Whitney Houston e a fama que consome e faz sofrer

Não sou famoso. Nem tenho a pretensão de ser. Entretanto, imagino que a vida de um famoso seja cheia de contradições. É verdade que a bajulação e o dinheiro garantidos pelo sucesso fazem um bem enorme, principalmente para o ego. Entretanto, a vida sob os holofotes também tem um custo elevado.

Há muitas perdas. A primeiras delas é da privacidade. Embora milhares de pessoas façam tudo para aparecer e ter seus 15 minutos de fama, ter a vida vasculhada não é divertido. Se a pessoa vai à praia, será fotografada, filmada; se vai ao restaurante, idem; se beija alguém, sai na capa da revista… Isso pode até ser agradável por algum tempo. Mas não o tempo todo.

A liberdade é um dos bens mais preciosos. É bom não sentir-se pressionado e poder ir ao supermercado de chinelo e camiseta velha ou sem nenhuma maquiagem.

Também se perdem amigos e até a família fica distante. A maioria dos famosos teve uma vida antes de tornar-se estrela. Tinha amigos, gente que não estava ali por causa da fama do sujeito. Ainda no último domingo falava sobre o preço do sucesso para Michel Teló. O casamento dele acabou. Teló perdeu a esposa. Outros perdem a namorada, o marido… O contato com os pais, irmãos, tios, primos fica cada vez mais restrito. E, por vezes, a família passa a ser uma lembrança no porta-retratos. Ou serve para aparecer naqueles depoimentos chorosos nos programas dominicais da televisão.

Nem todos estão preparados para isso. Por isso, a mesma fama que causa deslumbramento e leva à glória pode roubar a alegria de viver.

Não sei se foi este o caso de Whitney Houston. Entretanto, não faltam exemplos de artistas – nomes da música, do cinema e da televisão – consumidos por um grande vazio existencial. Todo o sucesso, o dinheiro e os aplausos que receberam não foram suficientes para garantir felicidade. Muitos tentaram acalmar o coração no sexo fácil, no uso de medicamentos, álcool e drogas.

E é fácil entendê-los. As perdas que o sucesso impõe são grandes demais para alguns. As exigências e as cobranças, também.

Quem chega ao topo sente-se na obrigação de ali permanecer. O mundo não tolera o fracasso. Um filme ruim de bilheteria, um disco que não vende, um show que não atrai multidões são suficientes para tirar o artista das capas de revista. Desaparecem os convites para festas, os contratos publicitários vão minguando e o mesmo que aplaudia é aquele que ignora, critica e abraça uma outra celebridade que desponta.

Também deve ser difícil conviver com pessoas que te elogiam o tempo todo. Os erros são silenciados. Porém, quem estaria ali dizendo a verdade? Verdadeiro e falso se confundem e o sujeito atrás do personagem (o artista) talvez viva a solidão. Tem tudo o que precisa, todos estão a sua volta, mas não sabe se é amado.

Não, não estou dizendo que é ruim ser famoso. Apenas que todos eles são pessoas. E pessoas sofrem, perdem-se em seus próprios sentimentos e emoções – mesmo tendo a glória que o sucesso pode garantir.