Uma vida é curta diante do universo de saber

Gravei há pouco na CBN uma entrevista sobre a História da Física. Fiquei impressionado com minha falta de conhecimento. Senti-me um completo ignorante. Já tinha consciência disso antes da conversa. Entretanto, o papo só reforçou o que já imaginava.

Pouco antes da gravação, comentei com o professor pós-doutor em Física, Luiz Roberto Evangelista, que hoje era meu dia de “pagar mico”. Afinal, minha formação em Física é péssima. Como meu curso no Ensino Médio era técnico, tive apenas um ano da disciplina. E isso faz 20 anos. Portanto, não lembro quase nada.

Ainda assim, me aventurei a entrevistá-lo. Afinal, ele é autor de uma obra muito interessante. Nela, o educador resgata o nascimento desse conhecimento científico e mostra sua evolução ao longo dos anos. É impressionante, principalmente por descobrirmos que o berço da Física é o mesmo da Filosofia.

Bem, mas este não é o foco deste post. Na verdade, queria falar da minha relação com o conhecimento. Dias atrás, conversava com uma pessoa sobre a quantidade de informações que hoje temos disponível e chegávamos a conclusão socrática que, quanto mais sabemos, mais notamos nossa ignorância.

Todas as vezes que leio algo novo, percebo minha insignificância. Há tanto saber no mundo e acessamos tão pouco esse universo… Diria, nos contentamos com migalhas de um banquete infindável em que os pratos são cada vez mais saborosos e elaborados.

Eu queria ter mais tempo. Mais tempo para ler, mais tempo para estudar. Queria entender melhor os fenômenos naturais – sejam físicos, químicos… em especial, os da natureza humana. Somos tão complexos. Em todos os sentidos.

Sabemos tão pouco sobre nós e a respeito do mundo. Pior é que nos contentamos com isso. A visão rasa, superficial das coisas nos satisfaz. E julgamos que o aparente expressa toda a verdade. Quão medíocres somos.

Por vezes, em sala de aula, me deparo com essa rejeição ao saber. Pelo simples fato de supostamente o conteúdo não ter efeito prático na profissão desejada, o sujeito mantém indiferente ao conhecimento. Nega-se a aprender.

– Para quê preciso aprender isso?

É a pergunta que geralmente alguns fazem.

Pelo papel que ocupo, quase sempre busco justificar a necessidade da informação proposta. Entretanto, acabo me sentindo frustrado por notar que vivemos um momento em que valoriza-se o saber imediato, prático. Aprende-se algo para fazer alguma coisa. É isso que motiva as pessoas. Não se aprende por aprender, pelo prazer de ter o conhecimento.

Quando penso nisso lembro do filme Matrix. E de um dos argumentos do vilão: tem muita gente que não se dá conta do que está acontecendo e está satisfeita em viver do jeito que está vivendo; sem saber que está num jogo.

Sabe, talvez isso não nos faça mais feliz… Porém, sinto falta de saber o que existe além do aparente, do que se mostra visível.

Na segunda, uma música

Uma das belezas da vida é a possibilidade de sempre surpreender-nos. Claro, nem sempre somos presenteados por coisas boas. Entretanto, quando menos se espera, algo novo pode surgir, capaz de tirar nossos pés do chão.

De certa forma, é disso que fala a música que compartilho. Num determinado momento, quando menos se espera, alguém chega e passa a tomar conta de seus pensamentos. E, melhor, você descobre que também é a razão dos pensamentos do outro. Mas nada é perfeito… Desencontros sempre vão existir – ainda que o amor nos domine.

Até mesmo o melhor falha algumas vezes
Até mesmo as palavras erradas parecem rimar
Fora da dúvida que enche minha mente
Eu acho de alguma maneira, você e eu colidimos

Collide é a música de hoje. O intérprete é o cantor de pop rock americano Howie Day.