É preciso descobrir as bibliotecas

Tempos atrás questionei por aqui:

Para quê servem os livros?

Também já falei sobre o abandono das bibliotecas. Afinal, quase não se investe em espaços adequados para livros e leitores.

Entretanto, sinto-me incapaz de ir além nas minhas reclamações. Afinal, nós mesmos somos parcialmente responsáveis por esse quadro. O que dizer disto?

Cerca de 75% dos brasileiros jamais pisaram em uma biblioteca, diz estudo

A situação fica ainda pior quando cruzamos os dados. É fato que faltam bibliotecas, principalmente bibliotecas modernas, bem cuidadas, com diversidade de acervo. Porém, a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil revela que 71% dos brasileiros sabem onde estão localizadas, têm biblioteca na cidade, moram próximos ou relativamente próximos, poderiam frequentá-la, mas não o fazem.

O que dizer?

Eu não sei. Tudo bem, temos um péssimo histórico. Nossa relação com os livros não é grande coisa. O país nunca valorizou espaços públicos de leitura. Mas, gente, será que não poderíamos desligar um pouquinho a televisão, os “Big Brother” da vida e ler algumas páginas por dia?

Sei que é mais fácil assistir TV que ler. Também sei que ficar na internet entretém muito mais que um livro. Porém, nem o primeiro nem o segundo hábitos garantem os benefícios de uma boa leitura. Ler exercita o cérebro. Estimula a criatividade, a imaginação. Amplia o conhecimento. Faz-nos mergulhar num mundo completamente novo.

Ler cansa? Cansa. Dá trabalho? Dá. Mas garante um prazer diferente… Que palavras não traduzem… Que só os grandes leitores experimentam.

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Millôr Fernandes: quase uma filosofia de vida

Eu não tenho muita coisa a dizer. Faço parte de uma outra geração. Por aí, sabem muito mais dele do que eu. Cada texto que encontro sobre o Millôr mostra uma pessoa ainda mais incrível – do ponto de vista humano, cidadão, profissional.

Ou seja, falar que o escritor, dramaturgo, humorista, cartunista etc etc era alguém sensacional, não vai tornar meu texto significativo nesse universo de lembranças e homenagens a esse brasileiro, motivo de orgulho para nossa gente.

Então por que também falo dele aqui?

Porque um sujeito que tenha dito uma frase como esta merece, hoje, ocupar um espaço de destaque na “estante” de todos os jornalistas que valorizam a profissão e sabem do seu papel social. Veja:

Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados

Não, não se trata de ser do contra. Não se trata de achar tudo ruim. No entanto, é preciso questionar, duvidar sempre. Devemos reconhecer o que é bem feito, mas nosso papel principal é cobrar, cobrar… Ocupamos uma posição privilegiada, pois estamos mais próximos dos fatos, dos acontecimentos. Portanto, se nos silenciarmos, qual será nosso valor?

É… Os últimos dias não estão bons. Perdemos o Chico… Agora é a vez do Millôr. Nossa geração terá ícones, referências tão ricas como eles foram para nós?