Beto Richa, as ameaças de greves e o marketing político

Ninguém pode negar a habilidade de marketing do governador Beto Richa. Não foi por acaso que ele foi avaliado por várias vezes o melhor prefeito do Brasil. O sistema interno de pesquisas da prefeitura conseguia garantir um bom termômetro das insatisfações da população e as respostas do poder público contemplavam essas demandas. Com isso, o povo ficava agradecido e respondia com boa aprovação do governo dele.

No Palácio Iguaçu, Beto Richa parece disposto a repetir o sucesso que teve na prefeitura. Deixa isso claro quando, frequentemente, cita o tempo em que comandou o Executivo da capital. E as reações do governador diante das crises demonstra que age movido pelo que pode acontecer com a opinião pública.

Foi assim com a ameaça de greve dos policiais. Rapidamente, Beto tentou conter a categoria espalhando notícias na imprensa sobre investimentos que estariam sendo feitos na segurança pública – incluindo a contratação de servidores. Ou seja, mesmo sem uma proposta satisfatória para a categoria, o governador tenta manter a população ao seu lado, já que aparece na mídia mostrando as “conquistas” e os “investimentos” no setor.

A lógica é a mesma no caso dos professores e trabalhadores das universidades públicas do Estado. A ameaça de greve existe. A insatisfação é grande. Entretanto, os servidores da educação sabem que podem não ter o respaldo da população. Afinal, o governo mostra números, contratações, apresenta dados que sustentam o discurso:

– “Gente, acabei de chegar ao governo. Já fiz isso, mais isso e aquilo. Preciso que tenham um pouquinho de paciência. E já propus reajuste. Só não posso pagar tudo agora”.

E até deu data: dia 20 próximo promete apresentar uma nova proposta salarial e até rever o corte de orçamento das universidades.

Além disso, o governo conta com um argumento bastante razoável: trata-se de um ano eleitoral. Logo, a ameaça de greve é política de opositores. Esta é sempre uma boa tese. E quase sempre representa uma verdade – ainda que parcial.

Portanto, sustentando-se sob um bom marketing político, cá com meus botões, penso que Beto Richa não deverá ter sua imagem afetada junto ao eleitorado. Não creio que terá problemas para reeleger-se em 2014.

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2 comentários em “Beto Richa, as ameaças de greves e o marketing político

  1. Pois então Ronaldo…

    O tal do “marquetim” pode construir e manter uma imagem (por um certo tempo, talvez o suficiente para o dono da imagem), mas também pode esconder o declínio e até mesmo a destruição de uma realidade, que já não é lá muito boa, pelo menos em áreas fundamentais como saúde, segurança e EDUCAÇÃO…

  2. Não existe lógica alguma nisso tudo, é um absurdo o tratamento hostil que esse governo está dando aos profissionais e à educação. Cortam-se verbas mas aumenta-se salários de vereadores, prefeitos, deputados… Gente de onde sai esse dinheiro senão do nosso bolso? A sensação que dá é que somos escravizados para alimentar um sistema democrático PODRE… onde você trabalha só pra bancar o Estado e bandidos (isso se estende à penitenciárias e à câmaras, congresso…). Revotante…

    Investimentos é o cacete, vossa senhoria Beto Richa. Não trate a população como pombas, dando migalhas.

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