Pai mata casal por causa do Facebook: por que é difícil aceitar que nem sempre somos amados?

Tem gente que ainda parece querer separar o universo digital do mundo real. O conceito de virtual, ao ser atribuído a tudo que é feito na rede, causa a impressão que se trata de algo separado da vida cotidiana, real, palpável (por isso mesmo, tem alguns que, escondidos atrás da tela de um computador, criam coragem para falar tudo que nunca diriam noutra situação).

Não é assim. Já disse aqui que é uma enorme bobagem separar as coisas. O mundo digital só é virtual pela ausência de elementos que ocupem um espaço físico. No entanto, impacta, e muito, no nosso dia a dia.

Costumo dizer que a discussão que você tem com um amigo pela rede não acaba quando desliga o computador. A mágoa continua ali, muito viva, incomodando, fazendo sofrer.

A ofensa virtual não é diferente daquela que é feita entre amigos ou “cara a cara”. Desligar a máquina não elimina os efeitos. Eles seguem conosco.

Um exemplo claro disso é o sentimento de exclusão. Da mesma forma que alguns sentem-se rejeitados quando não são convidados para a festa de aniversário de um amigo, a pessoa fica ressentida ao não ser adicionada no Facebook de alguém que ela considera amiga.

É uma idiotice. Mas é assim que funciona. A maioria se incomoda com essas coisas. Como se incomodaria com fato semelhante ocorrido fora do universo virtual (o caso do aniversário, como ilustrei).

E os loucos da vida real também o são no mundo digital. Basta ver o que fez esse sujeito nos Estados Unidos. Marvin Potter, de 60 anos, surtou. O cara matou um casal porque a filha dele foi excluída como amiga da rede social. Vingança tola, vazia, injustificável.

Tudo bem… É provável que exista algo que vá além da simples exclusão da garota. O casal deve ter tido alguma motivação para excluir a filha de Marvin do Facebook. O pai tomou as dores da menina. E isso deve ter colaborado para aumentar seu ódio.

Mas é uma loucura isso.

Sabemos que ninguém está completamente isento de ser vítima de um psicopata, um doente mental. Ainda assim, diria que as pessoas estão perdendo a dimensão completa da realidade.

Ninguém é obrigado a ser amigo de ninguém. No convívio cotidiano; muito menos nas redes sociais. A gente segue quem a gente quer. E se o “amigo” mais parece um intruso na rede, qual o problema de excluí-lo?

Da mesma forma que nos afastamos dos idiotas de plantão, evitamos quem nos desagrada na rede.

As pessoas não devem forçar serem aceitas.

Tem quem gosta da gente; tem quem nos ignora e aqueles que nos odeiam. A vida é assim.

Será que é difícil entender isso?

Política, a arte da conveniência; também para Beto Richa

A política é a arte do impossível. Inimigos se unem pelo poder. Gente aparentemente honesta abraça quem tem ficha suja para garantir a vitória ou a tal da governabilidade.

Isso não é novidade. Podemos não concordar. Mas é assim que funciona.

Nada é definitivo na política.

É verdade que há casos de inimigos históricos. Políticos que se construíram justamente pela rivalidade. No eterno embate, fizeram-se importantes e conquistaram fama e poder.

Em Londrina, por exemplo, tínhamos a impressão que seria esta a trajetória de Antonio Belinati e Luiz Carlos Hauly. O ex-prefeito e o atual secretário de Fazenda do Paraná são inimigos políticos.

Hauly, que já disputou quatro vezes a prefeitura daquele município, enfrentou Belinati duas vezes no segundo turno. E o confronto sempre foi duro. Os casos de corrupção dos governos de Belinati foram argumentos recorrentes de Hauly para enfrentá-lo nas disputas eleitorais. Nunca surtiu efeito. Mas restou a impressão de que não seria conveniente convidar Belinati e Hauly para o mesmo jantar.

Neste ano, porém, o secretário de Fazenda poderá ter de engolir as críticas, silenciá-las. E o motivo é simples: o governador Beto Richa quer uma aliança e, se possível, candidatura única de seus aliados. Acontece que, mais uma vez, destacam-se na disputa os grupos de Belinati e Hauly. E ambos são base do governo de Beto.

É verdade que o velho Belinati provavelmente ficará fora da disputa. Seus problemas com a Justiça podem deixá-lo fora do pleito. Ele, porém, deverá ser representado pelo sobrinho, o vereador Marcelo Belinati (PP).

Beto Richa é simpático a uma aliança entre tucanos e progressistas. É conveniente uma aliança na disputa pela prefeitura. A vitória seria quase certa e a Prefeitura de Londrina estaria sob o comando de um aliado. E estes não chegariam divididos no pleito de 2014. Claro, o governador pensa em si mesmo. Já está de olho na reeleição. Quer todo mundo unido para garantir amplo apoio na corrida estadual.

O caso, como disse, é um exemplo claro de que, na política, vale tudo. Não importa a história. Vale a manutenção do poder. E nenhum de nossos representantes foge desta lógica. Nem Beto, nem Alckmin, nem Lula, nem Dilma.