Brasileiros: não somos otimistas; somos alienados

A Época desta semana traz o título:

Brasil, o país do otimismo

Gostei da capa. Verdinha. Uma espécie de bandeira do Brasil estilizada. Tem até uma carinha sorridente.

A reportagem é baseada numa pesquisa que trata das expectativas das pessoas com o país. Ainda não li a matéria. Optei por escrever antes de ler. Afinal, minha proposta não é discutir a reportagem e nem o estudo. Quero apenas “pensar alto” sobre o que entendo a respeito de nosso otimismo.

Cá com meus botões, tenho impressão que o brasileiro não é otimista; é alienado. Nosso povo está “se lixando” para o país. Quer mesmo é levar a sua vida, cuidar de si mesmo. O negócio é garantir “o meu”.

– Dane-se se o Orlando Silva é corrupto. Político é assim mesmo. Todo político é corrupto. O que importa é que estou empregado, ganho meu dinheiro, faço meu churrasco nos fins de semana, saio com os amigos, tomo minha cerveja…

Não é mais ou menos assim que somos?

Importa é que as coisas dêem certo para nós.

Até queremos um país desenvolvido, rico, uma potência mundial. Porém, não queremos nos envolver. Envolvimento dá trabalho. Requer esforço, comprometimento e espírito coletivo.

Vivemos sob a crença de que assistir os telejornais, ver uma ou outra notícia na internet já nos torna cidadãos.

Preferimos simplificar as coisas. Não queremos entendê-las.

Se tem buraco na rua, a culpa é do prefeito. Se faltam médicos nos postos de saúde, idem. Se o pedágio sobe, o problema é do governador. Se os aeroportos estão lotados, a presidente é incompetente.

O resumo simplista do problema pode até trazer uma parte da verdade. No entanto, não é só uma questão de culpa ou responsabilidade. As coisas vão além disso. E lamentavelmente, passam pelos nossos valores. Porque se as ruas pelas quais trafego estivessem devidamente asfaltadas e bem cuidadas, não estaria nenhum pouco preocupado com as centenas de pessoas que vivem em moradias de risco. O vereador é safado, mas se for meu amigo/conhecido e conseguir um emprego para o meu filho, estou feliz da vida.

Nosso otimismo cego faz cerca de 90% dos pais brasileiros acreditarem que as escolas de seus filhos são boas. É o que revelou uma pesquisa recente publicada na Veja. Para eles, importa ter um lugar para deixar a molecada enquanto trabalham. Escola é abrigo e espaço para ensinar a ler, escrever e garantir um diploma a fim de ter um bom emprego e ganhar muito dinheiro.

Por isso, não gosto desse otimismo. Temos sim que acreditar no país. Mas entender que o Brasil é feito por pessoas. E nossa alienação pouco colabora. Continuamos guiados pelos Sarney’s da vida, Maluf’s etc etc. Sintoma claro de que otimismo sem ação e uso da razão e do conhecimento são pouco producentes.

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8 comentários em “Brasileiros: não somos otimistas; somos alienados

  1. Discordo da Época. Acho que, ao contrário: o brasileiro é pessimista, desconhece qualquer patriotismo e tem por hábito criticar qualquer coisa nacional. E é neste ponto que concordo contigo, professor. Aliás, isso é algo que me tira do sério. Para além de enxergar apenas problemas, o brasileiro típico não se põe como cidadão e não se coloca em posição de fazer parte das mudanças, delegando a culpa ao governo, aos 511 anos de corrupção histórica, à mentalidade do “povo brasileiro” – se esquecendo, porém, de que faz parte deste. Existe também o brasileiro que critica toda a produção artístico-cultural nacional. Este acredita que qualquer coisa produzida no nosso território não se equipara a nada “estrangeiro”. Isso me irrita profundamente. A alienação brasileira é mais recorrente quando se trata do que é nosso. Sabemos detalhes específicos da história e da cultura internacional e, quando questionados de questões estritamente brasileiras, não temos conhecimento (e nem queremos ter). Em conversa com um amigo, na semana passada, discutia sobre o posicionamento da imprensa nacional a respeito do desenvolvimento e dos avanços que o país obteve nas últimas décadas. Um empresário francês, se não me engano, havia comentado, em entrevista, que, se dependesse do que ele ouvia na imprensa brasileira sobre o próprio país, jamais investiria no Brasil. Todas as vantagens que o seu empreendimento obteria se extendendo ao Brasil só lhe foram apresentadas por uma análise internacional. Nunca pelo Brasil. Só sabemos criticar. Para cada progresso que alcançamos, ordenamos uma série de hipóteses de fracassos decorrentes. É sempre mais fácil enaltecer o que é de fora. Para mim, o otimismo passa muito longe desta terra que, ainda que muito farta, está também sempre repleta de bombardeios fatalistas da parte dos próprios filho deste solo.

      1. Pois é… Qualquer hora volto a postar no meu blog. Preciso criar coragem. Também tenho saudade. Passo na faculdade um dia desses. Um beijo!

  2. Como você pode dizer isso?!! E a marcha dos indignados?
    Mesmo que seja porque pegou o exemplo lá de fora. rsrs
    Brincadeirinha, os brasileiros a meu ver estão mais engajados sim.
    Abç

  3. Concordo com o Ronaldo Nezo. O brasileiro é alienado e acomodado. Cada um só pensa em si e em se “dar bem”. Não está preocupado em ‘lutar’ por um Brasil melhor para todos (importante não confundir com o famigerado ‘Socialismo’).

  4. E também existem coisas que também prendem o nosso país. A Globo é o maior exemplo disso. As novelas (q são a mesma maldita merda (desculpem a grosseria)), os jornais, e qualquer porcaria que imaginar.
    Eu acho que o sistema brasileiro é mau feito, pois desde a “colonização”, o Brasil só foi exploração portuguesa e nada de mais. E pior é que a gente é mal agradecido com os portugueses, pois se não fossem aqueles insensíveis, o Brasil estaria uma porcaria maior hoje em dia.
    O brasileiro também é orgulhoso, pois acha que ser brasileiro é melhor do que qualquer outra coisa, e se esquece tudo ao seu redor. Aí fica com raivinha dos americanos e fica zoando os árabes, que eles não têm nada a ver com a idiotice nossa. E o pior é que querem manter isso.
    Brasileiros são como disse, são tudo sem-vergonha, alienados mesmo.
    Sabiam que a Globo estava associada com a Ditadura, por isso a Globo é a amada e ODIADA do Brasil.
    Outra coisa é a nossa suposta paixão pelo futebol, só porque é penta, acham o nosso país é a terra do futebol. Tô me referindo a aceitação que a gente faz a coisas, que pô, não é do nosso país, e muito menos da nossa cultura.

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