Agora querem a senha… O que vem depois?

Nos EUA, empregadores agora exigem que candidatos informem a senha do Facebook

Ainda não sei muito o que dizer… Ao ler esta notícia, pensei muitas coisas. Nada conclusivo, é verdade. Entretanto, fiquei incomodado.

Como assim? Fornecer a senha para não perder o emprego?

Será que é isso mesmo?

Gente, sei que a vida anda estranha. Tem horas que desconheço o mundo em que vivo. Entretanto, não me parece algo justificável pedir a senha do funcionário.

Não seria invasão de privacidade?

Ou já não existe privacidade? Quer dizer, a privacidade acaba quando o cidadão se coloca na condição de candidato a um emprego?

Tudo bem, sei que liberdade é um conceito relativo. Muito relativo. Ninguém é efetivamente livre. Talvez nem no mundo das ideias. Afinal, até temos liberdade para pensar, refletir. Porém, nem sempre para expressar o resultado de nossa introspecção.

Mas uma coisa é você ter de se policiar, cuidar da imagem, preservar-se e respeitar as regras para convivência social e outra bem diferente é ter que escancarar sua vida pessoal.

É direito da empresa não permitir o acesso às redes sociais dentro do ambiente de trabalho.

É direito da empresa rejeitar um profissional que tenha determinados hábitos e os verbalize através da internet.

É direito da empresa consultar o perfil – passado e presente – de um candidato a um emprego a fim de saber quem está contratando.

No entanto, parece-me um ato arbitrário condicionar o emprego ao fornecimento da senha da rede social. A justificativa até soa razoável: verificar se a pessoa tem ligação com gangues. Mas, espera aí… Existem outras formas de checar se o candidato representa algum risco à empresa. Além disso, quem garante que vasculhar o conteúdo privado de alguém na internet vai revelar todas as relações que a pessoa possui?

E já pensou se a moda pega? Qual será a próxima justificativa? Descobrir se o sujeito é gay, tem amante, lê contos eróticos, é ateu???

Cá com meus botões, entendo que vivemos um momento de transformações. Em todos os aspectos. Mas há necessidade de se resgatar alguns valores. Entre eles, o de respeito ao outro, ao que é da intimidade alheia. É certo que nós mesmos estamos abrindo mão de uma vida mais reservada para exibi-la aos quatro cantos do mundo. Ainda assim, creio que carecemos não de uma nova ética, mas sim de experienciarmos a verdadeira relação entre o eu e o tu, o tu e o ele… o que é nosso e o que é do outro.

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