Limpando as gavetas do coração

faxina
Quando a gente sai de férias é impossível se livrar de algumas arrumações… Coisas que no dia a dia vão ficando esquecidas, acumulando-se nos cantos da casa. No meu caso, por ser professor, a pilha de papeis é enorme. São provas antigas, trabalhos de alunos, anotações, livros… Tudo ali reclamando atenção, um pouco de organização.

Ontem e hoje dediquei parte das minhas horas para essa tarefa. Confesso que não é divertida. Não mesmo. Encarar aquela bagunça é algo que só faço por ser absolutamente necessário.

É curioso que, enquanto vamos mexendo, tirando do lugar, descobrimos coisas interessantes, outras tantas descartáveis. Algumas estão ali há anos, mas sempre justificamos uma razão para permanecerem guardadas.

Hoje, ao mexer nos armários e gavetas, consegui jogar fora muito material. Até CD’s, DVD’s, livros e revistas foram para o lixo. Percebi que estavam apenas ocupando lugar. Não serviam para nada. Nem para mim nem para outras pessoas.

A mesa ainda está completamente tomada das minhas “tranqueiras”. Mas creio que já limpei tudo que precisava ser descartado.

Já um bocado cansado, enquanto tomava banho, refletia sobre o que havia feito. Entretanto, pensava noutra perspectiva. Pensava em nossa vida. Nas coisas que guardamos – no coração e fora dele. De vez em quando carecemos fazer uma “limpa”. Fazer uma faxina (já que o termo anda na moda).

A vida é maravilhosa, mas nossos dias não são sempre perfeitos. Há desencontros. E estes sempre deixam marcas. Um relacionamento, por exemplo, tem uma história. De bons e maus momentos. Quando acaba, ficam lembranças. Muitas delas machucam, ferem. Não dá para apagar o que passou. Porém, precisamos nos livrar daquilo que ainda está ali nos fazendo mal.

Perdoar é um primeiro passo. Uma decisão, como disse dias atrás. Liberar o outro da minha raiva, ódio e, quem sabe, até do desejo de vingança.

É preciso limpar as “gavetas” para não ficar trombando com coisas que alimentam nossas emoções. Algumas pessoas têm que se livrar, inclusive, de objetos físicos – fotos, presentes, bilhetes, mensagens deixadas no celular etc etc. Se mexem com a memória, pode ser necessário jogar tudo fora. Não dá para ficar “encontrando” com a ex no facebook, messenger, twitter… Vale até deixar de frequentar certos lugares. Faz parte da “faxina”. Do contrário, o passado segue presente e esquecer fica mais difícil.

Não é simples. Dá trabalho. Muito mais que dar conta dessa “bagunça” que ainda está sobre minha mesa. Porém, é preciso encarar as pilhas de más lembranças que estão guardadas nas gavetas do coração. Olhar também para os objetos físicos. E, se necessário, livrar-se deles. Não dá para ficar lamentando o que deu errado. É fundamental reconhecer que faz parte do passado. Se houve erros, encare-os como um aprendizado, pois não dá para voltar atrás. A vida segue. E os sentimentos ruins devem ser sublimados. As “gavetas” do coração precisam estar limpas, organizadas a fim de que haja espaço para coisas novas. Do contrário, o futuro nunca irá acontecer.

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5 comentários em “Limpando as gavetas do coração

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