Redes sociais foram fundamentais para manter pressão sobre os vereadores de Maringá

Confesso que estou surpreso. Surpreso e satisfeito. Não imaginava que a sociedade tivesse fôlego para manter viva a discussão sobre os salários dos vereadores, secretários, prefeito e vice.

Quando a Câmara de Maringá aprovou os chamados supersalários, a pressão começou. Os parlamentares foram acuados. E, num primeiro momento, parte deles virou as costas para a sociedade.

Aqui no blog comentei que os vereadores contavam com o esquecimento da população. E contavam mesmo. Naquelas conversas de bastidores, alguns têm coragem de revelar que esperavam pela reação popular. Porém, achavam que, depois de algumas semanas, o assunto cairia no esquecimento.

Como ainda faltava um ano para a disputa eleitoral, não haveria prejuízos nas urnas.

Não foi o que aconteceu. Por algumas semanas, o tema até chegou a ser silenciado. Mas não por muito tempo. Foi só durante as festas de fim de ano e o recesso da Câmara. Os trabalhos recomeçaram e a pressão voltou.

Muito disso se deve as redes sociais. Tanto a organização de movimentos de reação quanto ao debate continuo do tema. E, como a mídia reflete as flutuações da atmosfera social, o assunto se manteve na pauta do dia dos veículos de comunicação.

Por isso, nessa quinta-feira, logo após a sessão ordinária, os vereadores vão se reunir para um primeiro diálogo a fim de buscar o consenso no que diz respeito aos subsídios.

Não será fácil, é verdade. Até porque muitos deles trabalharam pelo aumento. Entretanto, estão dispostos a recuar. Querem pôr fim a esse assunto que promete assombrá-los até o fim da atual legislatura. Os vereadores não querem isso. Pensam na disputa eleitoral e desejam apresentar-se ao eleitorado com uma lista de bons serviços prestados. Principalmente, com o título de moralizadores da Casa de Leis.

Afinal, com algumas exceções – essa bobagem dos salários é uma delas -, as ações da atual Legislatura são muito distintas de outras tantas que vimos em anos passados, em especial quando se comprava notebooks por R$ 10.980,00 e a lista de viagens e diárias dos parlamentares não cabia numa folha de papel.

Como disse, a reunião de hoje é uma primeira tentativa. Alguns, como Heine Macieira, alimentam a expectativa que seja possível fechar um acordo ainda hoje visando apresentá-lo às entidades de classe já no dia 1º de março.

Fica nossa esperança que o bom senso prevaleça.

E salve a democracia!

Vai tarde, Ricardo Teixeira

Tem coisas difíceis de entender… A sujeirada de Ricardo Teixeira é antiga. Faz parte da história dele à frente da CBF. Entretanto, os casos suspeitos – ou concretos – nunca foram pauta da imprensa nacional. Talvez em função da força da entidade, dos interesses econômicos, da importância do futebol para os índices de audiência. Entretanto, o silêncio está sendo rompido. Por quê?

Teixeira está fragilizado. Esbarra nas portas fechadas da presidente da República. O diálogo com a Fifa já não é o mesmo. Blatter não parece disposto a manter a associação com Teixeira. E agora a imprensa, que sempre o protegeu, divulga denúncias contra o presidente da CBF.

Ao que parece, o reinado de Ricardo Teixeira está acabando. Não sei se isso é bom ou ruim. Difícil acreditar que o futebol brasileiro será profissionalizado. Os cartolas todos têm velhos hábitos. E os clubes brasileiros são ferramentas usadas por alguns para enriquecer e garantir prestígio. Também não dá para saber se haverá conquistas a ponto de afetar a Copa de 2014.

Apesar das dúvidas, torço pela queda de Teixeira. Será hoje? Ninguém sabe. Por enquanto, só especulação. Acho que só um milagre salva o presidente da CBF.

Entretanto, como diria o filósofo Tiririca, “pior que está não fique”. Então, já vai tarde, Teixeira.

Sobre a mídia… Bem, a mídia é a mídia. Uma teoria que a gente chama de “preservação da face” explica bem seu comportamento. Em resumo, os veículos agem de acordo com o que é conveniente.