Arte ou lixo cultural?

Minutos atrás, “trombei” com um comentário no Facebook que acabou motivando este post. Achei graça e ao mesmo fiquei me questionando sobre o processo criativo. Deixa eu explicar… Uma pessoa escreveu algo do tipo:

– Vamos lá compor umas músicas…

Ao que parece, é alguém que canta e compõe.

E não era uma música. O plural indicava que seria mais de uma.

Não conheço a produção da pessoa. Nem estou aqui para criticá-la. Em hipótese alguma. Talvez tenha algo significativo para mostrar.

Entretanto, cá com meus botões, quando penso em música, penso em arte. E arte não se produz assim. Você não senta e diz: agora vou compor, vou escrever. Embora o artista careça de disciplina, trata-se de um processo criativo, em que a arte nasce da inspiração.

Qualquer coisa diferente disto, é produto descartável.

Dia atrás, li uma entrevista do novelista Aguinaldo Silva. Ao falar sobre sobre as novelas, ele foi direto:

– Novela não é arte. É produto descartável.

E a afirmação do autor é fundamental para refletir sobre a produção supostamente artística que hoje temos. A urgência para oferecer novidades ao público tira a possibilidade de encontrarmos qualquer valor de arte nessas produções.

Isso vale para a música, para os livros… e por aí vai. Arte não se produz sob a lógica do mercado. Quem dita o ritmo é o artista. Não se trata de um processo industrial. Quem produz arte não a produz como se estivesse numa linha de produção.

Criar é algo tão complexo que, embora esteja longe de fazer arte com meus textos, mesmo a iniciativa de escrever um único parágrafo torna-se um grande desafio quando falta inspiração. Por mais que tenha o hábito de escrever, há dias em que nada faz sentido e os textos parecem vazios, sem alma. São palavras ao vento.

Tenho a impressão que, em nossos dias, isto acontece com frequência no meio artístico-cultural. Há frases completamente sem propósito. E, sinceramente, não entendo como caem na boca do povo. É como se o próprio público estivesse vivendo na superfície, incapaz de significar.

Cá com meus botões, não sei se isto vai mudar. Tenho comigo que o cenário tende a piorar. Em especial, porque o ritmo tecnológico impõe uma lógica cruel, até mesmo para quem se propõe a ser criativo.

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Na segunda, uma música

Hoje, optei por compartilhar uma cantora ainda pouco conhecida por aqui. Estou falando de Hayley Westenra, uma soprano neozelandesa. De ascendência irlandesa, a cantora começou sua carreira aos seis anos. Claro, na época, quase como se fosse uma brincadeira. Entretanto, seu talento falou mais alto e, aos 12, participou de uma primeira gravação. Com 16 anos, Hayley lançou seu primeiro álbum. O disco “Pure” foi certificado pelo UK Chart Compilers como o melhor de música clássica do século.

A bela e jovem intérprete canta música celta, contemporânea e erudita. Em 2006, fez parte do grupo Celtic Woman. Hayley também já participou de alguns duetos, inclusive com Andrea Bocelli e com José Carreras.

Nesta manhã, enquanto ouvia algumas das canções de Hayley, fiquei muito dividido entre duas músicas. Elas revelam estilos diferentes da intérprete. Não resisti. Cá estão as duas.

A primeira delas fala de sentimentos. “Both Sides Now” diz:

Lágrimas e medos e sentindo orgulho
para dizer “Eu te amo” bem alto
[…]

Agora velhos amigos estão agindo estranho
Eles sacodem suas cabeças, dizem que eu mudei
Bem, algo está perdido, mas algo está ganho
[…]

Eu olhei a vida de ambos os lados agora
De vencer a perder e ainda de algum modo
São ilusões da vida que eu recordo
Eu realmente não conheço a vida completamente

Linda, não?

A segunda canção não precisa de tradução. É pra se deixar envolver pelos sons…