Seis anos de blog

Faz seis anos que estreei na blogosfera. Coincidentemente, também era uma segunda-feira. Uma tarde de segunda-feira. Não tinha grandes pretensões. Apenas queria expor minhas opiniões. E falar sobre assuntos que não cabiam no jornal. Que não rendiam matéria.

Na época, contava com dois “professores”, o Fábio Linjardi e o Andye Iore. Eles eram os mentores de um dos blogs mais interessantes que Maringá já teve, o Factorama. Trabalhávamos juntos na redação do Hoje Maringá.

Quando falei da ideia de fazer o blog, o Fábio me deu força e até ajudou a criá-lo. Na época, mesmo utilizando o Blogger, não era tão simples colocar um blog no ar. Ainda assim, deu certo e rapidamente peguei gosto pela coisa.

Nesse fim de semana, revendo algumas postagens, senti saudade. O blog nasceu político e tratava principalmente de assuntos relacionados à Câmara de Vereadores e administração municipal. Os textos eram bastante corajosos; ousados, eu diria. Talvez reflexo do jornalismo que fazíamos no Hoje, com toda liberdade dada pelo Chico (dono do jornal) e pelo clima proporcionado por aquele ambiente em que eu trabalhava.

O tempo passou rápido e, poucos meses depois, deixei as ruas. Tornei-me âncora da CBN. E embora os fatos continuassem sendo contados no blog, eu já não tinha mais o contato direto com as fontes, com os bastidores. Eu falava não do que via, mas do que ouvia. Aos poucos, percebi que não dava mais para manter a página com o mesmo formato. Durante muito tempo, insisti. E até fiquei frustrado porque não dava conta de escrever da mesma maneira.

Entretanto, aos poucos, descobri que podia falar de outras coisas. Assuntos que eu gostava, mas que relutava publicar porque sentia um pouco de vergonha de tratar desses temas. Tinha aquela impressão: o que as pessoas vão pensar de um jornalista, âncora de uma emissora séria como a CBN e professor universitário, ao vê-lo falando de relacionamentos, por exemplo?

Fui vencendo a vergonha, os leitores foram chegando – os de política, já tinham ido embora – e o blog ganhou uma nova cara. Ou, uma nova linha editorial. Voltei a ter prazer em escrever. Claro, nesse tempo, a constante insatisfação me fez abrir vários blogs. Porém, o que ficou mesmo foi este daqui, que comecei em 2007.

Ainda tenho vontade de fazer um blog como o primeiro, o Opinião do Ronaldo. Na verdade, gostaria de fazer as duas coisas: este daqui e um outro como o primeiro. Mas não dou conta. Na última sexta-feira, até “encerrei” um recente que representava uma dessas tentativas de retomar o factual. Não deu certo. Talvez um dia… Hoje, não é possível. Não consigo conciliar.

Enquanto isso, espero seguir por aqui. Compartilhando ideias, reflexões e, com um pouco de sorte, tocando as pessoas e fazendo novos leitores e amigos.

4 comentários em “Seis anos de blog

  1. Bom dia Ronaldo!
    Pois eu sou uma que estou aqui para dizer: Continue!!!
    Vale a pena expor opiniões à respeito do que quiser, pois ainda que não sejam todos que concordem, fazemos com que as pessoas reflitam e pensem sempre à respeito.
    Bjos e ótima semana

    Curtir

  2. Parabéns pelos seis anos de blog, meu amigo… Torço pra venham ainda muitos anos… Saiba que passo por aqui todos os dias. E cá entre nós, minhas postagens favoritas são as que você escreve sobre relacionamentos. Geralmente são sábias as palavras que usa… e aprendo muito com elas… Por tudo, isso… Obrigada!!!! Abração.

    Curtir

  3. Na real? A gente não recebia em dia e o patrão não tinha moral de exigir coisa alguma. Eu, que tinha a mãe trabalhando de empregada doméstica, tinha que mendigar para o chefe pagar um pouco do meu salário atrasado para conseguir comprar gás.

    Juro, por tudo que é mais sagrado, que passei muita necessidade e privação naqueles tempos.

    Era um vexame, uma situação de tamanha miséria que permitia que virássemos “delinquentes” da internet, escrevendo o que viesse à cabeça, porque não havia perspectiva de vida. A única coisa que me animava era quando chegava a sexta-feira e o patrão pagava 50 reais, referentes ao salário atrasado, uma bola de neve.

    Eu olhava para aqueles 50 reais e ria para o diabo. Naquela época o diabo era um diagramador alcoólatra, porque trabalhar por 50 reais semanais, às vezes 20, muitas vezes nada, era viver o inferno. Não foram poucas as vezes que saí dez da noite para beber algumas cervejas baratas com o diagramador e ter certeza que minha vida seria tão miserável e solitária quanto a dele.

    Aquilo era o inferno, e desse enxofre saiu tudo aquilo que você recorda como “coragem”. Não encaro hoje como coragem, vejo apenas como escrever o que vem à cabeça — mesmo que o raciocínio não esteja correto –porque não havia perspectiva alguma, ao menos no meu caso, de melhora. E você sabe que não era brincadeira: ganhávamos naquele jornal apenas o suficiente, e olhe lá, para comer.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s