Um texto: às vezes, toca; outras, só palavras jogadas ao vento

Minha vida é construída sobre uma rotina. É a única forma de fazê-la funcionar. Não há outra forma de trabalhar cerca de 13 horas por dia, dar conta de ser pai de família, cuidar do corpo e da mente e ainda dormir algumas horas – afinal, ainda não inventaram um jeito da gente viver sem dormir.

E é nessa rotina que encontro um tempo para o blog. Escrever faz parte do meu dia. Tenho um tempo para isso. Programei minha vida em torno de algumas prioridades. Entre elas, está a publicação de pelo menos um texto a cada dia.

Acontece que a mesma rotina que faz minha vida funcionar é a que me consome em torno da busca de um tema. Os minutos passam e, quando vai batendo no limite – naquele horário que ou “brota” um texto ou nada vai pra rede -, é impossível evitar a ansiedade e até um certo estresse.

Já disse aqui que superei o sentimento de escravidão. Por muito tempo sofri em função da obrigação que sentia de publicar. Hoje, estou mais relaxado. Entretanto, ainda sinto necessidade de escrever. Preciso produzir. É um compromisso com os leitores. Porém, é, primeiro, um compromisso comigo mesmo.

Mas quem disse que é tão simples assim?

Às vezes, tenho o tema. Faltam os argumentos. Outras, tenho o tema e os argumentos. Mas cadê a disposição para colocar “no papel”? Sem contar a dúvida: alguém está interessado em ler isto?

Não gosto de ler bobagens. Então, por que meus leitores perderiam tempo com algo descartável?

Sabe, o processo de criação é sempre desafiador. Ainda esta semana ouvia o trecho de uma entrevista concedida pelo cartunista Lukas ao jornalista Marcelo Bulgarelli, na época que ele ainda era repórter da CBN Maringá. Ele falava da dificuldade que muitas vezes sentia para criar um cartoon. Tinha a ideia, mas os traços nem sempre traduziam seus desejos.

Também é assim com os textos. Idealizo, mas eles têm vontade própria. Vão para onde querem ir. Algumas vezes, tocam; outras, são apenas palavras jogadas ao vento.

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