Vivemos para garantir o amanhã quando o amanhã ainda não existe

Sempre brinco que quanto mais a gente corre atrás do dinheiro mais ele corre da gente. É só uma brincadeira, evidente. Entretanto, vez ou outra me pego pensando em quanto tempo e energia gastamos nessa luta: ganhar dinheiro.

Não há nada de ruim nisso. Claro, desde que seja de maneira diga.

O que me incomoda é como deixamos a vida passar por conta disso. Somos consumidos – ou nos deixamos consumir.

É verdade que o dinheiro garante bem-estar, qualidade de vida. É bom comer bem, frequentar bons restaurantes, hotéis, viajar, ter boa casa, carro etc etc. Sem contar todas as novidades maravilhosas da tecnologia.

Porém, daria pra viver sem o último lançamento de celular… Daria pra viver numa casa menor… Daria pra viver sem trocar de carro todos os anos… É possível viver bem de maneira mais simples. 

Tudo é uma questão de prioridade.

Por que digo isso? Porque o mesmo dinheiro que garante alguns privilégios é o que ocupa nossos dias, tira nosso tempo e até nossa paz.

Nossa agenda está cada vez mais lotada de compromissos. Compromissos profissionais. E qual o tempo para as pessoas que amamos?

Quantas vezes deixamos de assistir o teatrinho de nossos filhos na escola?

Quantas vezes jogamos bola com as crianças no últimos meses?

Quantas vezes sentamos no chão e rimos de coisas tolas com a molecadinha de casa?

Quantas vezes sentamos ao lado da pessoa amada e nos deixamos enlevar pela atmosfera de carinho, ternura, ainda que nenhuma palavra tenha sido trocada?

Não dá, né? Estamos ocupados demais.

Tudo que fazemos é regulado pelo relógio. Somos escravos do tempo. Não por culpa do tempo. Por culpa nossa. Somos escravos de nós mesmos por priorizarmos o que não seria prioritário.

Levamos uma vida vazia, porque nos ocupamos da necessidade de vencer. Uma vitória sem vencedor, em que só há perdedores, pois esgotamos nossas forças, energias, nosso tempo para ganhar dinheiro. Atropelamos amigos, família, pessoas que amamos… Em nome do quê?

Dias atrás pensava: num velório, do que falamos a respeito daquela pessoa que está ali, no caixão? Falamos dos carros, das casas, dos títulos, das empresas? Ou falamos do legado moral, da bondade, do altruísmo, da humildade, do amor pela família e pelos outros?

Sabe, vivemos para garantir o bem-estar de amanhã quando o amanhã ainda não existe. 

Não há problema com o dinheiro. Nem com o que ele nos proporciona. O problema está em como ocupamos nossos dias para conquistá-lo abrindo mão de viver. 

O retorno de um leitor quase sempre faz sorrir a alma de um escritor

Quem não tem o hábito de escrever, ou escreve apenas o factual, talvez não tenha ideia do que significa um gesto simples como o compartilhamento de um texto seu por uma outra pessoa. Falo isso por que geralmente agradeço cada amigo que lê algo meu e, depois, divide o que leu com seus amigos no Facebook, Twitter etc.

É provável que meu agradecimento esteja longe de tocar esse amigo como eu gostaria. É provável que essa pessoa não tenha dimensão do que significa, do sentimento implícito atrás de um:

– obrigado, caríssimo. valeu por compartilhar!

Ainda assim, sinto necessidade de fazer isso.

Um texto que escrevo representa parte de mim. São minhas teses, minhas ideias. Coisas que acredito e que, por vezes, defendo. Não é muito. Porém, é expressão do que sou e de como vejo a vida.

Muitas vezes, é minha forma de agir como cidadão, de fazer pensar e, quem sabe, contribuir para que alguém viva melhor.

Cada texto tem significado único para o autor. Por isso, um comentário, um “curtir”, um “RT” no Twitter etc são mais que aplausos. Afinal, quem escreve nem sempre procura aplausos. Busca sim encontrar eco para suas palavras – seja por vê-las provocar uma reflexão, uma discussão ou simplesmente por tocar alguém. Esse é o maior presente para um escritor.

O retorno de um leitor quase sempre faz sorrir a alma de um escritor.