Tenha atitude e rompa com o desânimo

Não existe ninguém livre de sentir-se desanimado. Vez ou outra esse sentimento toma conta e consome as forças. Pode ser aquele alto executivo, que leva consigo o status de homem poderoso e bem-sucedido, ou aquela mulher abandonada pelo marido, com três filhos pequenos, que sobrevive com diárias, ganhando a vida na casa de famílias, e que por vezes mal consegue comprar um quilo de carne. Sem hora marcada, o desânimo toma conta. Não bate à porta. Simplesmente invade o coração e corrói a disposição de viver.

A frustração, a tristeza, o desespero são sentimentos que vêm juntos com o desânimo. A ausência de vontade, a incapacidade de ver o mundo com olhos de esperança completam o cenário.

O desânimo pode aparecer depois de uma série de fracassos. Ou mesmo pela falta de novas perspectivas, pois a vida tornou-se uma rotina que não acena possibilidade de surpreender-nos.

Por incrível que pareça, surge até mesmo quando estamos fazendo tudo certo, quando as pessoas olham para você e dizem: “como ela pode estar infeliz?”. Isso significa que sucesso ou fazer tudo muito bem feito não são garantia de imunidade ao desânimo.

Nessas horas é fácil sofrer com novas críticas. Como já disse aqui, chega um momento que parece que não existe mais nada que possa dar errado. A sensação é de estar no fundo do poço. Ainda assim, descobre-se que é possível afundar ainda mais. E gente para dar um empurrãozinho não falta.

Quem está desanimado deve entender que nem sempre poderá contar com os amigos. É verdade que alguns podem aparecer para nos apoiar. Entretanto, nem sempre encontramos pessoas dispostas a nos motivarem. E, como todo mundo sabe, o desânimo é contagioso. O mesmo discurso negativo que nos alcança também afeta os que estão a nossa volta.

Ao desanimado restam alternativas. A primeira delas é reconhecer que tem algo errado. Admitir o desânimo. Parece obvio e é. No entanto, poucas pessoas têm a capacidade de se auto-avaliar e assumir suas fragilidades. A segunda, seguir em frente. Isso mesmo. Não dá para esperar ter vontade. É preciso continuar mesmo sentindo-se abatido. Projetos não podem ser abandonados. Quanto mais a gente se entrega mais fraco se torna e mais suscetível a sentimentos ruins.

Terceiro, não isolar-se. Quando o desânimo toma conta, a vontade é se isolar. Afastar-se das pessoas, dos amigos e até mesmo da família. Embora essa seja uma reação natural, é preciso romper com o isolamento. Mesmo não querendo. É necessário interagir, conversar, estar próximo de quem ri, fala alto, conta piadas… e, se possível, de quem tem disposição para dar um abraço amigo.

Por fim, ter fé. Não é fácil. Mas acreditar em algo superior faz bem. Alimenta a esperança. Para muitos, a busca pelo divino pode significar uma atitude vazia, sem sentido. Contudo, há algo no humano que o liga a um ente superior. A reza – ou a oração, como preferir – alivia as tensões, permite que o próprio homem dialogue com seus dramas e aos poucos reconquiste a confiança. Desta forma, vê além dos seus limites e valoriza a beleza da vida.