A Câmara ainda consegue nos surpreender. Desta vez, de maneira positiva

A política às vezes nos surpreende. Como entender o que houve na tarde dessa quinta-feira na Câmara de Maringá?

Ainda hoje pela manhã entrevistei o presidente Mário Hossokawa. Ele foi objetivo: a chamada oposição ficaria fora das comissões permanentes da casa. Quando a escolha dos integrantes foi fechada lá estavam Humberto Henrique, Marly Martin e Mário Verri.

Dá para entender?

Nos últimos três anos, houve articulação, diálogo e nada. Ninguém entrou nas comissões. A exceção foi o vereador Flávio Vicente, mas este não é oposição – apenas figurava entre os parlamentares da oposição em alguns temas.

Hoje foi diferente. Por isso, a surpresa.

Sem dúvida, uma boa notícia para começar o ano.

Para quem não entende de política e muito menos de Legislativo, esse papo aqui pode não fazer sentido. Entretanto, posso sustentar que a presença desses vereadores nas comissões poderá fazer diferença na qualidade dos trabalhos da Câmara.

Por exemplo, a Comissão de Constituição e Justiça é a responsável por tratar da constitucionalidade dos projetos. Faz a análise sob esse prisma. Marly é a única advogada no Legislativo. E estava fora da CCJ. Os membros anteriores não tinham nenhuma afinidade com os temas do Direito. Mesmo assim, comandavam a comissão.

No caso da Comissão de Finanças e Orçamento, as discussões não contavam com a presença de nenhum especialista. Tudo em função da política de exclusão dos vereadores de oposição. Com isso, a comissão abria mão do conhecia de Humberto Henrique, que é contador.

Quer dizer, o que os vereadores fizeram hoje mostra que os trabalhos começam bem neste último ano da atual legislatura. É um bom sinal.

Quem sabe outras notícias positivas venham por aí… A redução do salário dos vereadores poderia ser uma delas, não acha?

Apenas uma moradora de rua?

Fotos feitas na manhã desta quinta-feira, 2 de fevereiro


Uma mulher no chão… Deitada sobre a grama. Não, não é uma cena romântica. Não é de filme. Nem de novela. É alguém que dorme nas ruas. Vive nas ruas. Deve ter uma história. Mas não a conhecemos. Não sabemos quem é essa mulher.

Nós a tratamos com um intruso. Alguém que incomoda. Passamos ao largo. Ela é suja, é malcheirosa. Tentamos ignorá-la. Fingir que não vemos. Mas ela não é única. Há outras dezenas de pessoas que vivem na mesma situação. Não apenas em Maringá. Em outras cidades do Brasil. Do mundo. Fazem parte de uma realidade que nós, supostamente normais, não queremos ver.

Já disse aqui, não sou uma das pessoas mais sensíveis do mundo. Entretanto, quando vejo uma cena dessas sempre me pego imaginando o que motivou a vida nas ruas. Teriam faltado oportunidades? Seria um problema mental? Uma doença? Abandono? Qual a história de vida dessa pessoa?

Sei apenas que, semelhante a nós, esse “ninguém” que hoje vive nas ruas um dia foi um bebê… Desejado ou não. Porém, inconsciente do que a vida lhe reservava. Por situações que desconhecemos, restou a exclusão do convívio social, uma vida marginal, de futuro incerto.