Não conhecemos as pessoas

Não sei se você já ouviu a frase:

– Você só conhece sua mulher quando se separa dela.

Estava lembrando da frase depois de conversar com uma amiga. Não, ela não está judiando de nenhum ex-marido. Na verdade, nem é casada. Mas o papo girava em torno das surpresas que temos na vida. Pessoas nos surpreendem. Mantemos um relacionamento durante anos com alguém e, de repente, essa pessoa faz algo que não esperávamos, nunca imaginávamos.

Semanas atrás, ouvia alguém falar sobre seu primeiro casamento. A relação durou 15 anos. Durante todos esses anos, o parceiro nunca foi capaz de um gesto mais ousado. Fazer um carinho em público? Nem pensar. O sujeito era sempre formal demais. Incapaz de surpreender a companheira com um bilhetinho, o preparo de um café da manhã, um carinho no sofá da sala… Nada.

A ausência de “calor” no relacionamento acabou motivando a separação.

Semanas depois, o sujeito aparece em público e surpreende a ex com beijos, abraços e tudo mais que ela sempre esperou. Ficou sem fôlego. Porém, como o amor havia acabado, olhou, sorriu e brincou:

– Por que você nunca fez isso antes?

Costumo dizer que o momento constrói o comportamento. E o ser humano é complexo demais. Por isso gosto daquele ditado:

– De médico e louco todo mundo tem um pouco.

É fato. Temos nossas loucuras (além de acharmos que entendemos de saúde, remédios etc etc). E elas se revelam de acordo com as circunstâncias. Em alguns momentos, surpreendendo a nós mesmos.

Quantas vezes já nos pegamos perguntado:

– Putz, como fui capaz de fazer isso?

Isso acontece porque em situações normais agimos dentro de um repertório previamente programado. O sujeito se coloca em relação ao mundo – não é necessariamente o que ele é. É como se tivéssemos um repertório. E as ações apenas refletem o “repertório” conhecido. Agimos como achamos certo. No entanto, há um mundo desconhecido dentro de nós. E que por vezes se revela quando perdemos o chão.

Nessas horas, as referências desaparecem. Fazer o que é certo parece não ter sentido. O que achávamos normal… deixa de ser. A razão vira só um conceito filosófico, as emoções afloram e respondemos tão somente aos instintos.

Ninguém está livre disso. E nem significa que esses comportamentos “fora do padrão” – ou seja, não esperados para aquela pessoa – serão permanentes. Às vezes, é só um momento. Reflexo de uma fase.

Compreender isso nos torna mais tolerantes com as pessoas. E com a gente mesmo.

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7 comentários em “Não conhecemos as pessoas

  1. Verdadeiramente acho que cada ser humano tem esse lado, desconhecido dentro de si, tenho visto e presenciado muitos casos, e depois ouço poxa não acredito que fiz isso.

  2. Conhecemos as pessoas nas experiências passadas com ela na nossa vida …agente pode ser casado 10 anos se n passarmos por determinada situação com ela , nunca saberemos como ela reagiria (teremos somente uma ideia) !

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