A linguagem da web

Um dos maiores desafios para quem produz conteúdo para a internet é encontrar a linguagem ideal. Por aqui, podem ser publicados textos, fotos, vídeos, áudios. Entretanto, a rede não é jornal ou revista, não é álbum nem exposição fotográfica, muito menos rádio ou televisão. A web é outra coisa. Tem um jeito próprio. Mas qual é?

Tenho dito para meus alunos que não existe receita. Estamos descobrindo.

Experimentando, testando, acertando ou errando, vamos construindo um jeito diferente de nos comunicarmos pela internet. E, por aqui, o que funcionou ontem, pode não funcionar hoje e voltar a dar certo amanhã. Não existem garantias. Não existem fórmulas para fazer sucesso na rede.

Entretanto, é possível saber o que é bom evitar: manter a linguagem das mídias tradicionais. A gente até pode fazer isso. E faz, na maioria das vezes. No entanto, dificilmente alguém vai “bombar” por aqui usando técnicas conhecidas e que têm como pressuposto o modelo de comunicação em que há um emissor e, do outro lado, um receptor, o público.

Na rede, todo mundo consome conteúdo, todo mundo pode produzir conteúdo. Real e virtual se misturam. Novidade é o que se espera. Surpreender é palavra de ordem.

Esse vídeo da Intel talvez traduza bem esse conceito.

Vereadores, salários e “meninos manhosos”

O parecer foi divulgado. O projeto está pronto. Mas a Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara de Maringá sofre agora uma nova pressão. Não é dos populares. Não é do povo. Nem da imprensa. Os membros da Comissão, vereadores Carlos Eduardo Sabóia, Belino Bravin e Humberto Henrique, são criticados pelos colegas. Pelos parlamentares que sentiram-se excluídos por não terem sido previamente consultados antes da divulgação dos novos subsídios.

O clima é tenso no Legislativo local.

O presidente da Câmara, Mário Hossokawa, defende o diálogo. Entende que a Comissão deve procurar os demais vereadores e conversar sobre os valores que serão votados no plenário. Do contrário, acredita que podem ser mantidos os salários aprovados no ano passado. Vale lembrá-los:

– Vereadores, secretários municipais e vice prefeito: R$ 12 mil;
– Prefeito: R$ 25 mil.

Heine Macieira diz que o assunto ganhou contornos político-partidários. E faz menção a Humberto Henrique, que é do PT e membro da Comissão de Finanças e Orçamento. Chega a sugerir que o petista é espécie de “corpo estranho” na comissão.

É difícil definir a motivação dos vereadores. A proposta da Comissão de Finanças e Orçamento atende inclusive ao que os próprios parlamentares especulavam antes da divulgação dos novos subsídios. Também parece respeitar o desejo popular, já que não houve uma única reação negativa aos valores propostos. Entretanto, “empinaram a carroça”. Seguem com o discurso de revisão dos salários, mas questionam o parecer da comissão.

Parece preciosismo. Coisa de criança. Meninos manhosos, birrentos.

Às vezes, dá impressão que ficaram magoadinhos porque os membros da Comissão ganharam, sozinhos, os holofotes da mídia ao reverem os subsídios. E, num ano eleitoral, seriam os principais beneficiados. Os mocinhos. Os demais seguiriam como vilões.

Há, inclusive, de maneira explícita a acusação do vereador Zebrão ao colega, Dr. Sabóia, que este último era um dos defensores dos R$ 12 mil, mas agora se faz de “bonzinho” ao propor R$ 8 mil para os parlamentares, R$ 9,5 mil para secretários e vice prefeito, e R$ 19 mil para o prefeito.

Eles têm certa razão nisso. De fato, Humberto, Sabóia e Bravin estão saindo “por cima” nessa história toda. Humberto, mais que os outros. Ele é quase o herói. Afinal, desde a aprovação dos tais “supersalários” no ano passado, foi a principal voz contra o projeto, votado às pressas, na surdida.

Nada disso justifica o clima de quase retaliação ao parecer e aos membros da Comissão de Finanças e Orçamento. Entretanto, dão a entender que os valores propostos não serão aprovados. E apenas por isso: capricho. Nem que seja para subir ou descer R$ 500. Mas não pode ser o projeto da Comissão.

Não dá para prever como essa história vai acabar. Esperamos apenas que os vereadores sejam maduros ao tratarem desse assunto.