Big Brother Brasil: o ano finalmente começou

Saiu a lista dos participantes do BBB 12. É, gente, o ano finalmente começou. Pro bem e pro mal. Tenho repetido aqui: o Big Brother nos lembra que o ano velho começa de novo. Não tem saída. E as carinhas novas dos “nossos heróis” já estão nos principais sites de notícias.

Relaxem, caríssimos, o rabugento aqui não vai reclamar de quem assiste o reality show. Reconheço que, nesta época do ano, o programa acaba sendo uma das poucas atrações da tevê aberta. E as bobagens dos participantes, exibidas em rede nacional, acabam entretendo, divertindo.

Ainda acho que deveríamos gastar tempo com outras coisas. Ler um livro, por exemplo. Desligar a tevê sempre é uma boa escolha. Ainda assim, quem optar pelo BBB 12 não encontra aqui um inimigo.

Minha birra com o programa é com a incapacidade de renovar-se. Da mídia e de todos nós. Falamos tanto que queremos o novo, buscamos o novo, queremos ousar, ser diferentes, mas preferimos o mais cômodo. Desejamos ser surpreendidos, desde que a surpresa já seja esperada.

Ah… convenhamos!

Para quê então pedimos por um futuro bom? Apenas para que seja o eternizar do passado?

Prefiro rir de piadas novas – ainda que sejam sem graça. Mas quero que sejam autênticas. Não quero o velho travestido de novo. É isto que o BBB nos traz.

Perdoar para curar a dor

Perdoar é libertar-se de quem lhe feriu
É difícil lidar com as emoções. Algumas parecem nos consumir. A raiva é uma delas. O curioso é que raiva e vingança se misturam. Se alguém feriu e despertou a raiva, quase junto vem o ódio e a vontade de vingar-se.

Lia sobre esses assuntos há pouco. Raiva, ódio, vingança e perdão.

Ainda ontem pensava sobre como lidamos com a raiva e com o desejo de vingança. Divagava sobre essas questões e, hoje, curiosamente, esbarrei num livro empoeirado na prateleira do meu quarto. Há exatos dois anos interrompi a leitura dele. Não sei por que, mas havia guardado a obra.

Fiquei surpreso ao descobrir o capítulo que me esperava. Abordava temas que ainda ontem me incomodavam. Coincidência? Sei lá. Mas gostei da “surpresa”.

Viver é experimentar intensamente sentimentos e emoções. Ninguém escapa. Ter raiva é normal. Ninguém pode se culpar por ficar com raiva – inclusive de outra pessoa. Nem deve achar-se um monstro por desejar a vingança.

A diferença se revela em como lidamos com isso.

O segredo está justamente no perdão.

Não é simples perdoar. Principalmente se formos profundamente magoados, feridos.

As relações humanas são falhas, contraditórias. Não há perfeição. Nunca nossas expectativas serão correspondidas. Sempre haverá algo para incomodar. Outras tantas vezes seremos traídos – até mesmo pelas pessoas que mais amamos.

Ter raiva quando isso acontece, odiar, são reações humanas. É coisa nossa.

Não dá para rir, achar graça. Vamos ter raiva sim. Entretanto, a raiva que leva ao ódio e, por consequência, ao desejo de vingança nos faz mal. Somos os mais machucados por essas emoções e sentimentos.

O outro, aquele que despertou o “monstro” que existe em nós, nem sempre dá conta do estrago que fez. Provavelmente estava pensando apenas em si quando feriu. Por isso mesmo, a vítima é vítima duas vezes. Do outro e de si mesmo. Do outro, pela ação concreta; de si, pela reação que se dá no interior.

Perdoar é a única forma eficaz de curar essa dor. A raiva só aumenta a ferida. O ódio rouba a bondade e o amor. Já a vingança nos torna piores tão iguais – ou piores – que o agressor.

É verdade que perdoar não é um ato humano. Não é natural. Tem um quê de divino. Transcendente. E não é simples perdoar. Não dá para esquecer de um dia para o outro. Por isso, sustento que o perdão é, primeiro, uma decisão.

Você não perdoa e esquece de imediato. Não, isso não acontece. Você decide perdoar. Resolve que está perdoado e que não vai tocar mais na ferida. É assunto morto, acabado – embora o coração ainda esteja sangrando.

Perdoar é silenciar o que lhe magoou (não ficar revisitando as lembranças), esquecer quem feriu e liberar você mesmo da necessidade de retribuir o mal que fizeram contigo. E deixar o tempo agir.

PS – “Os fracos nunca podem perdoar. O perdão é o atributo dos fortes.”- Mahatma Gandhi