Não tem mais nada para fazer?

O Facebook está minando as demais redes sociais. Até o blogs têm sofrido a “concorrência” da criação de Mark Zuckerberg. Também estou por lá e faço uso para repercutir parte do meu trabalho, promover discussões e interagir com pessoas que nem sempre consigo ter por perto.

Tenho cerca de dois mil “amigos no Facebook. A ideia é mesmo essa: não restringir ninguém. Dialogar com todo mundo, trocar ideias, compartilhar conteúdos – e não necessariamente apenas as minhas produções. Entretanto, não dou conta das pessoinhas que resolvem me chamar no bate-papo.

Vez ou outra aparece alguém me dando bom dia. Legal!!! Fico animado. Respondo. E espero… Espero mais um pouco e vem um:

– Tudo bem?

– Sim, respondo.

Como noto que o papo está truncado e não conheço a pessoa, procuro incentivá-la:

– Posso ajudar?

Afinal, se alguém não me conhece, mas me chamou, deve ter algum motivo para me procurar. Nem que seja para perguntar quem eu sou.

Aí, do outro lado, a pessoa responde:

– Queria conversar.

– Ok, estou um pouco ocupado, mas pode dizer.

E aí a pessoa diz:

– Não, não é nada. Só queria conversar.

Peraí… Não é nada? Se respondi, estou disposto a conversar. Mas parece-me que é necessário ter algo a dizer.

Desculpem-me, caríssimos, mas tenho que ser um bocadinho chato. A pessoa não tem mais nada para fazer? Como assim? Como chamar um desconhecido para conversar e nem saber o que falar?

Tudo bem. Sei que sou mesmo um pouco rabugento, mas às vezes penso que alguns estão mesmo sem muita noção. Ou andam desocupados. Não tenho nenhum problema em atender, conversar. Porém, traga-me algum assunto. Quer fazer amizade? Diga quem é, por qual razão está ali, algo que tenha interesse em saber a meu respeito… Será um prazer conhecer gente nova, simpática, inteligente. Só não me façam perder tempo.

Como assim? Feriado em dias de jogos da Copa? Não entendi.

Foi mais ou menos essa a minha reação quando ouvi a Roseann Kennedy no Crônica do Planalto desta terça-feira.

O projeto que foi para o Congresso prevê que tudo fecha, tudo para nos dias de jogos da Copa. E não só nas partidas do Brasil. Em todas elas. Claro, apenas nas cidades-sede. E por opção do governo local.

Dá para dimensionar isto? Na primeira fase, temos jogos todos os dias. Cerca de duas semanas. Nas outras duas, as partidas acontecem em dias alternados.

Nas capitais, enquanto a bola rolar, tudo estará fechado. Feriado.

Para o trabalhador, pode até haver motivos para comemorações. Mas… e a economia?

Alguns podem dizer: será compensada pelo movimento provocado por turistas durante o Mundial.

Concordo, parcialmente. Racionalmente, todo mundo sabe que as coisas não funcionam assim. Baixar as portas significa perda de receita. Já pensou, por exemplo, na Bolsa de Valores de São Paulo?

Cá com meus botões a coisa é simples. Decretar feriado é assumir a incompetência do poder público – o mesmo que justifica a medida como necessária para evitar problemas no trânsito, por exemplo.

Ou seja, como tudo leva a crer que o Brasil não estará pronto, não terá a infra-estrutura necessária para atender os turistas e fazer as coisas funcionarem durante o Mundial, decreta-se feriado para tirar gente das ruas.

É o típico “jeitinho brasileiro”.

Eu sempre defendi a tese de que o Brasil merecia sediar a Copa de 2014. Mas já há algum tempo revi minha posição.

A incompetência do poder público somada a gestão de Ricardo Teixeira na CBF revelam que o povo brasileiro vai pagar um preço muito alto para organizar o Mundial. Lamentável.