Arte ou lixo cultural?

Minutos atrás, “trombei” com um comentário no Facebook que acabou motivando este post. Achei graça e ao mesmo fiquei me questionando sobre o processo criativo. Deixa eu explicar… Uma pessoa escreveu algo do tipo:

– Vamos lá compor umas músicas…

Ao que parece, é alguém que canta e compõe.

E não era uma música. O plural indicava que seria mais de uma.

Não conheço a produção da pessoa. Nem estou aqui para criticá-la. Em hipótese alguma. Talvez tenha algo significativo para mostrar.

Entretanto, cá com meus botões, quando penso em música, penso em arte. E arte não se produz assim. Você não senta e diz: agora vou compor, vou escrever. Embora o artista careça de disciplina, trata-se de um processo criativo, em que a arte nasce da inspiração.

Qualquer coisa diferente disto, é produto descartável.

Dia atrás, li uma entrevista do novelista Aguinaldo Silva. Ao falar sobre sobre as novelas, ele foi direto:

– Novela não é arte. É produto descartável.

E a afirmação do autor é fundamental para refletir sobre a produção supostamente artística que hoje temos. A urgência para oferecer novidades ao público tira a possibilidade de encontrarmos qualquer valor de arte nessas produções.

Isso vale para a música, para os livros… e por aí vai. Arte não se produz sob a lógica do mercado. Quem dita o ritmo é o artista. Não se trata de um processo industrial. Quem produz arte não a produz como se estivesse numa linha de produção.

Criar é algo tão complexo que, embora esteja longe de fazer arte com meus textos, mesmo a iniciativa de escrever um único parágrafo torna-se um grande desafio quando falta inspiração. Por mais que tenha o hábito de escrever, há dias em que nada faz sentido e os textos parecem vazios, sem alma. São palavras ao vento.

Tenho a impressão que, em nossos dias, isto acontece com frequência no meio artístico-cultural. Há frases completamente sem propósito. E, sinceramente, não entendo como caem na boca do povo. É como se o próprio público estivesse vivendo na superfície, incapaz de significar.

Cá com meus botões, não sei se isto vai mudar. Tenho comigo que o cenário tende a piorar. Em especial, porque o ritmo tecnológico impõe uma lógica cruel, até mesmo para quem se propõe a ser criativo.

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3 comentários em “Arte ou lixo cultural?

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