Deixem seus filhos em paz

Raramente faço uso de textos bíblicos por aqui. Entretanto, como estamos numa sociedade predominante cristã, gostaria de reproduzir uma orientação sagrada, mas que geralmente é negligenciada por muitos pais. Em Efésios 6:4, o apóstolo Paulo diz:

– E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor.

Dias atrás, enquanto conversava com alguns adolescentes, fiquei pensando a respeito desse assunto. Lembrei da recomendação bíblica. O que os educadores dizem hoje com outras palavras está lá, na Bíblia, e há cerca de 2 mil anos.

Isto quer que já naquele tempo muitos pais faziam bobagem, perdiam-se em suas próprias ações e não davam conta de educar seus filhos.

Tenho visto com frequência filhos reclamarem dos pais. Posso garantir, em muitos casos, com toda razão. Conheço várias situações em que contam as horas para se verem livres dos pais, porque a convivência é insustentável.

Os filhos não pediram pra nascer. Não escolheram em que casa iriam morar. Logo, é dever de quem fez esta escolha – os pais – tornar o ambiente saudável, agradável, leve, feliz.

É verdade que a molecadinha anda ousada, agressiva e até um tanto revoltada. Mas também nesse caso a responsabilidade é dos educadores. Filhos são reflexo dos pais. Algumas coisas nos escapam, é verdade… Porém, se são indisciplinados é porque faltou disciplina.

Penso que talvez é aqui que surge o problema: na confusão que muitos pais fazem sobre o ato de disciplinar. Disciplinar é estabelecer limites, ter regras, parâmetros muito bem definidos. Isso, no entanto, carece de amor. Afinal, filho não tem obrigação de amar os pais; amor de filho se conquista todos os dias. Eles não nascem programados para nos amar.

Tem pais que acham que disciplina se ensina no grito. Passam o dia gritando com a molecada. “Faz isso, faz aquilo… Olha a louça suja… Tá vendo as roupas em cima da cama? Desliga essa televisão!!!”. Uma coisa horrorosa. Se fizessem isso uma vez até ia… Mas passam o dia gritando, repetindo ordens, falando sem parar…

Uma pausa e duas perguntas:

– Você gostaria que alguém passasse o dia gritando com você? Ficaria feliz se alguém gastasse todo o tempo do mundo interrompendo o que você está fazendo?

– Você acharia divertido, quando está vendo seu programa favorito, se alguém gritasse pedindo: “fulano, pega meus chinelos”?

Voltando…

Tem pais que não toleram ver os filhos quietos. Se eles estão sentados no sofá, já começam a gritar. Se estão lendo, gritam. Se estão no quarto, gritam… E, detalhe, por vezes, fazem isso sem nenhuma coerência. Pedem coisas fora de hora. Num momento inoportuno. Pra molecada, fica a impressão que a diversão dos pais é incomodá-los.

Já disse aqui que não sou exemplo pra ninguém. Muito menos um pai perfeito. Estou longe, muito longe disso. Mas aprendi que dá para exigir organização e até mesmo ter a colaboração das crianças sem deixá-los loucos – ou, como diz a Bíblia, levá-los à ira. Basta que as regras estejam claras, os horários sejam previamente definidos e a conversa aconteça “olhos nos olhos”.

Tenho o hábito, por exemplo, de quando preciso falar com eles sobre coisas que devem fazer de ir até onde estão, pedir que olhem pra mim e me escutem. Se estiverem diante da TV, desligo o aparelho e faço a mesma coisa. Assim, eles me ouvem e sabem o que eu quero. Também deixo claro o momento que tudo deve estar pronto e as consequências de não ser atendido.

Sei que a moçadinha de casa não me acha legal o tempo todo. Mas nunca percebi neles nenhum tipo de ansiedade para se verem longe de mim. Afinal, mesmo quando estou folgado (o que é raro), garanto o espaço que eles precisam para fazer as coisas deles, sem ficar incomodando a cada dez segundos.

Sabe, talvez não seja muita coisa, mas entender que gritar menos, dar menos ordens para seus filhos, pode ser o primeiro passo para que convivam em paz.

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4 comentários em “Deixem seus filhos em paz

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