O professor e a sala de aula: um pouco do meu drama

Pra muita gente, este “volta às aulas” foi na semana passada. Pra mim, é hoje. É verdade que minhas atividades na faculdade começaram dias atrás. Tive reuniões, semana pedagógica… Coisas que só quem é professor sabe o que são.

Por sinal, poucos se dão conta que o educador não trabalha apenas quando os alunos estão em sala de aula. O negócio vai muito além.

No ano passado, por exemplo, mesmo depois do Natal, ainda estava na faculdade cuidando da burocracia. E isso não é nada anormal. Foi assim no ano anterior, no outro e no outro…

Férias de verdade a gente tira por uma ou duas semanas. E olha lá.

Falando nisso… Lembro que, quando garoto, já sonhando ser professor, achava que eles (os professores) tinham o mesmo tempo de férias que nós, estudantes. Cerca de 60 dias em casa e mais 15 no meio do ano.

Bom, não foi o sonho de férias tão longas que me animaram a escolher a profissão. Se fosse, teria escolhido a magistratura. Tem férias mais longas, ganha mais, tem status… Mas esse é outro papo.

Este “volta às aulas” é também um reencontro com os alunos. E aqui está a principal razão de ser professor. Pelo menos, para mim.

Confesso que sinto um friozinho na barriga. Lembro da moçada que já conheço e fico curioso por conhecer gente nova. A sensação é boa. Mas também sinto a responsabilidade de ter algo diferente para ensinar.

Aqui é onde mora meu maior drama. Depois de anos lecionando, o professor já tem domínio de muitos temas. Tornaram-se comuns. No meu caso, isso por vezes me angustia. Quando leciono, tenho a impressão que meus alunos também dominam o tema e que não haveria novidade.

Claro, sei que é uma impressão equivocada. Mas não é raro me pegar olhando para eles achando que não preciso ir além, afinal já sabem do que estou falando.

Neste ano, enquanto finalizava meus planos de ensino, pensava justamente nisso e no reencontro com os acadêmicos. Questionava-me: vou conseguir ter um papel relevante?

Espero que sim. Para isso, não posso esquecer que o ato de aprender nunca será exclusivo dos estudantes. É meu também. Quando professor e alunos se dispõem a aprender, o conhecimento de fato se concretiza.

Na segunda, uma música

A escolha do artista desta segunda-feira é um tanto óbvia. Com a morte de Whitney Houston, não poderia compartilhar algo diferente.

Nessas mais de 100 segundas-feiras de música do blog, nunca trouxe aqui nada de Whitney. Apesar de me encantar com a voz e muitas de suas canções, a intérprete fazia parte daquela lista de artistas que tiveram o talento consumido pelas drogas.

Por conta disso, não tinha o mesmo brilho. Muitas de suas aparições mais recentes foram vexatórias. Nada lembrava os tempos de glória.

Talvez minhas melhores lembranças da cantora sejam de sua perfomance ainda nos tempos de “O guarda-costas”. O filme traz Whitney no grande momento da carreira. Sucesso de bilheteria, trilha sonora do filme entre as dez mais vendidas de todos os tempos e a música tema, I Will Always Love You, consagrada como a mais vendida de 1992 e a 6ª mais vendida de todos os tempos.

Hoje, ao homenagear Whitney Houston, compartilho a última música que considero relevante na carreira da americana, I look to you.

Gravada em 2009, a canção parece revelar o momento vivido pela cantora. Há uma espécie de súplica a Deus.

Ela diz:

O meu amor foi todo destruído (oh Senhor)
As minhas paredes caíram sobre mim

E Whitney continua:

A chuva está caindo
A derrota está chamando (me liberte)
Preciso de você para me libertar
Leve-me para longe da batalha
Preciso de você para brilhar sobre mim

Mas ao dizer “eu olho pra você”, a cantora encerra sua música num tom de esperança.

Quando as melodias se foram
Em você ouço uma canção
Eu olho para você

Vamos ouvir?