Unanimidade perigosa na Câmara de Maringá

O termo usado para definir a posição dos vereadores é bastante sugestivo. Unânimes. Vereadores unânimes. É fato que são unânimes quando o assunto é baixar o salário de R$ 12 mil, aprovado para a próxima legislatura. Entretanto, essa “unanimidade” é enganosa. Nunca uma “unanimidade” pôde ser tão perigosa.

É preciso dizer que a revisão dos subsídios só vai acontecer por causa da pressão popular. Com algumas exceções, a maioria dos parlamentares, que agora defende a redução, recuou por causa da reação da comunidade – principalmente nas redes sociais (com eco na imprensa local).

O que aconteceu na reunião dessa quinta-feira e os bastidores do Legislativo trazem algumas impressões. Há um grupo disposto a resolver a questão. Quer responder a sociedade e definir os novos subsídios. Outros estão sendo levados pela “onda”. Sentem o impacto das críticas, mas não estão empenhados em derrubar os salários. Ainda assim, no discurso, mostram-se unânimes.

Acredito que os subsídios serão revistos. Reduzidos. Mas o acordo não será tão simples.

Há feridas não fechadas. Vereadores que querem dar show. E ainda quem está pouco interessado no assunto.

É difícil prever, por exemplo, como irão reagir Wellington Andrade e John Alves Correa. Ambos nem participaram da reunião de ontem.

Ninguém aposta no que Wellington poderá fazer. Já o ex-presidente tem agido de forma irônica. E John é completamente imprevisível. Nunca é possível saber que “armas” pode utilizar.

Paulo Soni está machucado. Ofendido. Sente que foi o único responsabilizado pela ausência de uma reação imediata da Câmara quando o subsídio de R$ 12 mil foi aprovado. Ele participava da Comissão de Finanças e Orçamento, que poderia ter apresentado um projeto de revisão dos salários. Foi parar na capa dos jornais. Foi acuado pela imprensa. Flávio Vicente teria colaborado para isso, quando disse que assinaria o projeto de revisão e só faltava Soni fazer isso. Por isso, quer manter os atuais R$ 6,7 mil. E não perdoa Vicente.

Manoel Sobrinho, que parece ter parado no tempo, nos anos áureos da revolução cubana, também sustenta os R$ 6,7 mil.

Convenhamos, soa quase como demagogia fixar o subsídio dos vereadores no patamar atual.

Mas o salário dos vereadores não é o único problema. Tem ainda o do prefeito, do vice e dos secretários. E só a chamada oposição quer mexer nos subsídios do Executivo. Os valores poderão ser reduzidos? É provável que sim. Mas apenas por uma questão simbólica, para dar uma espécie de resposta à sociedade.

São situações como essas que colocam em xeque a revisão dos subsídios. A Comissão de Finanças e Orçamento promete apresentar um novo projeto. Fará isso após a reunião com representantes de entidades de classe. No entanto, quem garante que esse encontro será produtivo?

Ainda assim, uma proposta deverá voltar a ser apreciada no plenário. Provavelmente já no próximo mês. Resta esperar pelo bom senso. Inclusive da sociedade. E dos movimentos populares.

A crítica aos vereadores quase sempre se justifica. Em especial, pela pouca produtividade da Câmara. Isso, porém, não é argumento para deixar de reconhecer que cabe sim um reajuste nos subsídios. O que precisamos é que isso seja feito sobre bases (indicadores econômicos) razoáveis. O passo seguinte é nosso: eleger gente mais qualificada para nos representar.

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6 comentários em “Unanimidade perigosa na Câmara de Maringá

  1. Que tal um debate entre sociedade civil organizada e vereadores, cuja pauta seria a produtividade (qualitativa) da câmara dos últimos 4 anos. Uma espécie de um balanço.
    Tenho certeza que os resultados seria negativo para os vereadores, e consequentemente para a sociedade. Isso é fato!!!!! É só dar uma olhada nas pautas: disponível em: .

  2. Ronaldo, meu velho, muito se fala dos subsídios dos vereadores da próxima legislatura, e pouco sobre o escandaloso aumento na verba de gabinete aprovado na esteira do acordão que gerou o corte de alguns assessores, para equilíbrio entre servidores de carreira e comissionados. Esta verba é ilegal, já se multiplicou de R$ 6 mil para R$ 16 mil em uma única legislatura, há suspeita de que alguns estejam ficando com parte desse dinheiro para si e o assunto, estranhamente, não ganha repercussão. O que você imagina que esteja por trás desse silêncio dos tais ‘movimentos populares’?

  3. Caros,
    Assistimos pelas redes sociais uma mobilização “sui generis” da população que (teoricamente) não está “organizada” como entidade de classe. Porém, atribui-se a essa mobilização a “mudança” de opinião dos nobres “edis”. Ora, então fica a pergunta. Por que o nobre vereador Flávio Vicente, defensor e propositor do reajuste para R$12 mil para os Vereadores, está tentando “limitar” justamente a participação daqueles que mais se mobilizaram e garantiram a “revisão” da opinião dos mesmos? Será que apenas os nobres vereadores tem o direito de opinar sobre qual deve ser o valor? Será que pré-candidatos a vereador não tem direito de dar a sua opinião sobre o assunto? Nós, do Movimetno $uper$aláriosnão! Estamos ficando apreensivos!
    O Debate público do dia 1º de março terá que levantar qual será a manifestação da população de Maringá! E não será com exclusões de protagonistas do movimento que isso pode ser considerado uma decisão democrática!

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