O papai matou a mamãe

A frase é de uma garotinha de quatro anos. Foi dita minutos depois de a pequena ter presenciado o pai esfaqueando a mãe.

O fato aconteceu em Maringá por volta do meio-dia dessa terça-feira de Carnaval. O pai da meninha, um jovem de 24 anos, brigou com a mulher, também 24 anos, e a matou. Depois de ter cometido o crime, pegou sua motocicleta, foi para a avenida Colombo e, trafegando na contramão, foi atropelado por um caminhão. Provavelmente, suicídio.

Ouvi essa história hoje pela manhã. Entretanto, só há pouco soube que tinha uma garotinha envolvida.

A pequena teria saído de casa, após o crime, a fim de pedir ajuda. Provavelmente, sem entender muito bem o que estava acontecendo. E sob fortes emoções.

Fiquei chocado. Por ser jornalista, estou acostumado com histórias dramáticas. Já desenvolvi um mecanismo de defesa e raramente me envolvo com os fatos. Entretanto, toda vez que tem criança envolvida, a coisa complica… Lembro dos meus filhos.

Eu não sei como vai ficar a cabecinha dessa garota. Ela perdeu a mãe e o pai. No mesmo dia. Ser criada sem os pais já é motivo para comprometer o desenvolvimento dela. Ter visto a morte da mãe, e pelas mãos do próprio pai, deve motivar um trauma difícil de ser superado.

Essa menina vai precisar de muita ajuda, compreensão, amor para superar as perdas e, principalmente, as cenas que assistiu. A avó, que ficará com a guarda da garota, terá de ser sábia. E entender que o episódio pode deixar marcas que vão aparecer apenas na adolescência ou na fase adulta.

No entanto, esse caso me faz refletir em algo que vai além da menina, do casal e das mortes brutais. Por que as pessoas têm filhos quando não estão preparadas para isso? Por que se unem sem maturidade para dividirem uma vida?

Eu não sei o que motivou a briga. Sei apenas que gente é bicho esquisito, complexo, pode perder a razão. Porém, matar é outra história. Pessoas emocionalmente imaturas não deveriam assumir relacionamentos. E quem aceita viver com alguém assim tem de entender os riscos que está correndo. Logo, não pode ter filhos.

Hoje, não faltam mecanismos para evitar uma gravidez.

O problema é que esse tipo de pessoa não tem capacidade de pensar, de lembrar-se que, quando tem um filho, torna-se responsável por uma outra vida. São pais que matam os sonhos, os futuros de seus filhos.

Lamentável. Ainda mais por notar que todas as contradições da sociedade nascem em famílias desestruturadas. O mundo paga um preço muito alto por ignorar o valor e as influências (para o bem e para o mal) das relações estabelecidas dentro de casa.