Procuram-se pais; não bananas

Algumas coisas que incomodam profundamente. Uma delas são os pais bananas, medrosos, fracos. Pais que não desempenham o papel que lhes cabe. São pessoas que foram pra cama, fizeram o que acharam que deviam fazer, engravidaram, botaram uma criança no mundo e agora são completamente dominadas por miniaturas de gente.

Ontem, esbarrei numa mãe dessa espécie. Desculpa, mas não senti pena. Senti pena da criança. Da mãe, não. Ela não deveria sequer ser chamada assim. Mãe é mãe. Ama, mas também corrige. Tenho 37 anos, amo minha mãe, sei que ainda é capaz de qualquer coisa por mim. Entretanto, quando faço minhas bobagens, até hoje sinto um frio na barriga de ter de encará-la. Vale o mesmo para o meu velho pai.

Essas mães e pais inspiram respeito. Não essas outras que existem por aí e são incapazes de disciplinar.

A mãe de ontem faz parte desse time. Encontrei-a no mercado. Ela já é “famosa” por lá. Ela e o filho – um garotinho que deve ter, no máximo, dois anos.

Eu estava de um lado do supermercado; eles, do outro. Mas era possível ouvir os gritos no menino. Durante os quinze minutos que estive por lá, ouvi buchichos, comentários, risadinhas e vi gente constrangida. Não dava para ignorar a situação.

Como não sabia o que estava acontecendo, acabei dando uma “sondada” no ambiente. Encontrei a jovem mulher completamente dominada por uma criança. Apática, sem reações, totalmente à mercê de um reizinho que gritava e, mesmo no colo dela, não derramava uma única lágrima. Mas sabia bater na cabeça da mãe.

Por vezes, tive que resistir a vontade de ir até ela e dizer:

– Querida, seja mãe!!!

Quando cheguei ao caixa e encontrei a Rute, ela perguntou:

– O que está acontecendo?

Resposta simples e direta:

– Está faltando mãe.

Conversamos ali e a moça do caixa confidenciou algo que já tinha ouvido na padaria, na sessão de frio e nos corredores por parte de outros funcionários:

– É sempre assim. Todas às vezes que ela vem aqui o menino dá um showzinho.

Peraí, lindinhos… Não é birra de uma vez. A coisa se repete. São todas às vezes. Como eu disse, mãe e filho já são conhecidos por todo mundo do mercado.

Sinceramente, essa mulher deveria ter vergonha. Não pelo filho que tem. Mas pela passividade dela e impotência diante de uma criança.

Caríssimos, filho é filho. Tem que receber carinho, atenção, proteção, amor, cuidados. Mas para aí. Filho não domina. Filho, respeita. Porém, respeito se aprende. E aprende com os pais. Pais; não bananas.

A criança não nasce sabendo. E não me venham dizer que:

– Ah… mas ele é assim. Ninguém pode com esse moleque.

Não pode, porque não fez o que tinha que fazer desde os primeiros dias de vida.

Ninguém precisa espancar uma criança para educá-la. Há diferentes estratégias. E para cada pequeno, existe uma forma de lidar. Contudo, tem que agir. Não se deixar dominar. Tem pais que se desesperam e perdem o controle. Uns, berram, gritam, batem; outros, acabam cedendo às chantagens e fazem o que os filhos desejam. Está tudo errado.

Tenho dito que, antes de serem pais, as pessoas deveriam ir para escola. Sim, deveria haver um lugar para formar pais. Porque muita gente acha que dá para educar, disciplinar sem conhecimento. Não dá. Ainda mais no mundo de hoje. Tem que estudar.

As pessoas dedicam anos da vida delas para terem uma profissão e não investem uma hora sequer do dia para lerem sobre relacionamentos entre pais e filhos, educação de crianças, psicologia na infância… E depois dizem que os baixinhos é que são “levados”.

Não são nada. Eles apenas são reflexo de pais que desconhecem a relação entre amor e disciplina. Pais que não estabelecem limites não amam; acham que amam. E fazem pior, colaboram com a construção desses serzinhos que se tornarão pessoas imaturas, mimadas, tiranas, autoritárias, prepotentes, arrogantes…

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