Queria andar de bicicleta

De verdade! Ainda ontem falava sobre isso. Após uma entrevista sobre a necessidade de investimentos em ciclovias e ciclofaixas, comentava:

– Que vontade de sair por aí pedalando.

Durante toda minha adolescência, rodei muito de bicicleta. Todos os dias, percorria dezenas de quilômetros. Como comecei a trabalhar muito cedo, tinha apenas 13 anos, e o emprego era longe de casa, eu vencia as distâncias de bicicleta.

Anos depois, já casado, voltei a pedalar. E fiz isso até vir para Maringá.

Hoje, sinto falta. Porém, confesso que estou acomodado com as facilidades do carro e da motocicleta. Mas sei que, se as condições fossem outras, não teria problemas em fazer o trajeto casa-trabalho-trabalho-casa numa “magrela” – e sem motor.

Quando falo em “se as condições fossem outras”, destaco as questões estruturais. Não me sentiria seguro dividindo o asfalto com carros, motos, ônibus, caminhões etc. E também acho um desrespeito com os pedestres trafegar sobre as calçadas.

Faltam ciclovias, ciclofaixas.

Na entrevista que mencionei, ouvi do mestre em Engenharia Civil e autor de um estudo de caso que analisou o potencial cicloviário de Maringá, Tiago Botion Neri, que Maringá tem atualmente cerca de 18 quilômetros de ciclovias. Precisaria de 95km. E deveriam funcionar de maneira integrada para contemplar as regiões mais movimentadas e populosas da cidade.

Ou seja, hoje, o ciclista não encontra locais adequados para trafegar. E esta não é uma realidade apenas de Maringá. A maioria dos brasileiros enfrenta o mesmo problema. Curiosamente, nessas mesmas cidades, o poder público se debate para lidar com o trânsito que está cada vez mais complicado.

Mas pouca gente pensa nisso.

Sinceramente, acho que até enfrentaria o trânsito, “brigando” por espaço entre os veículos maiores. No entanto, não daria conta de um outro problema: a falta de estacionamento – ou bicicletários. Não tem onde deixar a bicicleta.

Prender na árvore? No poste? Não dá.

Algumas empresas até possuem estacionamentos. Dá para achar um cantinho. Mas essa não é a regra. É a exceção.

E ainda tem outro detalhe, a bicicleta é um veículo de exige esforço. Logo, o suor faz parte da pedalada. Quando você chega ao trabalho, encontra vestiário, chuveiro? Em poucos lugares.

Portanto, mais que vencer a resistência da população ao uso da bicicleta, incentivar esse tipo de transporte é ir além do discurso educativo. É preciso investir. Poder público e iniciativa privada devem entender a importância de mudar a lógica do nosso sistema de transporte urbano.

Facilitar a vida do ciclista representaria menos carros nas ruas, menos poluição, menos barulho.

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7 comentários em “Queria andar de bicicleta

  1. Olá Ronaldo!!!
    Estive ontem a passear pela Travessa e por coincidência desse seu post, estive c/ o livro na mão Diário de Bicicleta. Me arrependi de não ter comprado, volto hoje p/ comprar, quero muito ler faz tempo. Desde quando assisti (ano passado) pela Globo News uma entrevista, muuuuito interessante c/ o autor. O jornalista acho que era Jorge Pontual…
    Adoooooro bike como vc, sintooooo muita falta, mas infelizmente zero de incentivo. tb não ando mais, perigosíssimo nessas nossas ruas…
    Mais uma coisa p/ nos fazer ficar triste pois, não poder fazer o que gostamos dá uma tristeza profunda…
    abç

  2. A proposta da bicicleta como veiculo utilitário nos deslocamentos diários é interessante e necessita de mais espaço para discussões. Parabéns pela iniciativa!

    Gostaria de informar aos interessados em adota-lá em seus deslocamentos, que existe um grupo que apóia e orienta os iniciantes e também aqueles que já não pedalam a algum tempo.

    Todas as quintas-feiras, partem da ATI do Parque do Ingá, as 19:30.
    O ritmo é iniciante, e são passadas orientações de segurança no transito, como guiar a bicicleta em meio a outros veículos.

    Mais informações podem ser obtidas na página do facebook :
    https://www.facebook.com/events/332646733453570/?ref=ts

  3. Caro Ronaldo,

    A proposta da bicicleta como veiculo utilitário nos deslocamentos diários é interessante e necessita de mais espaço para discussões.
    Meus parabéns pela iniciativa!

    Gostaria de informar aos interessados em adota-lá em seus deslocamentos, que existe um grupo que apóia e orienta os iniciantes e também aqueles que já não pedalam a algum tempo.

    Todas as quintas-feiras, partem da ATI do Parque do Ingá, as 19:30.
    O ritmo é iniciante, e são passadas orientações de segurança no transito, como guiar a bicicleta em meio a outros veículos.

    Mais informações podem ser obtidas na página do facebook :
    Pedal Noturno – Pedala Maringá
    https://www.facebook.com/events/332646733453570/?ref=ts

  4. Olá Ronaldo.
    Estou em Maringá a 5 meses, ando de bike todo dia, mas, realmente é complicado.
    Precisamos fazer algo.

    José Carlos

  5. Maringá é quase totalmente plana, existem apenas alguns pontos muito altos como a praça do Bosque das Grevíleas e outros baixos como fundos de vale.
    Precisamos investir em ciclovias e ciclofaixas urgentemente.
    Um estudo feito indica que Maringá tem potencial para 95km de ciclovias, ciclofaixas e adequação de vias normais. Isto resolveria nosso problema.
    http://www.sica.pro.br

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