Por que escrevo?

Escrevo por prazer. Mas também por exercício. Tempos atrás publiquei aqui que havia deixado de ser refém do blog. Verdade, não sofro mais pela necessidade de oferecer um texto novo visando atrair mais visitas a esta página. Entretanto, sofro pela ausência da escrita. Não escrever me deixa com uma sensação ruim. É como se estivesse faltando alguma coisa.

Sempre discuto com meus alunos que o texto é uma atividade criativa. Em alguns casos, artística. E a arte carece do tempo, de elaboração inspirada. E, de fato, ter uma rotina de escrita resulta em muitos textos pouco empolgantes. De uma dezena deles, geralmente um ou dois tocam profundamente, eternizam-se.

Isso acontece aqui e em todas as páginas em que o autor se obriga a escrever, dentro de prazos, respeitando um calendário, uma rotina. Quem produz no seu ritmo, e apenas quando se sente inspirado, quase sempre acerta o tom e é capaz de sensibilizar o leitor.

Dias atrás uma amiga blogueira me questionou sobre esse meu ritmo de produção. Ela revelou: “não consigo ter um texto para postar diariamente”. Mas ela escreve quando se sente pronta para isso. Às vezes, demora 30 dias para publicar algo novo. No entanto, cada texto se torna único.

Não consigo fazer isso. Se deixar de publicar, deixo de acertar. Meus textos ganham vida quando começo a compor a primeira frase. Aos poucos as ideias vão se alinhando, as frases surgindo na tela e algo que não esperava produzir se completa diante de meus olhos. Por vezes, nem parece meu. É mágico.

Uma leitora recentemente brincou: “você é bruxo, psicológo… o que é?”. Ela sentiu-se tocada por algumas reflexões deste blog. Fiquei feliz. Respondi: “gosto do bruxo”. Gosto pela grata satisfação de compartilhar sentimentos e receber gente aqui que, em um ou outro casos, identifica-se com pensamentos que são construídos de maneira quase mágica, como se não dependessem de mim.

Por isso tudo, escrever é prazer. Ainda que um exercício cansativo e até traumático, quando as palavras me escapam.

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O celular não pode esperar?

Há pouco observei uma situação que me incomoda profundamente. Uma pessoa foi ao encontro de outra com objetivos profissionais. Desejava apresentar um projeto, algo do tipo. Entretanto, no meio da conversa, o celular tocou. Ela pediu licença e atendeu.

Vi a cena e fiquei pensando: o que seria mais importante?

Desde o surgimento do celular vejo esse tipo de cena repetir-se. Não raras vezes uma reunião é interrompida, uma conversa cortada ao meio por causa do telefone. Você está falando com alguém, o celular toca e a pessoa atende.

Sempre fico com a mesma impressão: não podia esperar? Quem estava do outro lado não tinha como aguardar? Por que quem está diante de você tem a obrigação de esperar e o outro não?

Teve um tempo que não usava celular. Hoje, faz parte do meu dia. Preciso dele. E por várias situações. Mas ainda assim, procuro mantê-lo desligado sempre que estou conversando com alguém. Nem falo do toque do aparelho… Acho o desrespeito ainda maior. Não gosto nem de ouvir. O meu está sempre no “vibracall”.

Mas aprendi a lidar com a “modernidade”. Essas tecnologias todas são incríveis. Facilitam a vida da gente. Porém, ainda acho que certos gestos revelam respeito, educação. Não atender o celular no meio de uma conversa é uma delas (a não ser que você esteja querendo se livrar de um chato; aí talvez vale até inventar uma ligação).

Competitivos e destrutivos

Já notou o quanto somos competitivos? Não estou dizendo dos nossos potenciais como competidores. Mas sim do nosso desejo intrínseco de ser sempre o melhor.

É preciso ser melhor que o companheiro de empresa, melhor que o colega de faculdade, melhor amigo, melhor namorado, melhor amante… Enfim, não nos agrada a idéia de que alguém é melhor que a gente. Até nossos encontros precisam ser perfeitos. Em alguns momentos, a pessoa pode se sentir inferior – e até rejeitada – se souber que a namorada ou mulher (vale aqui também o inverno, no caso das garotas) teve um ex mais, digamos assim, competente.

Sabe, não há problema em ser competitivo. Faz parte da nossa natureza. Dizem que isso é culpa do mundo contemporâneo – ou do capitalismo. Isso é uma verdade parcial. Afinal, esse sentimento de conquista, de ser o melhor está diretamente relacionado à natureza humana. Somos assim.

Pensa naquela criança de dois brincando com os amiguinhos… Está dali, sem ainda ter noção de mundo, mas já é um competidor. Ele não quer perder para o amiguinho. E se na brincadeira sentir-se derrotado, vira o jogo aplicando no outro uma bela mordida (pode ser um tapa, um empurrão ou outro gesto violento qualquer que, nós pais, conhecemos muito bem).

Portanto, esse sentimento não é errado. Ou um pecado. O problema está no que fazemos com esse desejo de ser o melhor. Podemos ser impulsionados por ele para nos tornarmos pessoas de fato melhores ou ser consumidos pela inveja, cobiça, arrogância, prepotência ou ainda pelo sentimento de inferioridade, pela baixa auto-estima.

Nesses casos, fazemos mal ao outro e a nós mesmos. Fazemos mal ao outro porque nunca seremos sinceros com quem está próximo e acabamos por desenvolver comportamentos destrutivos. Fazemos mal a nós mesmos porque perdemos a confiança, a paz de espírito e até mesmo os amigos – ou a pessoa amada (imagine: o sujeito que está sempre se comparando ao ex da garota, onde ele vai parar?).

Desejar ser o melhor é natural, como disse. Competir é saudável, quando se respeita e há sinceridade. E aprender que todos têm seus limites – inclusive aqueles que invejamos – é a primeira atitude de sabedoria num processo de desenvolvimento para se viver bem.