Triste de um país que investe migalhas em bibliotecas e livros

As bibliotecas de Maringá vão ganhar cerca de 1,5 mil novos títulos. Também serão compradas novas prateleiras e repostas algumas peças do mobiliário. O dinheiro para isso vem do Ministério da Cultura – cerca de R$ 200 mil com contrapartida do município.

É uma boa notícia. Não há dúvida.

Entretanto, cá com meus botões, fico pensando… triste de um país em que as bibliotecas passam anos a fio sem investimento algum.

É o caso de nosso país. É o caso de Maringá.

Não lembro da última licitação para compra de livros. Não mesmo (até pesquisei no Google para tentar encontrar alguma coisa sobre o assunto; não achei). Muito menos de obras realizadas para melhorar a estrutura das bibliotecas locais.

A biblioteca central é um espaço totalmente inadequado para os livros e para receber leitores.

Não atrai. Está desatualizada. É velha, feia. Cheira mofo. Mobiliário antigo, cadeiras antigas, prateleiras antigas, pintura antiga. É área de risco para alérgicos. Só a freqüenta quem realmente tem paixão pelos livros. E a conversa de uma biblioteca nova, de um espaço mais moderno, tem quase a mesma idade que a maioria dos livros que ali estão disponíveis para empréstimos. O projeto nunca sai do papel. Talvez porque não renda votos em disputas eleitorais.

Eu conheço algumas pessoas que trabalham na biblioteca central. Meus filhos são frequentadores. Então, sei do dia a dia daquele espaço. Existem projetos interessantes. Entretanto, quase tudo é realizado sem conhecimento da comunidade (alguém aí já viu alguma campanha de mídia falando sobre algo que aconteça nas bibliotecas?). E feito com o esforço das pessoas, porque os recursos financeiros são escassos.

É triste ver que as bibliotecas, os livros… não são prioridade. É verdade que existem outras demandas. Contudo, bastariam investimentos regulares para que o quadro fosse outro. Por exemplo, em Maringá, se todo ano fossem gastos R$ 200 mil com livros e outros R$ 100 mil em móveis, reformas etc não teríamos chegado ao quadro atual. A sensação é de quase abandono.

Bom… mas vamos tentar ser otimistas. Quem sabe os investimentos deste ano sejam os primeiros de outros que virão. Vamos sonhar. E sonhar não é pecado, né?

PS- A imagem é ilustrativa.

Rubinho e a capacidade de reinventar-se

Rubinho testou, nessa segunda-feira, o carro da Indy. Depois de 19 anos na Fórmula Um, o piloto brasileiro admitiu que pode correr uma ou outra prova pela categoria. Ele rejeitava a Indy, mas, sem espaço na F1, começa a rever seus conceitos. Ele não quer se aposentar. Sente necessidade de continuar no automobilismo. Por isso, considera a possibilidade de correr noutras pistas.

Eu admiro a insistência do piloto, a vontade de correr. Rubinho será eternamente o segundo. Embora seja recordista em número de GPs disputados, até nisso pode perder o posto de número 1. Michael Schumacher, se disputar mais duas temporadas, como promete, também assumirá esse recorde. Entretanto, isso nada disso tira do brasileiro seu otimismo, sua capacidade de ver as coisas sob um prisma bom, de que há espaço para coisas positivas, vitórias e sucesso.

Rubinho reinventa-se. Ama a família, é grato pelo que tem e conquistou. E sonha. Não para de sonhar.

Não o conheço. Porém, não acredito que essas características sejam uma máscara. Não acho que Rubens Barrichello seja um personagem. Parece-me bem real.

Para ele, não tem tempo ruim. Sente-se vencedor, mesmo sendo constantemente derrotado nas pistas.

Toda vez que o vejo tenho a impressão que o mundo seria melhor se tivéssemos um pouco das características dele.

Quem dera conseguíssemos sempre nos reinventar. Fechou uma porta? Vamos em busca de outra. E se não a encontrarmos, construímos uma saída. Não importa se vai demorar… se vai dar trabalho.

Sabe, entendemos sucesso como vitórias. Vitórias como felicidade. Não toleramos as frustrações. E, por isso, achamos que feliz é quem ganha sempre. Mas não… não é isso. Felicidade é um estado de bem-estar, de sentir-se bem consigo e com a vida. É ser agradecido pelas conquistas… Sentir-se vencedor pelo simples fato de estar vivo.

Na segunda, uma música

Embora atenda um público seleto, tem crescido o número de artistas que produzem um conteúdo mais elaborado. É o caso do II Divo. Trata-se de um quarteto de pop-ópera. Formado em 2004 com cantores que transitam bem em musicais de ópera e canções clássicas. Ainda que o lírico seja valorizado, o grupo tem uma roupagem moderna, inclusive com a apresentação de sucessos de artistas do pop atual.

A iniciativa, que surgiu pelas mãos de um empresário do setor, tem dado certo. Já são quase 30 milhões de discos vendidos.

Hoje, compartilho uma canção tradicional. Uma das mais belas já escritas, interpretadas e gravadas nas últimas 20 décadas. Estou falando de “Amazing Grace” (Graça maravilhosa), escrita ainda no Século XVIII.

A corrupção cotidiana

A manchete da Folha de São Paulo de ontem era esta:

Bens de vítimas de queda de prédios são desviados

Acho desnecessário lembrar a tragédia no Rio de Janeiro. Todo mundo já ouviu, viu e leu sobre o tema. O fato de pertences das vítimas terem desaparecido do depósito onde estavam, também.

O que me assusta nesse fato é ver estampada na manchete da Folha a nossa corrupção. A corrupção de gente comum, de pessoas que não estão no poder, mas que não sentem nenhum constrangimento em desviar os pertences das vítimas que, após serem garimpados nos entulhos, foram destinados a um depósito provisório a fim de, posteriormente, estarem à disposição de familiares etc.

Tenho repetido que a corrupção do poder nasce na sociedade, nos pequenos atos do nosso cotidiano. Embora pareça exagero, sustento que o problema começa em casa nas mentiras que contamos para sustentar nossa máscara, passam pela cola nas provas… Só depois chegam à propina para os guardas de trânsito e, quando em cargos públicos, transformam-se na apropriação indébita do dinheiro do povo.

É isso, no entanto, que não queremos ver. O que acontece em Brasília é a reprodução do que já somos no dia a dia. O dinheiro desviado da saúde não é muito diferente do sumiço de pequenos objetos das vítimas dos prédios que caíram no Rio. A safadeza, a corrupção é a mesma. A gente é que não quer ver, porque é mais fácil atirar contra os ladrões lá de cima do que reconhecer nossas contradições éticas.

Planeta lixo

Preciso de um celular novo. Mas enquanto ensaio a compra, fico pensando em todo lixo digital que temos produzido. Tenho pedaços de um antigo computador de mesa que já não servem para nada. Um notebook que nem liga mais. E mais algumas outras coisinhas que só ocupam espaço. Ah… e, nas gavetas de casa, também tem aparelho de celular.

Acho que todo mundo deve alguma coisa do tipo guardada em algum armário. Não tem jeito. Esses equipamentos se renovam. A gente substitui no uso, mas não tem onde descartar.

E a situação deve piorar. A indústria produz cada vez mais, atualiza e nós, consumidores, sentimo-nos obrigados a acompanhar esse ritmo frenético.

Já comentei aqui de alguns sonhos de consumo. Entre eles, o iPhone e o iPad. Entretando, todas as vezes que olho para esses aparelhinhos, penso no preço e na vida útil. Exercício mínimo da razão me faz ter a certeza que, em dois anos, a versão que terei comprado estará completamente defasada diante do modelo que estiver nas lojas.

Veja esta notícia:

iPad completa dois anos e deve ganhar nova versão em breve

Ou seja, o tablet da Apple não tem nem dois anos, já possui duas versões e ganhará uma terceira nos próximos dias.

Quer mais? Especialistas em tecnologia já projetam que, em quatro anos, os tablets perderão força diante dos chamados ultrabooks, os modelos de laptops ultrafinos.

Pesquisa diz que, em 2016, os Ultrabooks ultrapassarão os tablets

Claro, se ficarmos encanados com o fato de que tudo estará defasado em prazos cada vez mais curtos, deixamos de aproveitar o melhor que a tecnologia tem a nos oferecer.

Por outro lado, não há o desenvolvimento na mesma velocidade de estratégias para eliminar esse lixo digital. A gente consome cada vez mais tecnologia, mas os equipamentos ocupam espaço físico. Quando inutilizados, precisam ser descartados. No entanto, faltam locais adequados para isso.

Sinceramente, toda vez que falo disso lembro da animação “Wall.E”. Estaríamos criando um planeta lixo?

Blog, números e um “muito obrigado!”

O bacana de manter um blog durante tanto tempo é perceber que, quando a gente quer, é possível resistir num projeto por amor, por ideal… Não por dinheiro.

Pensava nisto depois de ver dois números do blog, nesta semana. O primeiro deles, o número de acessos. Passamos de 600 mil. Poxa, é muita coisa!

Tudo bem… tem um monte de blogs muito mais badalados, acessados. Porém, isso não me impede de considerar um sucesso esta página aqui. E não por causa da estatística em si. Mas pelo que ela representa. Como disse no post anterior, blog é igual padaria: tem que ter pão quente. Ou seja, chegamos a 600 mil acessos únicos porque, ao longo desses mais de quatro anos, consegui manter a regularidade com a publicação de mais de 5,5 mil posts. Isso mesmo: mais de 5,5 mil textos sobre diferentes assuntos.

O segundo número foi o do “na segunda, uma música”. Começou como uma brincadeira e, na última segunda-feira, publiquei o centésimo post da “série”. Confesso que nem sempre penso numa canção para compartilhar. Entretanto, fico satisfeito quando recebo sugestões para esse espaço do blog, ou ouço comentários sobre a música que postei. Fico extremamente satisfeito. É muito bom.

No entanto, além de confirmar que é possível ser perseverante quando a gente gosta de verdade de um projeto, de alguma coisa, diria que fica mais fácil quando contamos com o apoio das pessoas. Embora seja algo muito pessoal, o blog ganha vida por causa dos leitores. É o reconhecimento e incentivo dos amigos que dão “fôlego” ao blogueiro. Por isso mesmo, só posso dizer a todos que sempre estão comigo, obrigado! Muito obrigado!

Está faltando pão quente

Um blog é igual uma padaria. Precisa ter pão quente. Padaria sem pão… quebra. Blog sem post novo não é blog. Não desperta interesse. Perde leitores.

Na verdade, o sucesso de qualquer mídia é a regularidade. A oferta de novidades. É uma regra.

Por isso, sempre me sinto incomodado quando fico em falta com os leitores. É verdade que não tem o compromisso de publicar. A página é pessoal. Não é patrocinada. E nem tem o perfil de ser factual. Entretanto, parece que está faltando alguma coisa. É o tal do “pão quente”. Não dá pro “cliente” aparecer no “balcão” e voltar de mãos vazias.

Nesses dias, tenho minhas razões para estar em falta com os caríssimos leitores. Em especial, por estar apresentando as duas edições do jornal local da CBN Maringá. É janeiro. O empenho é redobrado para garantir cinco ou seis horas de notícias, entrevistas etc, ao vivo.

Manter-se focado em não perder um lance que possa se transformar em material para os jornais acaba roubando a disposição de escrever para o blog. Falta fôlego para novos textos. Ainda assim, cá estou… Tentando ao menos dizer que… estou vivo. E o blog também.

Ah… tenho estado mais presente no Twitter. Siga-me por lá.

Na segunda, uma música

Rita Lee anunciou que deixará os palcos. Não resiste mais. Sua condição física impede que continue fazendo shows. A cantora continuará gravando, disse. Entretanto, não dá mais conta de se apresentar ao vivo.

Já lembrei dela por aqui numa outra segunda-feira. Entretanto, é impossível passar por essa notícia sem ressaltar o valor de Rita Lee para a música brasileira. Poucos conseguiram construir uma carreira tão sólida.

Quantos artistas – em especial, mulheres – têm carreira consistente há 40 anos?

Rita tem 64 anos (pelo menos, segundo a data oficial de seu nascimento). A “Rainha do Rock Brasileiro” começou na banda Mutantes em meados da década de 1960. No início dos anos 1970, gravou os primeiros discos da carreira solo. Desde então, são dezenas de álbuns, muitas músicas de sucesso (daquelas sem prazo de validade) e mais de 60 milhões de discos vendidos.

Por isso, é difícil escolher uma única canção para resumir Rita Lee. Mas… vamos lá. Hoje, compartilho uma de suas músicas que não fazem parte daquela lista que lembramos “de primeira”. Para os caríssimos amigos e leitores, “Coisas da vida”.