Que deselegante…

Só há pouco vi o vídeo que mostra a repórter Monalisa Perrone sendo atacada quando entrava ao vivo no Jornal Hoje. Ele falava da saúde do ex-presidente Lula. A jornalista foi empurrada, caiu, machucou o joelho. Felizmente, o pessoal técnico foi rápido e cortou o “protesto” do sujeito. No estúdio, Sandra Annhenberg resumiu: “que deselegante”.

Claro, o termo usado pela âncora do JH virou piada no twitter. Não poderia ser diferente. Gente vazia faz piada de tudo. Até da desgraça alheia.

A discussão feita pelo público na rede social acaba esvaziada pela ausência de critérios e por uma subjetividade construída com base nas imbecilidades televisivas de programas que tornam o humor acrítico referência de qualidade.

O “que deselegante” da Sandra está entre os assuntos mais comentados do twitter.

Sinceramente, quando vi o vídeo, abri o microblog para ver o que as pessoas estavam falando. O inocente aqui achou que encontraria uma discussão bem humorada sobre o tema, mas com o mínimo de responsabilidade e criticidade. Não foi o que vi. Todo mundo brinca com a frase da âncora e pouca gente lembra da repórter machucada, do agressor sem causa e do que isso representa para o Jornalismo (Já imaginou se a moda pega? Lembram da dancinha do “Pânico”?).

Defendo a necessidade de uma sociedade ativa, capaz de se mobilizar – ainda que em atos individuais. Mas empurrar uma jornalista e sair berrando para uma câmera parece-me insensatez. Um ato nulo.

Por outro lado, que graça tem fazer piada da falta de uma frase mais adequada para classificar a agressão? A Sandra e o Evaristo foram surpreendidos pela atitude do jovem tanto quanto a repórter e os telespectadores. Penso que a Sandra saiu-se muito bem. Teve presença de espírito e conseguiu, ao lado do colega de bancada, dar continuidade ao jornal.

Poderia ter dito outra coisa? Sim. Mas alguém pensou em alguma coisa equilibrada e “padrão Globo” para sair-se de uma situação como esta?

Eu gostei do “que deselegante”.

Deselegantes somos nós quando rimos de tudo – até do que não tem graça nenhuma.

Na segunda, uma música

Já disse aqui… Não sou especialista em música. Nem tenho tempo pra ouvir muita coisa. Por isso, sempre é um prazer descobrir algo que, pelo menos para mim, é novo.

A música de hoje encontrei no perfil de uma amiga. Ouvi, gostei.

Desconhecia Sara Bareilles.

Pianista, compositora e cantora, a americana assinou seu primeiro contrato de gravação em 2005. E embora ainda não tenha muitos sucessos, suas músicas são agradáveis. Por isso, diria que foi uma boa descoberta.

Foi difícil definir qual música compartilhar. Optei pela canção título do seu último disco, “Gonna Get Over You“.

O Orlando caiu; que venha a demissão do sétimo ministro

Muita gente anda assustada com as constantes quedas de ministros. Parodiando Lula, “nunca antes neste país” tantos ministros deixaram o governo em tão pouco tempo. É recorde. É o que todo mundo está dizendo. Fala-se em perda da governabilidade, tensão no comando do país, erros na composição do ministério… Enfim, não faltam analistas para discutir a fragilidade dessa equipe montada pela presidente Dilma Rousseff. O governo mal começou e já parece cansado.

Cá com meus botões, estou gostando do triste espetáculo. Não se trata de torcer contra. Muito pelo contrário. Quero que Dilma acerte. Entretanto, a tal “faxina” – termo que ela preferiu abandonar – está acontecendo. E estava na hora. Ou melhor, tinha passado da hora.

As quedas de Orlando Silva, dos Esportes, e dos outros cinco são resultado do modelo político adotado historicamente. A corrupção e o clientelismo fazem parte do DNA do brasileiro. Somos um país em que cidadãos defendem a pirataria, sonegam impostos, dão propina a fiscais e policiais… Criticamos os cargos comissionados, mas não acharíamos ruim se garantíssemos um empreguinho no gabinete do prefeito.

O loteamento de cargos no governo federal e a corrupção são apenas reflexo do que somos. Os pequenos atos de corrupção do nosso dia a dia, a constante vontade em ser “amigo do rei” para gozar dos manjares e favores do palácio, são a origem do mal noticiado pela imprensa nacional.

O exemplo não vem de cima, como alguns dizem. Ele nasce em nós, reflete-se no poder e realimenta os maus hábitos da sociedade. Um ciclo vicioso.

Porém, as quedas de ministros podem mudar essa lógica. Sentar numa dessas cadeiras significa estar na vitrine. E se seis já caíram quem garante que não cairá o sétimo, o oitavo…???

Começa haver uma preocupação. O sujeito que é convidado para ocupar uma função de destaque no governo já sabe que pode tornar-se o próximo alvo. Se a “faxina” não parte dos entes políticos, as denúncias da imprensa obrigam o governo a fazer a limpeza. Portanto, é preciso ter “ficha limpa” para sustentar-se na função.

Por isso, entendo que, como cidadãos, devemos nos orgulhar do momento em que estamos vivendo. As demissões de ministros, diretores etc etc precisam ser entendidas como um novo capítulo da história do país.

As denúncias podem não representar o fim da impunidade. No entanto, fazem parte do processo democrático e do amadurecimento político da sociedade e do país.

Para onde vão nossos desejos?

Para onde vão quando nada parece fazer sentido? Para onde vão quando a vida se perde numa curva da estrada? Para onde vão quando tudo que sempre se desejou simplesmente desaparece como num passe de mágica? Onde encontrar forças? Onde encontrar motivos se as razões para sorrir esvaziaram-se?

Não há respostas. Perdemo-nos. Todos nós. A vida prega peças que surpreendem. Ninguém controla tudo. Muito menos, sentimentos e emoções.

Dia desses gravei uma entrevista sobre a importância de sermos educados para lidar com as emoções. O papo foi empolgante. Afinal, vivemos um tempo em que cuidamos muito do intelecto, mas damos pouca atenção ao que sentimos. Entretanto, embora a conversa tenha revelado a importância de reconhecermos aquilo que sentimos, cheguei à conclusão que ninguém aprende ou domina completamente o que vai no coração.

Você não chega e diz pro coração:
– Não fique triste!

Já tentou? Deu certo?

Pois bem… se deu certo, venda a receita. Isso mesmo, venda!

Queremos superar as perdas. Quem gosta da dor é masoquista. Doente da cabeça. Gente “normal” quer sentir-se bem.

São nossos desejos que nos movem. Desejos entendidos como a pulsão de nossa vida. E esta se faz presente na vontade de trabalhar, estudar, ler um livro, amar… viver. A busca e a realização dos desejos fazem a alma bailar.

Entretanto, por vezes, parecem nos abandonar. E nos deixam quase sempre por situações aparentemente corriqueiras, mas que nunca serão facilmente assimiladas. Pode ser a perda de alguém querido, a briga com um amigo, os desencontros no amor… E aí você olha dos lados e nada faz sentido. Olha para dentro de si e só encontra vazio. Nenhuma resposta. Só perguntas.

Quando isso acontece, ah… você pode ouvir o que for, qualquer palavra, mas nada consola. Não tem abraço, não tem carinho, não tem sorriso… nada. Nada conforta.

Seria carência? Fragilidade emocional? Talvez. Talvez sim. Mas, confesso que tenho medo de pessoas que não sentem dor, que lidam de maneira completamente prática com os sentimentos. Para mim, que vive assim, não vive. Viver e não sentir, não é viver.

As dores da alma são por vezes muito piores que as do corpo. Estas se curam com remédios, cirurgias… tratamentos que a ciência proporciona. As do coração… só o tempo. E às vezes, nem o tempo. Até cicatriza, mas as marcas ficam.

Uma vida bem vivida é uma vida de ganhos e perdas. De desejos adquiridos, de desejos esvaziados. De motivos novos, de motivos velhos e abandonados – por escolhas que nem sempre são nossas.

Viver bem é reconhecer que há dias em que simplesmente não desejamos existir. Sabendo, no entanto, que sempre haverá um novo dia…

PS- Raramente escrevo um texto ouvindo música. Mas hoje aconteceu. Então, se ajudar a fazer sentido, a canção é Suddenly I See (Pra ouvir ou ler).

Violência: a coca-cola é a culpada…

Defendo as ciências. Porém, vez ou outra fico incomodado com certas pesquisas. Hoje, por exemplo, vi o resultado de um estudo realizado entre adolescentes de escolas da cidade de Boston. O resumo é mais ou menos este:

Uso excessivo de refrigerante aumentaria em 15% a chance de conduta agressiva.

Eu não duvido que o consumo excessivo de açúcar provoque agitação, uma certa inquietação. E refrigerante tem muito açúcar.

Entretanto, não consigo dar conta dessa coisa simplista: se o sujeito bebe muito refrigerante tem maior propensão à violência.

Penso que se a pesquisa fosse feita com café daria o mesmo resultado. Se o foco fosse no açúcar, idem. E por aí vai.

Tenho a impressão que hoje há um direcionamento das pesquisas científicas. E como pesquisador que sou, costumo dizer que, dependendo do método escolhido, sempre chegaremos aos resultados levantados em nossas hipóteses.

O que quero dizer?

Quero dizer que se quisermos provar que usar cigarro traz benefícios, vamos chegar a esse resultado. Depende apenas de nossa disposição em levantar uma boa tese. E, no caso do tabaco, poderia ser o prazer, a satisfação. Não sou fumante, mas sei que muita gente usa o cigarro como “muleta” para acalmar, tranquilizar etc.

Por isso, creio que essa pesquisa a respeito dos refrigerantes é mais um desses estudos pouco significativos. Talvez até contribua para banalizar ainda mais a ciência.

Concordo que precisamos reduzir o consumo de refrigerantes. Mas há outros motivos para isso. Dizer que há uma relação com a violência não me parece um argumento muito forte para convencer as pessoas. Na verdade, chega quase a ser motivo de risos.

Brasileirão: próximos adversários de Vasco, Corinthians, Botafogo e Flamengo

Acabei gastando tempo hoje para preparar um texto sobre os próximos jogos do Campeonato Brasileiro. Na verdade, a proposta era identificar os próximos adversários dos quatro clubes que parecem mais próximos do título.

Após 31 rodadas, o Vasco tem 57 pontos; o Corinthians, 55; Botafogo e Flamengo, 52.

É sempre difícil apostar num favorito. Entretanto, teoricamente, a caminhada do timão é mais fácil. Começo achar que meu filho vai comemorar o título do seu time de coração. Cá com meus botões, preferia o Vasco – até para homenagear o Ricardo Gomes.

Veja os próximos jogos:

VASCO
30/10 – São Paulo (casa)
6/11 – Santos (fora)
13/11 – Botafogo (casa)
16/11 – Palmeiras (fora)
19/11 – Avaí (casa)
27/11 – Fluminense (fora)
4/12 – Flamengo (casa)

CORINTHIANS
30/10 – Avaí (casa)
6/11 – América Mineiro (fora)
13/11 – Atlético Paranaense (casa)
16/11 – Ceará (fora)
20/11 – Atlético Mineiro (casa)
27/11 – Figueirense (fora)
4/12 – Palmeiras (casa)

BOTAFOGO
29/10 – Cruzeiro (casa)
5/11 – Figueirense (casa)
13/11 – Vasco (fora)
16/11 – América Mineiro (fora)
20/11 – Internacional (casa)
27/11 – Atlético Mineiro (fora)
4/11 – Fluminense (casa)

FLAMENGO
30/10 – Grêmio (fora)
6/11 – Cruzeiro (casa)
13/11 – Coritiba (fora)
17/11 – Figueirense (casa)
20/11 – Atlético Goianiense (fora)
27/11 – Internacional (casa)
4/12 – Vasco (fora)

Veja post atualizado após a 33a rodada.

Na segunda, uma música

Recordo que passei a dar mais atenção ao talento de Cássia Eller após a morte dela. Gostava de sua voz… um timbre diferente, único.

Quando a Cássia morreu, no dia 29 de dezembro de 2001, a Veja fez uma reportagem ampla sobre o que motivou a morte da cantora. Também trazia a trajetória dessa carioca que morreu antes dos 40 anos. Foi a primeira vez que “gastei tempo” para conhecer mais sobre a intérprete.

Penso que falar do talento de Cássia, suas características… não é necessário. Porém, hoje quero recordar uma de suas canções imortais.

Convido você a ouvir comigo “Palavras ao vento“.

Morte de Gaddafi: imagens que não chocam

Desde essa quinta-feira, 20, o noticiário internacional está repleto de informações a respeito da morte do ex-ditador líbio, Muammar Gaddafi. É verdade que o tema tem importância geopolítica. Entretanto, tal assunto não faz parte da minha lista de interesses. Vejo a notícia, mas o que me importa não é a morte em si. Sempre reflito na repercussão espetaculosa do fato e, por interesse humanitário, no que vai acontecer agora com o povo daquele país. Afinal, Gaddafi morto pode não significar nada. Basta observar o que está ocorrendo no Egito. O ditador foi deposto, mas ainda não há sinais de que o país passará por um processo de democratização e fortalecimento das liberdades individuais, do Estado de Direito.

Mas vamos ao motivo do post… Não escreveria sobre a morte de Gaddafi. Porém, uma leitora, a Salete Batista, enviou o seguinte comentário pelo Google+.

– Vendo as imagens da morte de Kadaf penso no reflexo de tais imagens pois com certeza muitas crianças e adolescentes viram este vídeo, num mommento que se fala tanto sobre violência entre essa parcela da sociedade… que exemplo se dá divulgando tais imagens? Pior ainda é ver a Sandra Annenberg mostrando as imagens e logo depois sorrindo falando de outra noticia mais amena como se fosse natural ver um homem ser assassinado em rede mundial. O que vc me diz disso?

Sinceramente, não acredito que essas imagens afetam o olhar da molecada. Eles estão acostumados com essas cenas. Infelizmente, os desenhos animados, os filmes na tevê, os jogos eletrônicos banalizaram a violência. Para eles, Gaddafi é um personagem – como os de ficção. A mídia tirou nossa sensibilidade. Mortes são apenas estatísticas. A Sandra sorrir segundos depois da exibição do corpo do ditador revela a indiferença que hoje sentimos pelo drama alheio.

É verdade que Gaddafi não era o tipo de sujeito que inspiraria alguma comoção. Entretanto, a exibição pública de seu corpo deveria ao menos nos causar constrangimento. E a imprensa poderia ter a sensibilidade de evitar a apresentação dessas cenas. Mas não é o que acontece. E isto não vai mudar. Gostamos de sangue. Assistimos o grotesco entre gargalhadas e diante de uma taça de vinho e um belo prato de espaguete a bolonhesa.

PS- Há várias grafias para o nome do ditador. A imprensa reproduziu várias delas. Adotei a da Folha de São Paulo.