Quando os avós interferem na educação dos filhos: resposta a uma mãe

Não tenho o hábito de responder perguntas. O blog não tem este caráter. Embora fale muito sobre relacionamentos, educação, comportamento etc, não estou acostumado a tratar pontualmente de casos vivenciados pelos leitores. Acabo respondendo, por email, uma ou outra solicitação de conselho. Mas, como disse, não é uma prática comum.

Bem, por que falei isso? Simples, para justificar o post. A gente tem mania de explicar as coisas.

Mas, vamos ao que interessa… Uma leitora deixou um comentário num post sobre a interferência dos avós na educação dos netos. E pediu ajuda. Dá uma olhadinha no depoimento dela:

Fui dar banho em minha filha hoje e a amiguinha dela queria vir brincar. Eu disse q depois q ela tomasse banho poderia vir. Mas minha filha de 3 anos começou a chorar fazer birra – coisa de criança. Vieram meus pais e pegaram ela no colo fazendo mimos. Eles queriam q eu chamasse a amiga. Eu disse q NÃO pois hora do banho é hora do banho; tudo tem q ter limites. Meus pais brigaram comigo. Disseram q eu estava fazendo ela chorar por causa de uma bobagem. Falaram q eu não era uma boa mãe, que não amava minha filha, q tinha q fazer o q ela queria e me senti tão mal pois não sei o q faço mais. Eu educo e eles interferem e depois, quando eu estou fazendo as vontades dela, eles são os primeiro a me falarem que não é para eu fazer isso, q no futuro vai ser mal educada… Estou com a cabeça cheia de coisas. Gostaria q você me mandasse alguma resposta.

Complicado, né?

Não conheço a leitora. Nem sei a rotina dela. Entretanto, algumas coisas precisam ser consideradas.

A primeira delas, quem educa são os pais. A exceção é quando estes não estão presentes (em caso de abandono, coisas do tipo). Do contrário, quem estabelece as regras, a disciplina são os pais.

A segunda, criança precisa de limite. É melhor errar pelo excesso que pela falta.

Terceira, criança não nasce educada. Ou seja, se ela é agressiva, teimosa etc etc, a responsabilidade é dos pais.

Quarta, criança sempre vai testar nossos limites. Ela vai teimar, insistir, chorar, bater o pé até nos dobrar. Os baixinhos têm uma disposição que muitas vezes não temos. Portanto, é uma queda de braço. Quem for mais resistente, vence.

Quinta, criança percebe todo tipo de contradição. Se você diz não e o outro diz sim, está feito o estrago. Se você diz uma coisa e faz outra, idem.

No caso da leitora, a situação dela não é fácil. Portanto, minha sugestão é muito simples. Os primeiros que precisam de limites são seus pais. Não é simples olhar para eles e dizer:

– Eu sou a mãe; eu educo.

Mas é isso que ela terá de fazer. Uma conversa franca – com a alma aberta e com disposição inclusive para ouvir o que não quer e ter seus pais chateados por um tempo -, é fundamental. Porém, não dá para aceitá-los interferindo na educação de sua filha. Eles tiram a autoridade da mãe e garantem à pequena tudo que ela precisa: um porto seguro para fazer valer seu reinado. Então, vale dizer a eles que aceita ouvir seus conselhos. Desde que sejam feitos numa ocasião oportuna e longe da criança.

Depois, é investir na educação da menina. Há muitos livros que podem ajudá-la. Também há textos de bons educadores aqui mesmo na rede.

Ainda assim, o mais importante ela já sabe: do jeito que está não pode ficar. Reconhecer que o modelo atual está dando errado é o primeiro passo para acertar. Agora é ter atitude.

Filhos refletem o que somos. Se somos inseguros, frágeis… eles serão como nós. Portanto, a mãe é a primeira que deve mudar. Mudar no trato com os pais, assumir seu papel de educadora e não ter medo de ensinar. Como diz Içami Tiba, “quem ama, educa”.

PS – Sugiro a leitora e outros pais, a leitura de alguns textos deste blog.

Pais frouxos, filhos dominadores
Filhos mimamos, filhos castrados
Lya Luft sustenta importância da autoridade
Regras semelhantes, pessoas diferentes?