Roupas novas não reparam nossas falhas

Não, não pretendo falar sobre política. Na verdade, quero reservar as questões políticas e cotidianas para outro blog. Política aqui é para ser refletida numa perspectiva diferente: quando for para pensar em nosso comportamento, em nossas atitudes, nossas ações…

Por isso, o Demóstenes veio parar aqui. Não por ele. Nem por seu suposto envolvimento com Carlinhos Cachoeira. Mas por esta frase:

Provarei que sou inocente

Não sei por que mas ela me tocou. Estava navegando e “trombei” com essa frase em destaque na Época.

A frase sugere convicção. Está implícita a determinação do senador. Ele parece dizer: vou virar este jogo a meu favor. Há um quase tom de ameaça aqueles que o acusam. Algo do tipo: vocês vão ter que me engolir.

Mas, ao mesmo tempo, Demóstenes parece desesperado. Ele precisa provar ser inocente. Neste momento, não é. Só tem a obrigação de provar algo quem perdeu uma condição e hoje está noutra, que não lhe é favorável.

O senador não é mais inocente. Sabe que está ao lado dos criminosos e precisa sair desse lugar incômodo.

Sabe, caríssimos, o quase grito de socorro de Demóstenes por vezes também é nosso. Não é bom sentir-se acuado. Muitos menos, acusado por todos.

Não é incomum alguns de nós levarmos a culpa por coisas que não fizemos. Nada dói mais que ser inocente e ter perdido a confiança das pessoas por um questionamento ou acusação infundada. Porém, todo mundo erra. Entretanto, pela necessidade de manter a imagem, mesmo vivendo uma vida marginal, muita gente assume personagens. Quando a máscara cai, busca-se desesperadamente reconquistar o status perdido.

Provar-se inocente passa a ser imperativo. Uma meta. Quando nus, nossas imperfeições são reveladas. Como, porém, ocultá-las? Se a alma não é inocente, nenhuma “roupa nova” poderá reparar nossas falhas. Nenhum bom perfume cala a “voz” da podridão.

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Mau presságio?

Não, não acredito em maus presságios. Mas não me parece coisa boa iniciar o dia sendo vítima da artilharia de uma pomba amargosa.

Poxa, o dia só estava começando… Com tanta área livre, a pombinha não podia ter escolhido outro lugar?

Menos mal que só sujou minha calça. Mas eu estava em movimento… De moto. É muito azar.

Não gosto dessas aves. Acho que elas sabem disso. Deve ser. O carro está sempre “rebocado”. A moto, idem. Não fico livre delas um único dia. Mas entre acertá-los e me escolher como vítima existe uma grande distância.

Sinceramente, preferia começar o dia de outro jeito. Não precisava de sorrisos, aplausos, carinhos… Ficaria satisfeito em seguir minha rotina diária, sem surpresas desagradáveis. Estava de bom tamanho.

Entretanto, já que a pombinha me escolheu, deve lá ter seus propósitos. Espero apenas não ser um sinal dos céus que o Chefe anda de mau humor.