Em Maringá, está proibido morrer

Ninguém quer morrer. Mas não tem jeito. Todo mundo tem sua hora. Mais cedo ou mais tarde.

Entretanto, em Maringá, a coisa está complicada. Morrer pode sair caro. Muito caro.

Faltam jazigos. O cemitério municipal praticamente não tem sepulturas. E o cemitério parque, que é privado, agora está cobrando mais caro.

Isso está gerando uma espécie de especulação imobiliária. O terreno no cemitério nunca esteve tão valorizado. Tem gente que está removendo os restos mortais dos parentes para vender o jazigo.

É a exploração da desgraça alheia.

Então… o negócio é não morrer.

Parece piada, né?

Acontece que não tem graça. A administração não se antecipou ao problema. Faltou planejamento. O município tem uma boa proposta, mas até o momento não se mostrou eficaz para resolver a situação.

No fim de janeiro, o secretário de Obras, Laércio Barbão, já falava em mudanças no cemitério. A ideia é reduzir os espaços entre as sepulturas e aproveitar melhor a área, já que, quando foi criado, o sistema viário foi superdimensionado. Ou seja, se a prefeitura estreitar as ruas que ficam dentro do cemitério, é possível abrir novos jazigos.

As alterações, conforme o secretário, devem garantir dois anos de sobrevida ao local. E o município ainda trabalha com a proposta de um cemitério vertical, dentro do espaço do atual cemitério, mais o projeto de implantação de um novo cemitério noutro local. O problema, nesse caso, é convencer os futuros “vizinhos”. Afinal, ninguém quer um cemitério perto de casa.

Ou seja, a prefeitura tem projetos.

Entretanto, ter projeto é uma coisa, implementá-los é outra. E é aqui que o bicho pega. Se as ideias já tivessem se transformado em ações, não estariam ocorrendo casos de especulação na venda de sepulturas.

Vejam bem, as declarações feitas pelo secretário Barbão a respeito do cemitério foram dadas à CBN Maringá no final de janeiro. Estamos em março. E numa reportagem publicada quarta-feira no jornal O Diário, o discurso da administração foi de que o estudo para otimizar os espaços no cemitério está sendo preparado.

Convenhamos… esse negócio está devagar demais. Daqui a pouco vamos ter que convocar sessão extraordinária na Câmara de Vereadores para oficializar que o sujeito está mesmo proibido de morrer por aqui.

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