Obama, Hillary e a graça sem graça do CQC

Nada contra o humor. Nada contra a ironia. Humor e ironia são coisas que poucos dominam. Entretanto, os caras do CQC não têm muita noção. Aliam a inteligência com arrogância.

Acho que o programa consegue, por vezes, ser engraçado. E dá conta de ser crítico de maneira pouco habitual.

Entretanto, por vezes, perdem a mão.

Fiquei profundamente incomodado com o comportamento dos integrantes do CQC quando o presidente americano Barack Obama esteve no Brasil. Achei as piadinhas incoerentes. Faltou bom senso. Tentar abordar o chefe da nação mais poderosa do mundo para fazer graça, do jeito que tentaram fazer, pareceu-me um despropósito.

Mas, como se não bastasse, repetiram a dose nesta semana. Durante a visita de Hillary Clinton, o “repórter” Maurício Meirelles criou constrangimento entre os demais jornalistas brasileiros ao tentar entregar um adereço carnavalesco à secretária de Estado norte-americano. Antes disso, Maurício já havia gritado um “I love you, Hillary”.

O evento estava sendo transmitido ao vivo por algumas emissoras. E, também por isso, as “brincadeiras” do repórter do CQC acabaram rendendo bate-boca com jornalistas.

Com cara de bonzinho e fazendo-se de vítima, Meirelles acabou alardeando no twitter que um outro repórter o ameaçou.

Sou contra a violência, mas entendo a irritação dos jornalistas diante das atitudes desse pessoal do CQC.

Gente, não se trata de liberdade de expressão. Fazer brincadeiras com nossos políticos, que já são uma piada pela própria natureza, é uma coisa bastante diferente de interferir – e atrapalhar – em transmissões de outros canais. Mais que isso, não se trata de “vender” uma falsa imagem ao exterior, mas cai bem um pouquinho de respeito às autoridades de outro país.

Minha mãe já dizia: “tem hora pra tudo”.

É bem isso. Não tem graça essas brincadeiras em visitas de representantes de outros países e até mesmo em alguns outros eventos.

Pra quê isso? Nada justifica.

É falta de criatividade. É brincar com o constrangimento alheio. É fazer papel de idiota. E mais idiota ainda é quem, do outro lado (o público), ri dessas asneiras.

Desculpem-me, mas, para propostas vazias como essas do CQC, defendo sim algum mecanismo de controle, censura, de impedimento até mesmo do trabalho desses pseudo-repórteres.

Dá para fazer humor. Dá para ser irônico e crítico. Mas é preciso ser inteligente. Não há propósito nesse tipo de riso. Trata-se de um comportamento inadequado, invasivo, prepotente, arrogante. Ninguém ganha nada com isso; nem a comédia.

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12 comentários em “Obama, Hillary e a graça sem graça do CQC

  1. Sempre achei isso!
    Dizem que o povo quer ver isso… avacalhação…
    O que acontece, não se preparam p/ fazer as pergunta, as piadas. Os jornalistas (comediantes) é isso? Do CQC, erram muuuuito na mão.
    O exagero, atrapalha todo mundo, e quem sabe os outros jornalistas, reclamando, eles maneirem, porque nós que assistimos podemos usar o controle remoto.
    Mas, nos eventos, os outros profissionais e entrevistados não podem apertar um botão e sumir c/ eles…
    Virou frase feita, falar de censura, para os “sem noção” da mídia que sai atropelando tudo!

    abç

      1. (Considero-me uma pessoa super bem humorada, desde sempre…
        Quem me conhece, diz que nos eventos c/ amigos e parentes, não posso faltar…
        Pois brinco muuiito, com todos e todos aceitam bem, pois sei o que dizer e para quem dizer, além de ter consciência do que pode ser uma piada de mal gosto…)
        Parece que o brasileiro quer rir a qualquer custo, uma coisa horrível!!
        A brincadeira dos estudantes de Direito da UFPR, é um exemplo.
        Algumas pessoas comentaram (sobre a “brincadeira”) que o Brasil, ta muito chato de se viver.Acusando as pessoas que não gostaram da piada de “os politicamente corretos” inventaram essa bobagem. Ainda bem que muitos outros comentários, acharam outra coisa, uma brincadeira de péssimo gosto!!

        Infelizmente, Ronaldo, os programas querem audiência a todo custo. Guerra de audiência e apelam mesmo. Do lado de cá, muitos ainda salivando em ver e escutar lixo!!

  2. Estão mais interessados em aparecer, independentemente as custas de quem, do que promover uma boa imagem do povo brasileiro la fora. Ja somos vistos como país de prostitutas e ignorantes, onde estrangeiros podem vir aqui e fazer o que quiserem que nada acontece. E que espécie de imagem esses homens pretendem passar de nós? Que somos um bando de idiotas, sem graça, que faz piada de tudo, mesmo que o assunto deva ser tratado de modo serio, como é o caso? enfim mais uma vez, Ronaldo Nezo, você tem meu apoio nessa critica construtiva.

  3. Os Estados Unidos sempre cagaram para nós, agora que estão na merda , estão tentando buscar investimentos e parcerias com os brasileiros.
    Maurício Meirelles está certo!

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