Incineração do lixo: menos críticas e mais diálogo

Vou fazer uma confissão… Talvez seja criticado por isso. É bem provável que aconteça. Entretanto, mesmo que alguns não me compreendam, sinto necessidade de compartilhar minha posição sobre o impasse a respeito do projeto que prevê a incineração do lixo em Maringá.

Há meses, acompanho essa discussão. De um lado, a prefeitura defende uma proposta ousada: implantar uma usina que poderá incinerar todo o lixo produzido em Maringá. A cidade acabaria com o problema do lixo. E ainda poderia transformá-la em energia. De outro, a oposição e movimentos populares criticam a proposta e sustentam que tal tecnologia pode causar poluição e traz riscos para a saúde humana – citam, inclusive, casos de câncer.

Os dois lados se apóiam em estudos. E há gente séria defendendo essas posições. Que são completamente antagônicas, é preciso lembrar.

Por que digo isso? Porque o tema tem sido debatido de maneira raivosa, em vários momentos. Quem defende a tecnologia de incineração alega que as críticas recebidas ao projeto são meramente políticas, eleitoreiras. Quem se posiciona de maneira contrária à “queima do lixo” (termo que gostam de usar), diz que a administração atropela a vontade popular e até sugere que há interesses escusos na implantação desse modelo de tratamento e destinação dos resíduos.

Ah… e sobre Maringá receber lixo de outras cidades para ser incinerado aqui, qual o problema? Lixo, hoje, é um produto – como outro qualquer. Gera renda, riqueza.

Cá com meus botões, penso que o debate tem sido muito simplista. Raso. De ambas as partes. Em especial nas redes sociais. E parte das pessoas que toma partido, principalmente contra a implantação da tecnologia, sabe muito pouco a respeito do tema. Por isso, a crítica é quase sempre feita muito mais por uma posição política que técnica.

Volto a dizer, tem gente séria em ambos os lados. E dotada de conhecimento para defender suas posições. Especialistas que respeito. Mas partidários da administração e da oposição se apropriam de alguns argumentos desses especialistas e acabam reproduzindo-os superficialmente. Fazem um recorte do todo e, sem que percebam, servem de massa de manobra num debate que deveria ser muito mais sério e profundo. E, sejamos realistas, grande parte da população segue completamente alheia a tudo isso.

Desculpem-me, mas o tema é complexo demais. Não dá para simplesmente sair por aí dizendo que é boa ou ruim a tecnologia de incineração do lixo e transformação em energia.

Sou muito sincero sobre o assunto: não tenho uma posição definida. Nem a favor nem contra.

Já li e ouvi muita coisa. Tem informações dando conta que a tecnologia é tudo de bom, fantástica, maravilhosa. Existem outras que nos levam a pensar que estamos correndo sérios riscos – ambientais e de saúde.

Confesso que não posso acreditar na tese que a administração estaria agindo de maneira irresponsável no tratamento do tema. Por outro lado, também não acredito que ambientalistas da oposição ou mesmo políticos, como Humberto Henrique, estariam criticando por criticar.

Diante do fato, diria apenas que a implantação da usina não pode ser feita de maneira precipitada. Nada me parece conclusivo. E por ser ano eleitoral, tudo fica ainda mais confuso.

Creio que, se os dois lados se dispusessem a fazer um diálogo menos político e mais racional, toda a sociedade sairia ganhando.

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2 comentários em “Incineração do lixo: menos críticas e mais diálogo

  1. Ronaldo Nezo. Não estão debatendo o assunto de forma técnica. Isso é fato.! O Forum lixo e cidadania apresenta argumentos técnicos positivos, que não foram levados em consideração pela Prefeitura Municipal de Maringá. Aliás audiencia publica é apenas para cumprir a legislação, pq nada de propostas contrárias foram incorporadas ao plano municipal de saneamento. Uma pena! A minha preocupação é com a questão social. Muito se fala em questão ambiental e poluição, mas nada em relação ao social. Após a aprovação e possível implantação da usina, eu pergunto: o que faremos com os até então catadores de lixo reciclavel? pra onde irão estas pessoas? serão novos flanelinhas? – Estão debatendo apenas a questão ambiental e econômica, mas a questão de saude publica e social ninguem fala nada ! A prefeitura argumenta que buscou a tecnologia da frança, alemanha, sei la…..Mas eu pergunto. Será que a realidade de nossa cidade é a mesma de um país da Europa/Eua.? será que tem catadores por lá? – abraços.

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