Não temos liberdade nas redes sociais: o caso Facebook e seu “pacote de novidades”

A imagem me parece traduzir como nos movimentamos nas redes sociais. Até bailamos, mas nos limites que as redes nos impõem
Dia desses uma aluna perguntou:

– Professor, como vai ser se um desses serviços – tipo o Facebook ou o Google – simplesmente deixar de funcionar? Você for abrir e não estiver mais lá?

A aula era sobre o mundo digital. Falávamos sobre as redes sociais, os serviços que mudaram nossa forma de ver o mundo, de interagir com as pessoas.

Respondi à acadêmica que, embora haja uma concentração de poder – formação de monopólios também na internet -, não creio que esses serviços podem acabar de um dia para o outro.

Hoje voltei a refletir sobre o assunto após as mudanças feitas pelo Facebook. Continuo achando que amanhã vou encontrar o Facebook no mesmo lugar. E o mesmo vale para o Google, para o Twitter, Hotmail etc etc. Esses espaços tão familiares e úteis nesse nosso mundo virtual continuarão a poucos cliques de distância. No entanto, pensei em como essa concentração de poder torna essas redes indiferentes aos seus próprios usuários.

Eu não sei você, mas me senti agredido pela rede de Mark Zuckerberg. Fechei o Facebook ao final da manhã e quando retornei parecia um espaço completamente novo. Como disse um amigo, estava tudo uma bagunça. As atualizações não paravam de aparecer. Era como se eu estivesse no Twitter, com a diferença que por lá são microtextos e não há imagens, vídeos etc.

Para quem mantém apenas alguns poucos amigos, não é tão complicado colocar “as coisas no lugar”. Não é o meu caso, já que tenho na lista cerca de 2 mil pessoas. Imagine todo mundo atualizando ao mesmo tempo… Loucura!

Esse foi só um dos problemas que notei. Tem muito mais.

É verdade que gostei de algumas novidades. Também acredito que, após reconfigurar minha conta, vou trabalhar melhor com o “novo” Facebook.

Contudo, minha crítica é quanto a esse jeito de fazer as coisas. Essas corporações simplesmente atropelam seus usuários, mudam tudo – quando e como querem. Num único pacote, fazem as alterações e as pessoas precisam adaptar-se a elas. Afinal, eles prestam um serviço para nós. E de graça. É como se fosse um favor. Então, que direito temos de reclamar?

Não gosto disso. Mas não há o que fazer.

A rede já se tornou uma ferramenta importante. Essencial. E não dá para migrar para outro serviço. O único “concorrente” (o Google+) ainda está engatinhando e não consigo levar os amigos todos para lá de uma única vez.

Não dá para simplesmente dizer:

– Não gostei. Estou indo embora.

Não, não dá.

Pouca gente se dá conta disso. Estamos reféns das redes sociais. Elas nos dominam. Não temos liberdade. Democracia também é ilusão no mundo virtual.