É hora de proteger a Casa do Povo

Uma mulher tentou se suicidar na Câmara de Maringá. Foi ontem de manhã. Um assessor do vereador Luiz do Postinho conseguiu evitar uma fatalidade.

Entretanto, mais que a “loucura” da mulher, o fato chama a atenção para a falha no sistema de segurança do Legislativo local. Hoje, qualquer pessoa entra e saí sem sequer ser abordada. É possível ir até os gabinetes sem esbarrar em nada, em ninguém.

A mulher de ontem era uma pedinte. Mas poderia ser um maluco com outro tipo de intenção.

Gente, deixa eu explicar direito, é possível entrar na Câmara armado.

Tudo bem… É verdade que uma pessoa armada pode entrar numa loja, numa farmácia, num posto de combustível. Entretanto, o Legislativo é um espaço diferenciado. Por sua própria natureza, pode despertar “paixões”. Não seria impossível alguém entrar ali para ameaçar um vereador ou mesmo para tentar fazer “justiça”.

Ontem, quando conversei com o presidente Mário Hossokawa sobre o assunto, ele disse que existe um projeto para melhorar o sistema de segurança. Reconheceu, inclusive, que atualmente o sistema é bastante falho. No entanto, afirmou que tem retardado a licitação de equipamentos.

Na verdade, na busca por economizar, o presidente tem postergado a compra. Fica naquela: “qualquer hora, a gente compra”. Como nunca aparece uma situação que o “estimule” a abrir a licitação, o edital nunca sai.

Hossokawa não está errado ao pensar na economia, evitar gastos. Mas esse é um investimento necessário. Frequento o Legislativo e sei que a segurança é falha.

Reconheço que muita gente adoraria dar umas “palmadas” em certos vereadores. No entanto, uma casa de leis tem que ter um sistema que possa garantir a segurança dos legisladores e dos demais funcionários.

Atualmente, todas as vezes que há um assunto polêmico para ser votado, que especula-se uma “sessão quente”, é preciso chamar a polícia, fazer revista etc etc. Tudo muito constrangedor. Isso não seria necessário se a Câmara contasse com uma porta giratória, fosse solicitada identificação dos visitantes… coisas do tipo.

Penso que está na hora do presidente tomar uma providência. É preciso sair do projeto para a ação. O sistema de segurança é uma necessidade. Não se trata de proteger vereadores. Trata-se de proteger a dignidade do Legislativo, a casa do povo.

Há dois anos, superintendente do HU anunciava contratação definitiva de 141 servidores

Ontem, quando olhava as estatísticas do meu site, esbarrei no título de um texto que, num primeiro momento, pensei até que não fosse meu. Confesso que não lembrava de ter escrito. Veja:

Governo autoriza HU de Maringá a contratar 141 funcionários

Sim. Este é o título.

Fiquei curioso. Quando escrevi? O que aconteceu?

Abri o link e encontrei a seguinte informação:

Trinta deles, médicos. A notícia foi dada hoje, em primeira mão, pela CBN Maringá. Segundo o superintendente do HU, José Carlos Amador, essa é a principal conquista nesses quase quatro anos em que está à frente da administração do hospital.

Quem é mais atento, deve lembrar que, nas últimas semanas, vimos, lemos e ouvimos várias matérias sobre o risco de o Hospital Universitário deixar de atender a partir do dia 1º de abril. Motivo? O fim do contrato de trabalho de 141 servidores.

Quem são eles? São esses daí da notícia acima. E sabe de quando é a notícia?

Pasmem!!! 3 de março de 2010.

É isso, caríssimos. Há dois anos, o superintendente do HU dava como certa, definitiva a contratação desses servidores – 30 deles, médicos.

Sabe o que aconteceu? A contratação foi temporária – como já vinha sendo feito. Eu desconhecia isso. Nem lembrava da declaração do médico José Carlos Amador. O motivo para uma possível interrupção do atendimento no HU, para mim, era um fato novo. Não era por um problema tão antigo e que se arrasta há tanto tempo.

Lamentável!

Fico indignado por notar o descaso do Estado e a ausência de disposição para resolver definitivamente o problema. Fico constrangido por ter noticiado, há dois anos, algo que era apenas uma verdade parcial. As contratações foram temporárias, ao contrário do que foi divulgado pela superintendência do HU.

É preciso descobrir as bibliotecas

Tempos atrás questionei por aqui:

Para quê servem os livros?

Também já falei sobre o abandono das bibliotecas. Afinal, quase não se investe em espaços adequados para livros e leitores.

Entretanto, sinto-me incapaz de ir além nas minhas reclamações. Afinal, nós mesmos somos parcialmente responsáveis por esse quadro. O que dizer disto?

Cerca de 75% dos brasileiros jamais pisaram em uma biblioteca, diz estudo

A situação fica ainda pior quando cruzamos os dados. É fato que faltam bibliotecas, principalmente bibliotecas modernas, bem cuidadas, com diversidade de acervo. Porém, a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil revela que 71% dos brasileiros sabem onde estão localizadas, têm biblioteca na cidade, moram próximos ou relativamente próximos, poderiam frequentá-la, mas não o fazem.

O que dizer?

Eu não sei. Tudo bem, temos um péssimo histórico. Nossa relação com os livros não é grande coisa. O país nunca valorizou espaços públicos de leitura. Mas, gente, será que não poderíamos desligar um pouquinho a televisão, os “Big Brother” da vida e ler algumas páginas por dia?

Sei que é mais fácil assistir TV que ler. Também sei que ficar na internet entretém muito mais que um livro. Porém, nem o primeiro nem o segundo hábitos garantem os benefícios de uma boa leitura. Ler exercita o cérebro. Estimula a criatividade, a imaginação. Amplia o conhecimento. Faz-nos mergulhar num mundo completamente novo.

Ler cansa? Cansa. Dá trabalho? Dá. Mas garante um prazer diferente… Que palavras não traduzem… Que só os grandes leitores experimentam.

Millôr Fernandes: quase uma filosofia de vida

Eu não tenho muita coisa a dizer. Faço parte de uma outra geração. Por aí, sabem muito mais dele do que eu. Cada texto que encontro sobre o Millôr mostra uma pessoa ainda mais incrível – do ponto de vista humano, cidadão, profissional.

Ou seja, falar que o escritor, dramaturgo, humorista, cartunista etc etc era alguém sensacional, não vai tornar meu texto significativo nesse universo de lembranças e homenagens a esse brasileiro, motivo de orgulho para nossa gente.

Então por que também falo dele aqui?

Porque um sujeito que tenha dito uma frase como esta merece, hoje, ocupar um espaço de destaque na “estante” de todos os jornalistas que valorizam a profissão e sabem do seu papel social. Veja:

Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados

Não, não se trata de ser do contra. Não se trata de achar tudo ruim. No entanto, é preciso questionar, duvidar sempre. Devemos reconhecer o que é bem feito, mas nosso papel principal é cobrar, cobrar… Ocupamos uma posição privilegiada, pois estamos mais próximos dos fatos, dos acontecimentos. Portanto, se nos silenciarmos, qual será nosso valor?

É… Os últimos dias não estão bons. Perdemos o Chico… Agora é a vez do Millôr. Nossa geração terá ícones, referências tão ricas como eles foram para nós?

Seus beijos, hoje, são frios

Não há nada mais nocivo para um relacionamento que o passado. O mesmo passado que guarda os grandes momentos é aquele que pode preservar as lembranças ruins. Tenho dito que é preciso romper com o passado para viver o presente e construir o futuro, mas não é simples superá-lo quando o relacionamento está todo machucado.

Como observador do comportamento humano, defendo que a melhor maneira de proteger o romance é investir nele todos os dias. Mesmo quando falta vontade. Porque a falta de hoje pode ser motivo para arrependimento amanhã.

Quem está vivendo o momento nem sempre se dá conta que certas atitudes vão distanciá-lo da parceira (do parceiro). A pessoa faz o que faz e acha que, depois, será possível arrumar tudo, consertar tudo. O problema é que nem sempre dá.

O amor precisa ser alimentado. E são os pequenos gestos que dão vida ao sentimento. A chama se mantém acesa quando “colocamos lenha na fogueira”. As ações que magoam, que chateiam, que provocam brigas, dúvidas, incertezas, frustrações, decepções vão ferindo dia após dia. Quando menos se percebe, resta pouco – ou quase nada – a fazer.

Conheço algumas dessas situações. Em quase todas, existe amor. Porém, há um descompasso entre os parceiros. Enquanto um investe demais, o outro se mantém ocupado com uma série de coisas. Não se entrega. Acha que o parceiro estará sempre ali e que, se ficar chateado, é só dar uns beijinhos, fazer um carinho, “provocar” um pouquinho e tudo ficará bem.

Isso pode até dar certo. Mas, por um pouco de tempo. Não por uma vida toda.

Sei de gente que segurou o romance por meses e até anos nesse jogo de “morde e assopra”. A pessoa vai lá e magoa a outra e, depois, faz um agrado e ficam bem. Acontece que num determinado momento a “brincadeira” perde a graça. E a parte magoada já não se conforma mais com migalhas. Desconfia… Sabe que poderá se machucar de novo. E as feridas estão ali para não deixar esquecer.

Sabe, em quase todas as histórias que tal situação é vivenciada, a pessoa que feriu – que não mergulhou totalmente no romance, que não soube poupar, proteger – acaba se arrependendo. Num belo dia, descobre que o outro faz falta. E percebe isso porque começam a diminuir as palavras de carinho, os gestos delicados e começa a aparecer um abismo entre os dois. Aí tenta correr atrás, recuperar o tempo perdido… Fala de saudade, amor, querer, vontade, desejo e não mais encontra eco para suas palavras e expressões.

Quando isso acontece, se há disposição para salvar o relacionamento, é preciso ter paciência. E investir no romance. Entregar-se completamente. Abrir mão de hábitos que provocaram as mágoas, deixar de lado aquilo que causou o distanciamento, a frieza e, principalmente, a desconfiança.

Não é fácil. Pode dar certo. Mas não há espaço para “remendos”. É preciso reformar por completo. Afinal, quem se machucou uma vez tem medo de se machucar de novo.

Uma vida é curta diante do universo de saber

Gravei há pouco na CBN uma entrevista sobre a História da Física. Fiquei impressionado com minha falta de conhecimento. Senti-me um completo ignorante. Já tinha consciência disso antes da conversa. Entretanto, o papo só reforçou o que já imaginava.

Pouco antes da gravação, comentei com o professor pós-doutor em Física, Luiz Roberto Evangelista, que hoje era meu dia de “pagar mico”. Afinal, minha formação em Física é péssima. Como meu curso no Ensino Médio era técnico, tive apenas um ano da disciplina. E isso faz 20 anos. Portanto, não lembro quase nada.

Ainda assim, me aventurei a entrevistá-lo. Afinal, ele é autor de uma obra muito interessante. Nela, o educador resgata o nascimento desse conhecimento científico e mostra sua evolução ao longo dos anos. É impressionante, principalmente por descobrirmos que o berço da Física é o mesmo da Filosofia.

Bem, mas este não é o foco deste post. Na verdade, queria falar da minha relação com o conhecimento. Dias atrás, conversava com uma pessoa sobre a quantidade de informações que hoje temos disponível e chegávamos a conclusão socrática que, quanto mais sabemos, mais notamos nossa ignorância.

Todas as vezes que leio algo novo, percebo minha insignificância. Há tanto saber no mundo e acessamos tão pouco esse universo… Diria, nos contentamos com migalhas de um banquete infindável em que os pratos são cada vez mais saborosos e elaborados.

Eu queria ter mais tempo. Mais tempo para ler, mais tempo para estudar. Queria entender melhor os fenômenos naturais – sejam físicos, químicos… em especial, os da natureza humana. Somos tão complexos. Em todos os sentidos.

Sabemos tão pouco sobre nós e a respeito do mundo. Pior é que nos contentamos com isso. A visão rasa, superficial das coisas nos satisfaz. E julgamos que o aparente expressa toda a verdade. Quão medíocres somos.

Por vezes, em sala de aula, me deparo com essa rejeição ao saber. Pelo simples fato de supostamente o conteúdo não ter efeito prático na profissão desejada, o sujeito mantém indiferente ao conhecimento. Nega-se a aprender.

– Para quê preciso aprender isso?

É a pergunta que geralmente alguns fazem.

Pelo papel que ocupo, quase sempre busco justificar a necessidade da informação proposta. Entretanto, acabo me sentindo frustrado por notar que vivemos um momento em que valoriza-se o saber imediato, prático. Aprende-se algo para fazer alguma coisa. É isso que motiva as pessoas. Não se aprende por aprender, pelo prazer de ter o conhecimento.

Quando penso nisso lembro do filme Matrix. E de um dos argumentos do vilão: tem muita gente que não se dá conta do que está acontecendo e está satisfeita em viver do jeito que está vivendo; sem saber que está num jogo.

Sabe, talvez isso não nos faça mais feliz… Porém, sinto falta de saber o que existe além do aparente, do que se mostra visível.

Na segunda, uma música

Uma das belezas da vida é a possibilidade de sempre surpreender-nos. Claro, nem sempre somos presenteados por coisas boas. Entretanto, quando menos se espera, algo novo pode surgir, capaz de tirar nossos pés do chão.

De certa forma, é disso que fala a música que compartilho. Num determinado momento, quando menos se espera, alguém chega e passa a tomar conta de seus pensamentos. E, melhor, você descobre que também é a razão dos pensamentos do outro. Mas nada é perfeito… Desencontros sempre vão existir – ainda que o amor nos domine.

Até mesmo o melhor falha algumas vezes
Até mesmo as palavras erradas parecem rimar
Fora da dúvida que enche minha mente
Eu acho de alguma maneira, você e eu colidimos

Collide é a música de hoje. O intérprete é o cantor de pop rock americano Howie Day.

Adeus, Chico

Meses atrás, escrevi aqui sobre o drama de Chico Anysio. Nosso maior humorista estava hospitalizado, lutando pela vida. Nesta sexta-feira, porém, não resistiu. Leva com ele a graça, a inteligência e beleza de um humor que anda fazendo falta na televisão.

Nunca fui um fã do Chico. Não fiz parte da geração que viveu os grandes momentos do comediante. Quando o descobri, já era adolescente e o seu “produto” de maior sucesso era a Escolinha do Professor Raimundo – copiada até hoje por vários humoristas e até por quem não domina o assunto, caso de Gugu Liberato, na Record.

Entretanto, cresci ouvindo meus pais falarem do grande Chico Anysio. Comentavam, inclusive, dos tempos dele no rádio.

Talvez por isso sempre o admirei, mas tendo por ele um olhar muito mais de respeito que de participante do seu público.

Hoje, quando digo “Adeus, Chico”, faço isso não com lágrimas como daqueles que riram com suas piadas. Nem há dor na despedida. Mas há a sensação de perda. Perda de um profissional digno, que foi referência no que fez e, principalmente, perda de uma escola de humor que deixou de existir na telinha há algum tempo.

A morte de Chico significa um pouco a morte do humor capaz de provocar risos com piadas aparentemente ingênuas, personagens caricatos ou pela inteligência das críticas políticas e sociais. Isto, num tempo em que o sexo não era estratégia para ganhar audiência nem escada para comediante provocar o riso do público.

O Chico morreu. Mas já sentíamos falta de sua arte.

Foto: Folha de São Paulo