O Enem nos envergonha

Está em destaque no Folha Online:

MEC vai recorrer da decisão de acesso à redação do Enem

A justificativa parece bastante razoável: impossibilidade técnica de abrir a prova de redação para todos que fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio.

Porém, diga-me: se deu pra corrigir milhões de provas, como não dá para garantir transparência ao que foi feito pelos avaliadores?

Caríssimos, no papel, o Enem é um belo instrumento para avaliar a qualidade do ensino e ainda garantir vagas nas universidades para nossos melhores alunos. Porém, na prática, o exame tem mostrado o quanto o Ministério da Educação é desorganizado. É uma lambança atrás da outra.

Em 2010, a prova vazou; em 2011, o problema se repetiu. E pior, ninguém entende o sistema de avaliação. Como explicar o fato de 129 redações terem tido problema de correção? Quem garante que outras tantas não tiveram problema semelhante?

Está na hora do governo abrir a caixa preta e explicar os critérios de avaliação. Nós, que estamos de fora, não percebemos a dimensão da confusão. Porém, pergunte a qualquer garoto que participou do Enem, e que contava com a nota do exame para garantir uma vaga numa universidade, se conseguiu entender o resultado da avaliação.

O negócio é confuso.

Por isso mesmo, centenas de alunos entraram na Justiça pedindo revisão na correção de algumas questões ou na redação. Muitos conseguiram melhorar a nota. Isso mostra que o sistema é falho.

Está na hora do governo reconhecer os constantes problemas e rever o modelo de provas do Enem. Passou da hora. Hoje, infelizmente, não dá para confiar nos resultados.

O que é ainda mais lamentável, no entanto, é notar que o sujeito que coordena o processo – o ministro Fernando Haddad – ser considerado “o cara”. Isto, a ponto de o PT lançá-lo candidato a prefeito de São Paulo.

Haddad, que deixa o governo para disputar a prefeitura, não foi capaz de garantir eficiência ao Enem. E mais, a principal conquista do ministério na gestão petista, a criação do Prouni, não é coisa dele. É “vendida” como se fosse… Mas é do ex-ministro e hoje governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro.

Coitado dos paulistanos!