Ronaldo diz: “a Copa é do Povo”. Será?

Se a Copa é do povo, não faço parte do povo. A Copa de 2014 não é minha. Não faço parte disso. Vou pagar as contas – como todo cidadão. Porém, não me sinto parte desse evento. Ninguém perguntou pra mim se eu queria a competição em meu país; ninguém questionou se concordava com a construção do estádio bilionário do Corinthians; ninguém sondou se entendia ser justo gastar bilhões em obras superfaturadas… Não, a Copa não é do povo; é sim da CBF e de alguns poucos privilegiados que vão ganhar muito dinheiro com ela.

A organização da Copa me envergonha. Deveria envergonhar toda a nação. E não é pelo Ronaldo. Faz pouca diferença ter o ex-jogador no comitê organizador. Ele empresta prestígio, é verdade. Provavelmente tire o foco de Ricardo Teixeira, o cartola todo-poderoso da CBF. Teixeira é o único beneficiado. E o próprio Fenômeno, é claro.

Envolvido em casos suspeitos de corrupção, Teixeira quer se ver longe dos holofotes. Quer faturar o dele longe das câmeras. Ronaldo é um bom nome para desviar as atenções. E vai ganhar muito bem para cumprir esse papel.

Reconheço que a Copa é o maior evento que um país pode organizar e receber. Sempre entendi que seria bom tê-lo no Brasil. Entretanto, não com Ricardo Teixeira na CBF. Muito menos, com a infraestrutura que teremos a oferecer. A Copa não deixará como herança obras para o povo; deixará dívidas.

Alguém acredita que teremos bons aeroportos? Estradas? Fluidez no trânsito das grandes cidades? Sistemas de transporte alternativos (metrô, por exemplo)? Fim da bandidagem?

O país vai passar por uma “maquiagem” para receber a Copa. Nada mais que isso.

Quando o juiz apitar o fim do último jogo, começaremos a descobrir o tamanho do estrago (e, pelo futebol apresentado, até o título não deve ficar por aqui).

Espero estar errado. Porém, até o momento nada me convence que será diferente.

Um comentário em “Ronaldo diz: “a Copa é do Povo”. Será?

  1. Concordo plenamente. Como um pais campeão de corrupção pode sediar uma copa. Irão deixar tudo para última hora e, fatalmente, inventar leis e decretos para acabar com as licitações. Estádios “faraônicos” de primeiro mundo para prestigiar um evento que, afinal, é a “alegria do povo”. Tudo para esquecer que nossos hospitais, escolas, transportes, segurança são de terceiro mundo. Será que o povo prefere um evento desses ou uma qualidade de vida melhor. Coisa de governantes tiranos que mascaram o real apresentando espetáculos para o povo. Fazem plebiscito para tudo. Porque não fizeram um para saber se o povo quer uma copa e uma olimpiada. Acho que também não sou do povo.

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