A Sandra sente falta de ser atriz. Do que sentimos falta?

Gostei de ver a declaração da Sandra. É a expressão corajosa de uma jornalista bem sucedida, mas que teve que “congelar” o prazer de exercer outra atividade, que também lhe dava prazer.

Fiquei pensando: do que sentimos falta? Não, não estou falando daquela pessoa. De um amor, de um certo alguém… Falo de coisas que, por escolhas ou circunstâncias, deixamos de fazer.

A jornalista sente falta de ser atriz.

Até semanas atrás, eu sentia falta de ser repórter. Do contato direto com as fontes, com a notícia. Felizmente, estou conseguindo conciliar as duas – ser repórter e ser âncora.

Entretanto, ainda alimento outras vontades… Também estão aqui “congeladas”, como disse a Sandra. Fazem falta as grandes reportagens, os textos mais elaborados.

Mas sei que não dá para fazer tudo. É impossível. Alguns prazeres precisam ser sublimados. Do contrário, fica um vazio no peito que incomoda e rouba a alegria de viver.

Este é o segredo: sublimar as ausências, reconhecendo que não podemos dar conta de tudo.

Dias atrás ainda falava sobre pessoas que estão num lugar, mas com a cabeça noutro lugar. Gente que abre mão de viver, pois não curte o que tem.

Acho que todo mundo sente falta de alguma coisa. Algo já vivido, já experimentado, mas que perdeu-se no passado, ficou apenas nas lembranças.

Tenho comigo a certeza que, se ficou mal resolvido, incomoda demais e está te impedindo de seguir adiante, tem que começar tudo de novo. Se foi resultado de uma escolha ou não dá para voltar atrás, é preciso olhar pro futuro e investir nele.

Para a Sandra, faz falta atuar. Mas isso não a impede de ser feliz fazendo o que faz. Este é o jeito certo de viver: aproveitar o que construímos e só espiar o passado para relembrar o que teve de bom.

Prefeitos reclamam de salário dos professores; deveriam se envergonhar

Cerca de 700 prefeitos em Brasília. E por um motivo: o novo salário dos professores. Eles estavam lá, mas não para aplaudir o ministro da Educação, não para dizer que o reconhecimento aos educadores vem em hora oportunidade. Não, não era para isso. Foram à capital federal para reclamar, alegar que não poderão pagar os R$ 1.451,00. Sustentam que o salário dos professores vai “quebrar” as prefeituras.

Detalhe, essa será a remuneração dos professores que trabalham 40 horas por semana.

Os prefeitos deveriam se envergonhar. Os R$ 1.451,00 representam um salário miserável. Esse valor está longe de reconhecer o trabalho dos educadores. Muito longe do ideal. Em especial, porque todo prefeito, atualmente, se elege sustentando o discurso de que educação é prioridade. Prioridade onde? Porque quem reclama dessa remuneração nunca priorizou o ensino.

Boa educação é feita por bons professores. E nunca teremos bons professores se continuarmos pagando essa merreca.

O que torna a situação ainda mais revoltante é o fato de que, em 2013, teremos mais 7 mil vereadores no país. Sim, muitas cidades aproveitaram-se do que diz a lei e ampliaram o número de cadeiras nos legislativos municipais. E certamente não vão ganhar R$ 1.451,00.

Os prefeitos foram a Brasília, reclamaram do novo salário e ainda pediram que o Ministério da Educação mude a base de cálculo dos reajustes. Esse último aumento foi 22%. Os gestores municipais pedem que o cálculo seja apenas pelo IPC – a inflação do período. Ou seja, os professores não merecem nada além da inflação.

Hoje, ouvi um comentário de Alexandre Garcia sobre o assunto. Ele foi direto: “prefeito, pague o salário do professor. Economize controlando a corrupção, reduzindo os comissionados… A educação é a solução para tudo”.

É isso mesmo. É o professor que constrói o futuro. Entretanto, atualmente, quem se anima escolher a docência? Alguns poucos. Faltam professores. E isso acontece porque segmentos que sequer exigem formação profissional remuneram melhor seus trabalhadores.

Prefeitos, governadores – gestores em geral – que reclamam de um salário de R$ 1.451,00 para o professor são amigos do atraso, gente que valoriza a ignorância e desconhece o real valor do ensino.

PS- O salário inicial de um professor em Maringá, por 40 horas, é R$ 1.911, 03.

Pequenos hábitos podem destruir relacionamentos

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Cada um de nós possui hábitos muito particulares. Manias, prefiro dizer. Coisas aparentemente simples, inofensivas, que de alguma forma organizam nossa vida e formam nosso jeito de ser.

Pode ser a maneira de colocar o papel higiênico no suporte, a toalha estendida após o banho, a roupa organizada na gaveta… O jeito de sentar à mesa, de colocar os alimentos no prato (Primeiro, o arroz? Ou o feijão).

Isso é nosso. E todos temos. Talvez não seja muito consciente, mas esses hábitos – ou manias – estão em nós.

O problema é como esses hábitos se revelam dentro do relacionamento. Esses comportamentos, por incrível que pareça, afetam seriamente a vida a dois.

Lembro de um casal que teve graves problemas. Na terapia, eles descobriram onde o problema começou: no rolo do papel higiênico. Isso mesmo. Um tinha o hábito de deixar a ponta do papel saindo por baixo; o outro, por cima do rolo. As brigas começaram aí. Descobriram suas diferenças e as acentuaram a partir de um “gosto” pessoal.

Essas coisas acontecem porque algumas pessoas parecem acreditar que o seu jeito de fazer é o único que está correto. Não conseguem admitir uma outra maneira.

Tenho dito que gente é bicho esquisito. Relacionamentos são complexos. Não é fácil dar certo. Entretanto, os grandes problemas geralmente surgem pelas pequenas coisas.

Nem sempre as pessoas percebem o quanto um hábito pode incomodar. Se não há flexibilidade, um certo humor para lidar com as “manias”, essas diferenças viram implicância e começam a minar o relacionamento.

Afinal, por que a minha gaveta tem que estar do jeito que ela gosta? Por que não posso comer com a perna cruzada por sobre a cadeira?

São questionamentos que surgem, vão incomodando aos poucos e separam as pessoas. Quando acordam, as palavras de carinho já acabaram, os pequenos gestos de afeto ficaram apenas nas lembranças.

Tudo por que deixaram que seus hábitos se tornassem mais importantes que a pessoa que está do lado, que escolheram para viver.

Quem é muito resistente em abrir mão de certos comportamentos cotidianos – até mesmo de organização – deveria perceber o quanto pequenas atitudes podem fazer mal e ferir o outro. A sua verdade pode ser entendida como implicância. E o que parecia apenas uma forma correta de fazer as coisas vira motivo de discórdia e desamor.

Morte aos cristãos

Sabe aquelas coisas que você sempre ouviu falar que acontece, mas nunca teve uma prova concreta? Pois é, foi assim que me senti ao ver essa notícia.

Quando criança, por ser criado numa família cristã, e numa época em que ainda vários países sofriam com regimes totalitários, escutava notícias desse tipo. Li inclusive várias histórias de cristãos presos, torturados, ameaçados de morte e até executados. Parecia coisa da Roma antiga, mas apresentavam-se como fatos atuais.

Essas notícias me assustavam. Não compreendia como alguém poderia obrigar uma pessoa a negar sua fé. Não via lógica.

Hoje, em pleno Século XXI, cá estamos diante de um fato real: um cidadão é condenado à morte por ter uma fé diferente da professada pelo governo de seu país.

Confesso que não dá para entender. Do ponto de vista humano, não dá. Não há razão.

É verdade que a religião, por vezes, é perigosa. Mas ter uma fé, defendê-la ou mesmo tentar convencer outras pessoas de que você tem a verdade, não justifica sequer uma ameaça de prisão.

Ter uma fé e expressá-la livremente é direito das pessoas. Trata-se de algo da subjetividade do sujeito. Claro, não pode interferir a ponto de motivar contenda, inimizade, desavença ou mesmo uma guerra. Mas, quando se trata tão somente da crença, ninguém tem o direito de interferir.

É como uma opinião. Quando se tem uma, desde que não haja uso da força ou manipulação, pode se tentar convencer o outro. Isso é liberdade. Vale o mesmo para a fé e para a religião.

Pena que ainda exista quem não pensa assim. Pena que muitos ainda se calem diante de fatos como esse.

Na segunda, uma música

Difícil definir Renato Teixeira. Ele se diz um cantor do folclore brasileiro. Acho que tem razão. Suas canções traduzem a vida cotidiana, nosso jeito de ser. Cá com meus botões, penso que a arte tem a ver com a alma do próprio artista e do momento em que ele vive. Mas ele faz isso retratando a simplicidade – e por isso, a beleza – da vida. Por isso, gosto da produção do Renato, um cantor caipira.

Hoje, compartilho “Amizade sincera”. Os verdadeiros amigos são raros. Poucos são aqueles com os quais podemos contar em todas horas. Mas, felizmente, existem. E são para estes que Renato canta:

Os verdadeiros amigos
Do peito, de fé
Os melhores amigos
Não trazem dentro da boca
Palavras fingidas ou falsas histórias
Sabem entender o silêncio
E manter a presença mesmo quando ausentes
Por isso mesmo apesar de tão raros
Não há nada melhor do que um grande amigo

Vamos ouvir?

Quem sabe, nos sonhos, as estradas sejam melhores

Dirigir talvez seja uma das minhas grandes paixões. E talvez por isso, mesmo sem uma boa razão, sempre me sentia bem em viajar – desde que eu esteja no volante. Entretanto, as rodovias têm me cansado. Em especial, as de pistas simples, que são a maioria na nossa região.

A PR 323 é a que mais trafego. Já escrevi sobre ela noutra ocasião. Por isso, não vou voltar ao assunto. Hoje, apenas resolvi falar alto de minha desilusão.

Sinceramente, não gostaria de perder a vontade de viajar. Mas ultimamente todas as vezes que penso no que vou encarar, fico incomodado.

Neste domingo, por exemplo, cheguei em casa com a cabeça doendo, um cansaço enorme. Pouco mais de duas horas dirigindo foram suficientes para me esgotar.

Como ficar satisfeito tendo de encarar filas imensas? Como sentir prazer quando você fica travado atrás de um caminhão por minutos e mais minutos? O que há de divertido em trafegar por uma rodovia por quilômetros sem conseguir passar dos 50 km/h?

É quase impossível pedir paciência aos motoristas. Fazer isso num feriado, lá de vez em quando, seria aceitável. Em todas as viagens, é uma afronta. Por isso, é plenamente compreensível as centenas de acidentes. Estão todos esgotados, irritados.

Sabe o que é pior? Não consigo ver algo que sinalize que isso vai mudar. Os governos não investem em estradas. Não planejam duplicações, ampliações de pistas… Nada. As obras são pontuais. E quase sempre para atender um quadro de emergência.

Lamentável!

Vou dormir. Quem sabe nos meus sonhos, as estradas sejam melhores.

Luan Santana, decadente?

Lauro Jardim, colunista respeitado da Veja, revela que o cantor está em baixa.

Fato ou não, quero refletir sobre o assunto. Não pelo Luan Santana, necessariamente. Mas pela efemeridade do sucesso.

Usamos o adjetivo “artista” para falar de cantores como Luan, Michel Teló, Gustavo Lima etc etc. Entretanto, se é arte o que eles fazem, por que perdem o brilho em tão pouco tempo?

No mundo contemporâneo, poucos são os que conseguem consolidar uma carreira. Tudo é coisa de momento.

Hoje, o momento é do Teló e seu “Ai se eu te pego” (ou já tem outro no topo das paradas?). Ontem, foi o Luan Santana. Amanhã… quem será?

Os artistas de hoje escrevem seu nome na história por momentos de sucesso. E não por uma carreira.

Isso tem muito a ver com o comportamento da sociedade, que reclama por novidade, e da própria produção artística, que é vazia.

Na música, por exemplo, acordes fáceis, refrões repetitivos, frases de simples memorização… são parte da estratégia. E a música “gruda” na cabeça das pessoas. Até quem não gosta, sem querer, começa a cantarolar.

Acontece que coisas fáceis perdem a graça rapidamente. Enjoam.

E junto com as músicas, enjoamos dos artistas que as interpretam.

Poucos são capazes de se renovar e manter-se em evidência. Até porque a indústria cultural é um verdadeiro balcão de negócios. E, se o público quer novidade, não se furta em apresentá-las. Por isso, tantas carinhas e vozes novas todos os dias no rádio e na televisão.

É ruim isso? Depende do ponto de vista.

No que diz respeito a mim, não sou afetado por essa urgência de uma música nova, de artistas que vão e vem. Tenho impressão que eles (os artistas) acabam reféns dessa lógica e, por isso, sofrem mais que o público.

Sobre o público, o problema é outro…

Parece-me que o gosto musical apenas reflete a pobreza estética de uma cultura formada sem bases muito sólidas. A efemeridade do sucesso artístico apenas reproduz os demais valores (ou da falta deles) de nossa sociedade. A questão, portanto, vai além do simples gosto. Tem a ver com o tipo de formação que temos.

Revitalização, por enquanto, só na placa

Fiz a foto no início da noite de ontem. À tarde, publiquei aqui os questionamentos sobre a reforma da praça da Catedral. A obra ainda não começou. Embora a licitação já tenha sido finalizada, uma empresa esteja contratada, ninguém sabe quando os operários começam a trabalhar.

Lamentável!