O BBB no paredão

Creio que a melhor maneira de começar este texto é com uma afirmação da Rosana Hermann:

– O que você vê na TV é o que a TV quer que você veja. E o que ela não quer que você saiba dificilmente você vai ficar sabendo.

A frase é uma espécie de resumo do que penso a respeito desse episódio envolvendo um suposto estupro após a festa de sábado do Big Brother Brasil.

O sujeito envolvido na história foi eliminado do programa. A garota segue na disputa pelo prêmio de R$ 1,5 milhão.

Até a polícia está envolvida.

Não quero me estender nesse blábláblá. Desnecessário.

Sinceramente, não sei o que houve debaixo do edredom. E nem vou especular. Imagens são imagens – mesmo do pay per view. Podem ser vistas do que jeito que a gente quiser ver.

O que quero discutir é o jogo sedutor da TV. A polêmica está rendendo o maior buchicho na rede. Mais que isso, a audiência não para de crescer. A Globo deve estar comemorando. Principalmente depois de 12 edições do reality show.

Por sinal, quem pode garantir que tudo não passa de encenação?

Eu não duvidaria disso. Em especial conhecendo o “vale-tudo” do qual é capaz o diretor do BBB.

São tantas contradições e especulações envolvendo o caso que, sinceramente, não acredito em nenhuma versão.

E, convenhamos, a direção do programa e a própria emissora estão pouco preocupadas em esclarecer o crime – se é que houve. Detalhe, tem gente trabalhando ali. Câmeras acompanhando tudo. Será que ninguém sabe ninguém viu?

Não há compromisso com a transparência. Importa a repercussão e os resultados no Ibope. É isso que vale.

Tolos somos nós que ainda acreditamos que a TV transmite uma realidade. Que as coisas são como parecem ser. Há um jogo de cenas e discursos aí… O mesmo site da Globo que noticia que a polícia fará perícia nas roupas íntimas do Daniel e da Monique é o que coloca a garota toda sorridente noutra “notícia” mostrando ela brincando no chuveiro.

Gente, vamos deixar de ser inocentes. A televisão é ficção em forma de realidade. “O que você assiste é a ponta do iceberg, não é O iceberg”, como diz a Rosana. Vale pensar nisto antes de embarcar nas histórias que a TV mostra e, quem sabe, colocar programas como o BBB no “paredão”.

PR 323: fazemos uma mobilização fajuta pela duplicação da rodovia

Estive em Guaíra nessa segunda-feira. Para quem mora em nossa região, é quase impossível não se deixar seduzir pela proximidade com o Paraguai e as facilidades de compras. Entretanto, mais que fazer um relato naquela muvuca que é Salto Del Guairá, quero refletir sobre a qualidade da estrada que usamos para chegar até lá.

Há mais de um ano, toda a região está “mobilizada” para convencer o governo do Estado a fazer a duplicação da PR 323. Para quem não conhece, trata-se de uma rodovia muito movimentada, em pista simples, com acostamentos problemáticos e, consequentemente, muitas mortes. São cerca de 270 quilômetros.

Quem mora por aqui conhece bem o que estou falando. A estrada é uma velha conhecida. E velha em todos os sentidos já que o máximo que tem sido feito em toda sua extensão são operações de conservação da malha asfáltica.

É um exercício de paciência dirigir nessa estrada. Ontem, por exemplo, permaneci por quase 40 quilômetros atrás de um único caminhão. Às vezes, numa velocidade próxima de 80 km/h; noutros momentos, a menos de 50 km/h. A fila de veículos era imensa. Não havia como ultrapassar.

Gente, a PR 323 é uma agressão do Estado aos contribuintes paranaenses. Como explicar que, ao longo dos anos, nada foi feito? Nenhuma terceira faixa. Nada. A duplicação de pouco mais de quatro quilômetros no trecho que liga Maringá a Paiçandu não conta. Aquilo ali é quase uma piada, já que só ajudou a tirar quebra-molas. Por sinal, ressaltou o problema. Quando a pista volta a ser simples revela o quanto a duplicação é urgente.

Acontece que promover a duplicação em toda extensão da rodovia é uma obra cara. Dificilmente será realizada sem a concessão à iniciativa privada. Ou seja, instalação de pedágios. Acontece que a experiência no Paraná é traumática. Quando o Governo Lerner criou o chamado Anel de Integração, permitiu a cobrança de tarifas altíssimas e, ainda hoje, convivemos com estradas pedagiadas em pistas simples. Um desrespeito aos cidadãos.

No que diz respeito à PR 323, os governantes foram negligentes. No passado e no presente. A frota de veículos cresce todos os anos. Porém, nunca houve um planejamento de investimentos de longo prazo. Algo do tipo: “este ano, vamos duplicar 30 quilômetros; no ano seguinte, mais 30…”. E isso dava para fazer. Afinal, cada carro novo, cada caminhão novo emplacados no Estado representa um acréscimo na arrecadação de tributos. Mais dinheiro no caixa… que não retorna na forma de investimentos.

Desculpem-me, somos culpados por essa situação. Somos coniventes. Nós, cidadãos, e a tal sociedade organizada. Aceitamos, toleramos esse desrespeito do Estado. E não venham me dizer da tal mobilização para duplicar a PR 323. Essa é uma mobilização de conveniência. Uma pressãozinha fajuta. Se o governo fizer ou não fizer a obra, nada vai acontecer. Empresários, políticos e demais lideranças que organizam a campanha nunca confrontariam de fato o governo. Que tal uma “greve tributária”? Algo do tipo: bloqueamos o pagamento e repasse de impostos ao Estado até o anúncio definitivo do planejamento e início das obras? Loucura? É provável. Mas o que quero dizer é simples: não há mobilização real. Nem neste caso nem noutro qualquer. Somos passivos. E eu me incluo aqui. Os governantes não são pressionados. Não perdem o sono por nossa causa. E, quando uma nova disputa eleitoral começar, voltarão a ser financiados inclusive por estes que supostamente “brigam” pela duplicação da rodovia.