Vereadores, salários e “meninos manhosos”

O parecer foi divulgado. O projeto está pronto. Mas a Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara de Maringá sofre agora uma nova pressão. Não é dos populares. Não é do povo. Nem da imprensa. Os membros da Comissão, vereadores Carlos Eduardo Sabóia, Belino Bravin e Humberto Henrique, são criticados pelos colegas. Pelos parlamentares que sentiram-se excluídos por não terem sido previamente consultados antes da divulgação dos novos subsídios.

O clima é tenso no Legislativo local.

O presidente da Câmara, Mário Hossokawa, defende o diálogo. Entende que a Comissão deve procurar os demais vereadores e conversar sobre os valores que serão votados no plenário. Do contrário, acredita que podem ser mantidos os salários aprovados no ano passado. Vale lembrá-los:

– Vereadores, secretários municipais e vice prefeito: R$ 12 mil;
– Prefeito: R$ 25 mil.

Heine Macieira diz que o assunto ganhou contornos político-partidários. E faz menção a Humberto Henrique, que é do PT e membro da Comissão de Finanças e Orçamento. Chega a sugerir que o petista é espécie de “corpo estranho” na comissão.

É difícil definir a motivação dos vereadores. A proposta da Comissão de Finanças e Orçamento atende inclusive ao que os próprios parlamentares especulavam antes da divulgação dos novos subsídios. Também parece respeitar o desejo popular, já que não houve uma única reação negativa aos valores propostos. Entretanto, “empinaram a carroça”. Seguem com o discurso de revisão dos salários, mas questionam o parecer da comissão.

Parece preciosismo. Coisa de criança. Meninos manhosos, birrentos.

Às vezes, dá impressão que ficaram magoadinhos porque os membros da Comissão ganharam, sozinhos, os holofotes da mídia ao reverem os subsídios. E, num ano eleitoral, seriam os principais beneficiados. Os mocinhos. Os demais seguiriam como vilões.

Há, inclusive, de maneira explícita a acusação do vereador Zebrão ao colega, Dr. Sabóia, que este último era um dos defensores dos R$ 12 mil, mas agora se faz de “bonzinho” ao propor R$ 8 mil para os parlamentares, R$ 9,5 mil para secretários e vice prefeito, e R$ 19 mil para o prefeito.

Eles têm certa razão nisso. De fato, Humberto, Sabóia e Bravin estão saindo “por cima” nessa história toda. Humberto, mais que os outros. Ele é quase o herói. Afinal, desde a aprovação dos tais “supersalários” no ano passado, foi a principal voz contra o projeto, votado às pressas, na surdida.

Nada disso justifica o clima de quase retaliação ao parecer e aos membros da Comissão de Finanças e Orçamento. Entretanto, dão a entender que os valores propostos não serão aprovados. E apenas por isso: capricho. Nem que seja para subir ou descer R$ 500. Mas não pode ser o projeto da Comissão.

Não dá para prever como essa história vai acabar. Esperamos apenas que os vereadores sejam maduros ao tratarem desse assunto.

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6 comentários em “Vereadores, salários e “meninos manhosos”

  1. Ronaldo, ontem assisti um documentário sobre Sergio Vieira de Mello chamado “Sérgio”. Um brasileiro, um ser humano como nunca se teve no Brasil. E pesquisando mais sobre este brasileiro, vi o quanto eu sou pequeno, e quão mais o são estes ao qual você cita. Acho que este documentário mudará minha vida. E gostaria de compartilhá-los com os nossos entes queridos. Uma pessoa que abdicou de luxo, riqueza e prestigio para ajudar pessoas de todas as pátrias. Um homem que lutou contra a guerra. Que para salvar vidas foi conversar com o “inimigo” (khmer vermelho). Humilde, que todos achavam belo, mas que tinha a beleza maior no seu coração. As vezes brigamos por picuinhas, e este homem transformava grandes brigas em coisas tão pequenas. Nunca se gabou disso. Morreu sofrendo. Sofrendo não por um povo, mas por um mundo. Que orgulho dele ser brasileiro. Desculpe-me, Ronaldo, se este comentário não faz parte do contexto do post. Obrigado

  2. A coisa é muito simples: Os eleitores não querem supersalários. A atual safra de vereadores tem uma dificuldade enorme de compreensão da voz do povo. O povo clama por remuneração justa para o trabalho que realizam, ou algo em torno de 6 a 7 mil mensais. A situação se complica porque eles imaginam que detêm um poder muito além da realidade.

  3. A questão é – todos sabiam – mesmo os que estavam na platéia – que – ou se votava a proposta da Comissão ou mantia-se os $uper$alários. Agumentos são argumentos – mas o que vale são as atitudes. Ingênuidade não existe na Câmara de Vereadores meus amigos – ah isso é uma verdade – ninguém ali é ingênuo! Não mesmo! Votou e sabiam o que estavam fazendo!

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