Eles só atestam minha incompetência

Eles me assustam. Aqueles semáforos da Praça Rocha Pombo me dão medo. Toda vez que passo por lá parece que riem de mim. Sim, olham para mim e dão gargalhadas. Tenho a impressão que os ouço gritar:

– Incompetente, incompetente! Hahahahaha!!!!

Quando posso, desvio. Fujo deles. Mas não tem jeito. Por vezes, sinto-me perseguido. E alguns de seus irmãos prometem se espalhar por outros pontos. Já sinto calafrios.

Para quem não conhece Maringá, estou falando de semáforos instalados numa das rotatórias da Brasil, principal avenida da cidade. O fluxo de veículos é intenso no local.

A nossa incompetência como motoristas levou a Secretaria de Transportes a instalar semáforos numa rotatória. Absurdo. Não, não a medida da Setran. Absurda é nossa incapacidade de trafegar sem a interferência de um equipamento.

Por isso, quando passo por lá, parece que vejo os semáforos rindo de mim. Sim, eles atestam a minha incompetência como condutor.

Hoje, independente da hora do dia e da noite, com movimento ou não de veículos, vejo-me preso ao sinal vermelho. Porém, a culpa é minha. Nossa.

Qualquer especialista em trânsito sabe que as rotatórias são o modelo mais eficaz e democrático de garantir a fluidez em cruzamentos movimentados. Mas nós, maringaenses, não conseguimos lidar com os princípios básicos de respeito às normas de trânsito. Não damos conta de combinar agilidade, bom senso, escolha do lado correto da via e uso das setas.

É uma pena. Novos semáforos vêm aí. Outras rotatórias movimentadas vão receber os equipamentos. Farão por nós o que não somos capazes de fazer. Avisarão quando podemos prosseguir, quando parar e dar passagem a outro motorista.

Que assim seja! Afinal, eles só atestam minha incompetência.

Na segunda, uma música

Acho que todo mundo já se pegou perguntando: “O que eu posso fazer?”. Os desencontros do amor trazem dúvidas, incertezas. Por mais que se ame alguém, não há garantia de ser correspondido. É quando se perde o sono e o coração se questiona: “Será que estou fazendo tudo errado?”.

É disso que trata a música de hoje. “What can i do”, da banda irlandesa The Corrs. A canção é o grito do apaixonado, de quem já não sabe o que fazer.

O que eu posso fazer para fazer você me amar?
O que eu posso fazer para fazer você se preocupar?
O que eu posso dizer para fazer você sentir isso?
O que eu posso fazer para ter você?

Chega um momento em que os sentimentos transbordam e a decisão mais acertada parece ser desistir.

Quem sabe eu possa me sentir melhor
Se não tentar e não tiver esperança

Afinal…

O poder não é meu
Estou apenas deixando voar.

“What can i do” é um dos sucessos da banda The Corrs. Formada por três irmãs e um irmão, o grupo estourou no final da década de 1990. Desde então, são mais de 60 milhões de discos vendidos.

O último álbum é de 2005. Mas há promessa de que os irmãos vão lançar um novo disco. Só não existe data para isso. Por enquanto, a gente se contenta com as músicas que já nos embalaram noutras épocas…