Mais felizes e menos ocupados com nosso eu

Tenho sustentado por aqui a tese de que nossos valores estão invertidos. Nossas prioridades quase sempre estão relacionadas a conquistas materiais e a eterna busca da beleza. Embora não sejam coisas ruins em si mesmas, estão distantes daquelas que de fato nos fariam bem. Nossos problemas, hoje, quase sempre se dão em função de valorizarmos o aparente, pois acreditamos que é nisso que consiste a felicidade.

Pensava em alguns textos que discutimos sobre essas questões por aqui ao ler trechos do diário de duas adolescentes da mesma idade.

A primeira dizia:
– Está decidido: pensar antes de falar. Trabalhar com afinco. Ser comedida nas palavras e nas ações. Não me deixar divagar. Ser digna. Interessar-me mais pelos outros.

A segunda:
– Tentarei ser melhor de todas as maneiras que puder […] perderei peso, comprarei lentes de contato novas; já fiz um novo corte de cabelo, comprei uma boa maquiagem, novas roupas e acessórios.

Não é preciso ser um grande observador para notar a diferença entre as prioridades. Um otimista talvez possa pensar:

– Nem tudo está perdido!

O problema, caríssimos, é que a segunda é uma garota do nosso tempo. A primeira, é do Século XIX. Cem anos separam as duas adolescentes.

Não estou dizendo que a perda de referências seja sintoma das novas gerações. Há gente comprometida em fazer o bem, doar-se, servir, dividir, aprender, conhecer… Ser tolerante, paciente, digno, ético… Entretanto, é fácil notar que não são esses os valores predominantes.

Vivemos a sociedade da aparência. A ilusão da eterna juventude se confunde com a ideia de que é preciso ter cada vez mais para ser alguém.

Respeita-se quem é jovem e belo. Aplaude-se o famoso, bem vestido e bem “montado”. E não basta apenas isso. Competitivos que somos, é necessário ser o primeiro. O outro nos importa apenas quando pode nos ser útil.

Os valores culturais de nossa época são o da mulher gostosa, do homem forte, dos carros poderosos, das mansões… É isso que a própria mídia traduz nas capas de revistas como a Caras, Nova, Cláudia, Criativa, VIP etc etc. A televisão, o cinema e a internet reafirmam tais imagens.

Por conta disso, somos consumidos pela eterna insatisfação. Por mais que façamos, somos felizes por apenas alguns instantes. Logo nos pegamos frustrados e nem sabemos muito bem por quê. Nossa alma permanece vazia, carente de valores reais. Talvez estejam expressos na busca da garota do Século XIX. Por alguns momentos me pego pensando: quem sabe também pudéssemos nos descobrir mais realizados se começássemos a nos ocupar menos com o nosso eu.

Por mais belos que sejam nossos sorrisos, o que mais importa ainda é o que vai dentro da alma.

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Na segunda, uma música

Os corais americanos sempre me encantaram. Conseguem traduzir por meio da música todas as nossas emoções e energias. Um exemplo disso é Brooklyn Tabernacle Choir. Fundado ainda na década de 1980, este coral consegue ir além disso. Reúne gente de todas as raças, classes sociais numa das regiões mais problemáticas de Nova Iorque, o Brooklyn. Talvez por isso seja possível dizer que tanto a igreja quanto o coral cumprem o que deveria ser o principal papel das instituições cristãs: representar, na Terra, um pouco do que foi o próprio Cristo quando esteve entre os homens.

É difícil escolher uma canção que resuma a trajetória do Broklyn Tabernacle Choir. Há muitas músicas inspiradoras. Optei por Glória. Vamos ouvir?

É chato pra caramba!

Já comentei por aqui que os feriados me incomodam. Não necessariamente os feriados. Eles são bons. O que me incomoda é esse nosso jeito… O feriado nem chegou e a gente já vive um relaxamento pré-feriado. E vejam só: o feriado é terça-feira, daqui a três dias.

Entretanto, está todo mundo em ritmo tartaruga. Devagar, devagarinho.

Tudo bem… É nosso jeito brasileiro de ser. O problema é que fica todo mundo meio preguiçoso, mas segue no trabalho. Aí o trabalho fica arrastado, cansativo… Chato pra caramba!

Humberto Henrique, melindres e a novela dos salários

Políticos formam uma espécie bastante delicada. São cheios de melindres. Por exemplo, em Maringá, estamos acompanhando há meses a novela envolvendo os salários dos vereadores, secretários, prefeito e vice. Os subsídios foram aumentados no ano passado. E os índices foram abusivos. Por conta disso, depois de muita pressão, um projeto foi apresentado pela Comissão de Finanças e Orçamento para reduzir os valores. Entretanto, até o momento não foi aprovado.

E por que ainda não foi ao plenário para ser analisado e votado?

Simples. Por capricho de alguns vereadores.

Para parte dos parlamentares, aprovar significa aprovar o projeto do vereador Humberto Henrique. De alguma forma, em função da atuação do parlamentar petista nesta questão, os colegas entendem que votar R$ 8 mil de subsídios para os parlamentares, R$ 9,5 mil para secretários e vice prefeito, e R$ 19 mil para o prefeito, é o mesmo que entregar todos os “louros” da redução dos salários para um único vereador – e um vereador da oposição. É muito para eles.

Vários parlamentares se incomodam com a atuação do petista. Entendem que Humberto Henrique só sabe “capitalizar” politicamente em torno do nome dele. É o vereador que mais aparece na imprensa local. Tudo que acontece na Câmara, de alguma forma, passa por ele. Os jornalistas sempre querem ouvi-lo. E os parlamentares não conseguem admitir que isso ocorra em função da boa atuação do petista. Seja por marketing ou não, Humberto age, se projeta, cresce e aparece. E os colegas não toleram. Ninguém consegue fazer autocrítica. Algo do tipo:

– Por que não agir como ele?

Preferem o contrário: tentar ofuscá-lo. Eles se esquecem, porém, que, quem está de fora, quer resultados. E tentar silenciar alguém não muda nada. Quem não faz por merecer os holofotes, vai continuar fora deles.

Apagão digital: demanda é maior que investimentos

Gente, temos um problema. Um grave problema. O apagão da internet, da telefonia, ocorrido nessa quarta-feira (26), revelou não apenas nossa dependência desses serviços… Mostrou também que o Brasil não está preparado para dar conta de toda demanda de telefonia e internet. É certo que os limites tecnológicos ainda podem comprometer o crescimento do país.

Recordo que, há cinco anos, assisti uma palestra do jornalista Ethevaldo Siqueira. Estudioso do mundo digital, o experiente colunista do jornal O Estado de São Paulo e CBN sustentou a tese de que o maior problema do Brasil não eram aeroportos, estradas etc. Segundo ele, a maior carência eram cabos de fibra ótica. Ethevaldo ressaltou, na época, que essas outras áreas estavam sucateadas. Mas nada era pior que a falta de investimentos em tecnologia e ampla rede de fibra ótica.

Não investir em tecnologia é frear o futuro. O futuro passa pelos cabos de fibra ótica e pelos satélites.

Lembrei disso, ontem, quando precisei da internet… Lembrei quando tentei usar o celular… Lembrei quando fui pagar, com cartão, a compra no supermercado. Nada funcionava.

Milhões de pessoas viveram o mesmo drama em todo Sul do país.

Alguém pode dizer:

– Ah, mas foi o rompimento dos cabos… Acidentes podem acontecer.

Sim, acidentes acontecem. Mas como um sistema, do qual somos dependentes, pode deixar de operar assim? Não existe uma forma de operação alternativa, enquanto os reparos são feitos?

Além disso, a falta de investimentos é responsável por um serviço ruim. Basta notar o que acontece com a TIM. A operadora de telefonia móvel ampliou o número de clientes, mas, com isso, vive enfrentando problemas. Quer dizer, quem enfrenta problemas somos nós, usuários. Falta rede, ligações caem… e por aí vai.

É verdade que é quase impossível dar conta de estender pelas cidades, pelo campo etc uma rede completa em fibra ótica. Mas o sistema por satélites também é precário.

Por conta disso, a banda – que deveria ser larga – é estreita no Brasil. A transmissão de dados é lenta. O sistema não dá conta de garantir qualidade para transmissão de voz, dados, textos, imagens, fotos e vídeo. Em casa ou no trabalho, sentimos que nada funciona com agilidade. E só não percebemos a dimensão do problema porque a maioria de nós não experimentou os serviços dessa natureza oferecidos por países da Europa, Estados Unidos, Japão e Coréia do Sul.

E pagamos caro por serviços ruins.

O governo reconhece o problema. Ainda neste mês, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, afirmou que o setor de telecomunicações precisa de “fortes investimentos” em infraestrutura. Só assim poderá suportar com qualidade a demanda por serviços de banda larga, principalmente, e tráfego de voz.

Entretanto, entre reconhecer e agir existe um abismo. O crescimento da demanda é muito maior que a capacidade do governo e das empresas de tecnologia de respondê-la. Lamentável!

Procuradoria quer censurar o BBB

O BBB 13 está longe de começar, mas o Ministério Público Federal já está de olho no programa. E quer censurá-lo. A Procuradoria não quer uma censura qualquer. Quer uma censura ética. Entende que o programa não pode atropelar determinados valores morais.

Sinceramente, não gosto de censura. Entretanto, vendo a falta de bom senso do CQC, as propostas bizarras do Pânico e o histórico de idiotices do Big Brother, hoje, não me sinto confortável em defender a liberdade de expressão. Não dessa liberdade que está aí…

Entendo que o problema desses programas não está neles, está no público. Porém, quando o público não sabe escolher – e nem tem formação crítica para isso -, o que pode ser feito? É correto deixar a “coisa rolar” e realimentar esse vazio cultural da sociedade?

Não sei. Não tenho uma resposta pronta.

A ideia de ter um mecanismo (um órgão) de controle, que regule a qualidade da programação, seria uma alternativa interessante se fosse formado por gente realmente comprometida com a promoção da cidadania, da democracia, educação e ainda entendesse que mídia também é entretenimento e espetáculo.

Cá com meus botões, tenho a impressão que nenhum órgão teria tal responsabilidade. Desvios ocorreriam. Exageros e censura propriamente dita. Sem contar os interesses nem sempre justificáveis que norteariam os critérios de julgamento dos programas.

Ou seja, trata-se de belo impasse. Parece até que ouço meu pai dizendo:

– Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

Pois é… Deixar como está é aceitar passivamente o aprofundamento da banalização do conteúdo midiático; por outro lado, censurar – ainda que sob justificativa da ética, da moral – pode ser um retrocesso, uma ruptura com o direito de liberdade de produção e veiculação de conteúdo, conquistado depois de muita luta.

Europa em crise e sobras de comida para pagar contas

Tem alguma coisa errada no mundo… Não é só um problema econômico. Uma crise. Quem poderia vislumbrar que encontraríamos notícias como esta?

Holandeses vendem sobras de comida para driblar crise

Não, não vou discutir economia. Nem sustentar que estamos “nos fins dos tempos”. Entretanto, não dá para dizer que é só reflexo da crise que desestabiliza os países ricos da Europa.

Confesso que ler essa notícia me incomodou profundamente. No Brasil, em especial na região onde moramos, muita gente desperdiça. E o desperdício começa no campo. Parte da safra fica na terra, parte nas estradas e também há perdas nos armazéns das cooperativas. E não são raros os casos de pessoas que jogam comida fora.

Não é o que está acontecendo na Holanda.

Para levantar uma graninha extra, as pessoas comem e vendem as sobras. É o exercício pleno da criatividade e do completo aproveitamento dos alimentos. Também cresce a procura por bares que permitem que os clientes levem de casa a própria refeição.

Nos “bancos de alimentos”, há filas. E uma em cada seis famílias está com dificuldades para pagar as contas dos supermercados.

Dá para imaginar esse cenário? Em nada lembra a Holanda de tempos atrás, país que também recebia brasileiros interessados em acumular euros e retornar com algum patrimônio.

O cenário também não faz parte da imagem que projetamos dos países desenvolvidos.

Seria a crise do capitalismo? Não sei. De tempos em tempos, passamos por crises. Faz parte de um ciclo natural. Porém, há algo de diferente no ar.

Sei apenas que o que acontece na Holanda e noutros países da Europa sugere que vivemos um momento de redefinição das forças econômicas, com a construção de um novo mundo – ainda desconhecido, e que não dá para apostar se será melhor ou pior do que o que conhecíamos.

Pânico e a carequinha da Babi: festival bizarro na TV

Estou desolado… Onde foi parar a graça dos programas de humor da tevê brasileira?

Na semana passada, critiquei aqui o CQC. Meses atrás, falei do Pânico. Agora me vejo incomodado novamente pelo programa.

Alguém pode me explicar qual a graça de deixar careca a panicat Babi Rossi?

Tudo bem… Você pode dizer: ela topou.

Respondo: ok, ela topou.

Mas e daí? Você riu? Se riu, riu do quê?

O fato de a Babi ter topado não muda nada. O que está em discussão é o bizarro, o vazio, a ausência… Nada justifica. Não tem graça raspar a cabeça de uma pessoa.

E quem riu só pode ter rido do fato de uma mulher bonita perder parte de sua beleza. Ou seja, riu da “desgraça alheia”. Coisa típica de invejosos – “se não posso ter, o outro também não pode” (neste caso, a beleza dela).

Gente, vamos parar com isso, né?

Está na hora de admitirmos o nosso mau gosto. Garantir audiência para quadros como esse é assumir que estamos vazios, perdemos as referências, já não sabemos valorar.

Passou da hora de rejeitarmos esse vale-tudo pelo Ibope.

Lembro que a atriz Carolina Dieckmann já fez isso na telinha. Mas fez em nome da interpretação de um personagem. E de uma causa maior: chamar a atenção para os problemas causados pela leucemia e a importância da doação de medula.

Agora, e a Babi???

Alguém pode me responder?

Não acredito nas aparências. Não vou sustentar a tese que a panicat não sabia de nada. Mas não sei se a jovem seria tão boa atriz a ponto de chorar no palco. Ela tinha duas opções: o cabelo do Neymar ou a carequinha do Marcelo Tas.

Depois, se deixou fotografar sorrindo? Sim.
É paga para esse tipo de tolice? Sim.
Outras topariam a mesma coisa? Sim.

Porém, volto a sustentar: não se trata da Babi. Trata-se de nós, do público que sustenta, que respalda esse tipo produção midiática. Quanta mediocridade!