Por quem você ama?

Nem todas as relações terminam completamente resolvidas. Do tipo “acabou e não temos mais nada a discutir”. Muita gente fica com aquela impressão que faltou conversar, discutir melhor o que motivou o fracasso do relacionamento. Pode ser uma bobagem qualquer, mas fica ali incomodando e, pelo menos uma das partes, sente falta de pôr tudo em “pratos limpos”.

Acho isso uma besteira, porque na maioria das vezes nem toda conversa do mundo é capaz de explicar o fim de um romance. Mas entendo que, para algumas pessoas, trata-se de uma necessidade.

Bem, independente disso, e o assunto aqui é outro, o fato de o fim do relacionamento não estar resolvido na cabeça de um dos amantes pode motivar uma série de comportamentos errantes.

Não raras vezes tenho notado que, após acabar uma história de amor, muitas pessoas assumem um novo romance apenas para esquecer o anterior, para provocar o ex (ou a ex), para tentar dizer àquela pessoa que tudo já são “águas passadas” ou ainda para disputar quem agora está melhor.

Parece doentio. E até pode ser… No entanto, trata-se de uma situação muito comum.

A pessoa não está vivendo o novo namoro por ela mesma; está vivendo pelo outro. Não ama por si; tenta amar por conta do ex.

O ex (ou a ex) é sua referência, seu norte. Suas ações são direcionadas àquela pessoa que ficou no passado, mas que segue motivando suas decisões. Às vezes o outro nem sabe disso, mas ainda é a razão de existir de quem saiu ferido do relacionamento.

A pessoa faz uma coisa para o namorado, mas sua referência é o outro.

Sabe, tem gente que é capaz de casar por causa do ex-marido, da ex-mulher. Não é que realmente queira começar uma nova história. Porém, parece que precisa provar alguma coisa para o ex.

Costumo dizer que o ser humano é complexo. Muito. Quase incompreensível. No entanto, nada justifica ficar preso e construir uma vida em função de um romance mal resolvido.

Além disso, quando faz isso, a pessoa que está com você passa a ser um objeto, um adereço, um produto. Está sendo usada porque você foi incapaz de se dar conta que acabou. Não é porque o ex arrumou uma nova namorada, uma mulher que você precisa se envolver também.

Temos que entender que devemos viver em função de nós mesmos. Não das pessoas que passaram pela nossa vida. Nenhuma mulher deve ficar medindo se a atual do ex-marido, do ex-namorado é mais linda, maravilhosa, sexy ou bem-sucedida. E muito menos entrar em paranóia porque precisa achar algum sujeito mais gostosão que o cara que te deixou. Vale o mesmo para os homens. Isso só gera insegurança, frustração e infelicidade.

Esse tipo de atitude é aceitar ferir-se todos os dias. E, junto, ferir alguém inocente, que está com você.

Já escrevi aqui que nem sempre temos o controle de tudo. Muitas coisas dependem dos outros. Às vezes, nossos desejos também estão presos a uma outra pessoa. Nosso coração parece ter deixado de ser nosso. Isso incomoda e, por isso, não conseguimos tomar certas decisões. Entretanto, se o compromisso foi rompido, ainda que o sentimento prenda, seja forte, arrebatador, é necessário não se deixar ser guiado pelo passado.

Nesses casos, o melhor é deixar o tempo passar, curar as feridas, não se precipitar. Não importa o que o ex está fazendo ou deixando de fazer. Importa você. Sua vida, seu presente e seu futuro. Faça um passeio, uma viagem… por você. Troque de emprego ou cidade por você. Sonhe por você, ame por você, beije por você. Reencontre-se e seja feliz!

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7 comentários em “Por quem você ama?

  1. Você acaba de descrever uma situação que vem passando pela minha cabeça há algum tempo, infelizmente o ser humano tem a tendência em se apegar ao passado, como é o meu caso…

  2. Ronaldo, não sabia que além de profe, jornalista e grande voz, cê era um pouco psicólogo. Como o “Ké” falou, descreveu uma situação que passa pela cabeça dele…. e da minha e de, certamente, mais um milhão de brasileiros. Parabéns por lembrar-nos que “detalhes tão pequenos de nós dois” não são coisa tão grandes para esquecer. É só deixar o tempo passar. Meu lema é que na vida tudo passa, até uva passa. Um abraço, Silvio.

    1. obrigado pelo comentário, caríssimo. não sou psicólogo, mas estudei o assunto em função da especialização em psicopedagogia. e “relacionamentos” é uma área que tenho me dedicado. espero que volte sempre. abraço

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