Apagão digital: demanda é maior que investimentos

Gente, temos um problema. Um grave problema. O apagão da internet, da telefonia, ocorrido nessa quarta-feira (26), revelou não apenas nossa dependência desses serviços… Mostrou também que o Brasil não está preparado para dar conta de toda demanda de telefonia e internet. É certo que os limites tecnológicos ainda podem comprometer o crescimento do país.

Recordo que, há cinco anos, assisti uma palestra do jornalista Ethevaldo Siqueira. Estudioso do mundo digital, o experiente colunista do jornal O Estado de São Paulo e CBN sustentou a tese de que o maior problema do Brasil não eram aeroportos, estradas etc. Segundo ele, a maior carência eram cabos de fibra ótica. Ethevaldo ressaltou, na época, que essas outras áreas estavam sucateadas. Mas nada era pior que a falta de investimentos em tecnologia e ampla rede de fibra ótica.

Não investir em tecnologia é frear o futuro. O futuro passa pelos cabos de fibra ótica e pelos satélites.

Lembrei disso, ontem, quando precisei da internet… Lembrei quando tentei usar o celular… Lembrei quando fui pagar, com cartão, a compra no supermercado. Nada funcionava.

Milhões de pessoas viveram o mesmo drama em todo Sul do país.

Alguém pode dizer:

– Ah, mas foi o rompimento dos cabos… Acidentes podem acontecer.

Sim, acidentes acontecem. Mas como um sistema, do qual somos dependentes, pode deixar de operar assim? Não existe uma forma de operação alternativa, enquanto os reparos são feitos?

Além disso, a falta de investimentos é responsável por um serviço ruim. Basta notar o que acontece com a TIM. A operadora de telefonia móvel ampliou o número de clientes, mas, com isso, vive enfrentando problemas. Quer dizer, quem enfrenta problemas somos nós, usuários. Falta rede, ligações caem… e por aí vai.

É verdade que é quase impossível dar conta de estender pelas cidades, pelo campo etc uma rede completa em fibra ótica. Mas o sistema por satélites também é precário.

Por conta disso, a banda – que deveria ser larga – é estreita no Brasil. A transmissão de dados é lenta. O sistema não dá conta de garantir qualidade para transmissão de voz, dados, textos, imagens, fotos e vídeo. Em casa ou no trabalho, sentimos que nada funciona com agilidade. E só não percebemos a dimensão do problema porque a maioria de nós não experimentou os serviços dessa natureza oferecidos por países da Europa, Estados Unidos, Japão e Coréia do Sul.

E pagamos caro por serviços ruins.

O governo reconhece o problema. Ainda neste mês, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, afirmou que o setor de telecomunicações precisa de “fortes investimentos” em infraestrutura. Só assim poderá suportar com qualidade a demanda por serviços de banda larga, principalmente, e tráfego de voz.

Entretanto, entre reconhecer e agir existe um abismo. O crescimento da demanda é muito maior que a capacidade do governo e das empresas de tecnologia de respondê-la. Lamentável!

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