem graça alguma informar e desmentir depois. Perde-se tempo demais com bobagens. É a espetacularização da ausência, do vazio, do não existente. E o público embarca. O que é relevante fica silenciado, ou em segundo plano, pois a novela de uma falsa morte torna-se mais importante que qualquer outro fato.

Convenhamos, está na hora de virar a página. E a mídia (na pessoa inclusive de jornalistas, apresentadores e outros profissionais) de reconhecer que também é responsável por situações como essa. Quem deu eco a mentira foram os veículos de comunicação e os apressados de plantão que, inocentes ou tolos, preferiram a farsa a gastar tempo em busca da verdade.