A reforma da praça da Catedral: coisas que não entendo

Tem coisas que eu não entendo. Por mais que me esforce. Uma delas é esse imbróglio envolvendo a reforma da praça da Catedral de Maringá.

Vou explicar. A Catedral é a principal referência turística da cidade. Talvez um dos pontos mais belos.

A praça anda caidinha, caidinha.

Depois de muito tempo, a prefeitura desenvolveu um projeto, apresentou à igreja, abriu licitação e divulgou a empreiteira vencedora.

Uma obra de mais de R$ 5 milhões.

Quando foi encerrada a licitação, o secretário de Obras Públicas falou à imprensa que, em cerca de 10 dias, a administração municipal assinaria a ordem de serviço e os trabalhos começariam.

Até aí, tudo bem.

Passado o prazo, alguns de nós lembramos que as máquinas já deveriam estar chegando ao local. Pelo menos, alguns operários. Nada.

Pergunta pra um, pergunta pra outro, descobrimos que a bendita obra estava empacada. A ordem de serviço não seria assinada.

Motivo: o projeto da prefeitura avança por sobre 345 metros quadrados que são de propriedade da igreja. E a administração da Catedral não quer encrenca com o Ministério Público. Afinal, tem viva a lembrança de uma outra picuinha: durante anos, o município pagou a conta de energia elétrica da Catedral. O Ministério Público entendeu como irregular e a igreja teve que se explicar.

Agora, a Cúria não quer ver as cenas se repetirem. Por isso, pede um parecer jurídico que sustente que estará livre de problemas. O fato de a prefeitura executar uma obra, e pagar por ela, numa área da igreja, não resultará em cobrança ou alguma ação judicial. É essa segurança que a igreja quer.

A posição é justa.

Porém, vamos ao que eu não entendo. Se:

– durante meses a prefeitura desenvolveu o projeto;
– o projeto foi apresentado à administração da igreja;
– o projeto foi analisado pela igreja e pela prefeitura;
– o projeto foi licitado e, enquanto o edital estava aberto, tudo parecia em perfeita ordem;

por que só agora lembram das obras nesses benditos 345 metros que pertencem a igreja, mas estão dentro do projeto e seriam pagas pela prefeitura?

Ninguém viu antes?
Se viu, por que não falou?
Se falou, por que ninguém ficou sabendo?

À primeira vista, dá a impressão que a igreja não viu direito o projeto. Ou viu e não disse nada. Afinal, poderia ter barrado lá atrás. A cidade não precisava ficar esperando por uma obra que agora nem dá para saber quando vai começar.

Por outro lado, será que a prefeitura sabia que teria problema e mesmo assim deu seqüência ao processo licitatório?

Não sei quem está certo ou quem está errado. Sei apenas que isso é barbeiragem. Alguém fez bobagem.

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7 comentários em “A reforma da praça da Catedral: coisas que não entendo

  1. Meu caro, eu tenho algumas suposições, mas nenhuma certeza. Apenas me lembro que o poder público municipal em Maringá e a Igreja Católica já promoveram alianças e desavenças. O templo católico está no centro da cidade, fazendo sombra para o Paço Municipal, Câmara de Vereadores e o Fórum.
    Mais do que até onde vai o terreno da Igreja e o da Prefeitura, as relações de poder também se mede pela extensão do mando. Acredito que o problema da licitação é falta de confiança em quem já fez parceria para sustentar o poder. Farpas do passado entre quem já escreveu juntos boa parte da política local.

  2. Enquanto a praça da antiga rodoviaria esta abandonada ,suja cheio de pessoas mal intencionada,usuarios de drogas, a prefeitura quer mexer na praça da prefeitura? tenha dó o povo esta de saco cheio desta atual administração de maringá que vive de brincar com o dinheiro cobrado do couro e suor da população.

  3. até consigo imaginar como isso chegou a esse ponto: o projeto chega às mãos da Prefeitura e é aprovado daquele jeito (numa calorosa coletiva promocional de imprensa. Na igreja, tem aprovação sem mesmo a leitura das “linhas de rodapé”. Resultado: o projeto chega no jurídico desse povo, pronto! Começam os impasses.

  4. Eu concordo com vc Ronaldo. Só q não fizeram bobagem não. Existe o dolo eventual de alguém envolvido. O fato é que quem perde é a cidade. Só.

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