Adeus, Chico

Meses atrás, escrevi aqui sobre o drama de Chico Anysio. Nosso maior humorista estava hospitalizado, lutando pela vida. Nesta sexta-feira, porém, não resistiu. Leva com ele a graça, a inteligência e beleza de um humor que anda fazendo falta na televisão.

Nunca fui um fã do Chico. Não fiz parte da geração que viveu os grandes momentos do comediante. Quando o descobri, já era adolescente e o seu “produto” de maior sucesso era a Escolinha do Professor Raimundo – copiada até hoje por vários humoristas e até por quem não domina o assunto, caso de Gugu Liberato, na Record.

Entretanto, cresci ouvindo meus pais falarem do grande Chico Anysio. Comentavam, inclusive, dos tempos dele no rádio.

Talvez por isso sempre o admirei, mas tendo por ele um olhar muito mais de respeito que de participante do seu público.

Hoje, quando digo “Adeus, Chico”, faço isso não com lágrimas como daqueles que riram com suas piadas. Nem há dor na despedida. Mas há a sensação de perda. Perda de um profissional digno, que foi referência no que fez e, principalmente, perda de uma escola de humor que deixou de existir na telinha há algum tempo.

A morte de Chico significa um pouco a morte do humor capaz de provocar risos com piadas aparentemente ingênuas, personagens caricatos ou pela inteligência das críticas políticas e sociais. Isto, num tempo em que o sexo não era estratégia para ganhar audiência nem escada para comediante provocar o riso do público.

O Chico morreu. Mas já sentíamos falta de sua arte.

Foto: Folha de São Paulo

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